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A ‘celtomania’, mais umha vez?

Fernando Pereira (*) – Nom há dúvida de que o celtismo é umha das obsessons da sociedade galega contemporánea, já que desde há mais de cem anos a questom dos celtas aparece umha e outra vez na maior parte das formulaçons que se venhem a realizar acerca da história e da identidade da Galiza.

De facto, nos dias de hoje o celtismo galego está mais presente do que nunca, tanto nas investigaçons académicas como em diversos ámbitos extra-académicos, e mui nomeadamente em internet. Porém, apesar desta ubiqüidade da questom céltica, o certo é que nom existe um acordo generalizado na hora de avaliar o lugar que ocupam os celtas no nosso passado, nem tampouco quando se trata de determinar o legado que os celtas pudérom transmitir à Galiza atual. Se bem de jeito unánime admite-se que gentes de fala céltica habitavam no ámbito galaico quando os romanos chegárom ao noroeste peninsular –facto sobejamente demonstrado pola onomástica antiga-, contodo, as interpretaçons acerca desse elemento céltico som muito divergentes: se alguns pretendem minimizá-lo, outros pola contra outorgam umha grande importáncia à celticidade da Galiza antiga e mesmo da atual.

Nesta minha contribuiçom ao debate do celtismo galego nom pretendo passar revista a todas as teorias e opinions que podemos encontrar expressadas atualmente sobre o tema. Em troca cingirei as minhas observaçons a umha manifestaçom particular do celtismo: aquela que se baseia nos pressupostos da denominada Teoria da Continuidade Paleolítica (doravante TCP). As razons que me levam a centrar-me nesta manifestaçom som a sua popularidade cada vez mais evidente entre os partidários do nosso celtismo, assim como os paralelismos dexergáveis entre algumhas das suas formulaçons e certos traços que caraterizárom passadas teorizaçons em verbo dos celtas.

Como é bem sabido, a TCP mantém que a origem dos povos indo-europeus deve procurar-se nos grupos de Homo sapiens sapiens que povoárom o continente europeu procedentes de África durante o Paleolítico Superior; assim mesmo sustém que a diversidade das línguas indo-europeias começou a ser unha realidade a finais desse período e durante a época seguinte, o Mesolítico. No que atinge à questom céltica, os valedores da TCP afirmam que já no período de transiçom do Paleolítico Superior ao Mesolítico havia gentes falantes de umha língua celta ou proto-celta, e que esta apareceu primeiramente nas regions do ocidente atlántico: nas partes mais ocidentais do território francês, em Gram Bretanha e Irlanda, e no noroeste da península ibérica. Disto deduz-se a conclusom de que a Galiza atual forma parte da área originariamente céltica, quer dizer, que o nosso país é um dos “berços” originais onde “nascêrom” os celtas e a partir dos quais se espalhárom para habitarem noutras terras, o que supom aliás defender para a Galiza umha continuidade povoacional, lingüística e cultural desde o Mesolítico até a chegada dos romanos (e mesmo posterior). A TCP pretende demonstrar essas afirmaçons mediante um conjunto de provas e de argumentos nos que se combinam genética, lingüística, arqueologia e etnografia. Dado que eu nom som genetista, nem lingüista, nem arqueólogo, nem tampouco antropólogo, nom tenho capacidade nem autoridade para julgar a TCP, nem o celtismo que deriva dela, desde os métodos e as teorias próprias dessas disciplinas. O meu campo particular de investigaçom é a história do celtismo e é por este motivo que nas linhas que seguem limitarei-me a fazer algumhas observaçons sobre o celtismo apoiado na TCP, e sobre certas opinions expressadas polos seus valedores, desde a ótica da história da historiografia do nosso celtismo.

 


 

(*) Investigador especializado na história do celtismo galego


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