25 de Julho, Dia da Pátria Galega

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Por Adela Figueroa Panisse

Para a Galiza este é um dia de festa desde tempos que se perdem na memória da gente. O Dia 26 Bretagne, outro Fisterra, celebra o seu dia. Pode ser uma casualidade, mas a história mostra-nos como a Igreja Católica sobrepôs as celebrações religiosas às tradicionais, colocando um ‘santo’ ou santa onde antes havia uma festa pagã…

Desde antes da Ditadura, a revindicação une-se à festa neste dia. Na época franquista, timidamente, os galeguistas juntavam-se na única missa em galego que se dizia na Galiza, em São Domingos de Bonaval. Mesmo lá tem havido’lenha’ para aquela ‘perigosa’ grei por parte da polícia franquista.

Este ano deveria ser ainda maior a revindicação. Para mim não é de celebração.Todos as alarmes se me disparam perante os avisos e actuações deste governo. Contemplo preocupada o devalar da nossa sociedade galega. A Cultura Nossa, representada pela fala, a escrita, o idioma galego, está a ser duramente atacada desde o poder. Não é uma agressão vinda de fora. Agora não. São os próprios galegos os que estão a se demitirem de si próprios. Os que nos estão a governar foram eleitos pelos habitantes deste país. U-los os que pensavam de outra maneira?

Não só está a ser ameaçada a cultura , representada pela língua, mas também a identidade da Galiza, no seu conjunto: a Ribeira Sacra destroçada por obras que procuram um maior aproveitamento especulativo na obtenção de energia, tanto no leito dos rios pela instalação de novas turbinas como nos montes da Ribeira, instalando-se novos parques eólicos sem qualquer respeito pela paisagem e pelos monumentos de grande valor histórico que a acompanham. Desta maneira destroem-se riquezas que estão a ser exploradas de jeito sustentável por modelos irresponsáveis baseados no ganho de fortes subsídios que as empresas recebem por actuações declaradas de utilidade pública.

Igualmente poderíamo-nos referir a o Monte Iríbio, no Courel, que vai ser agredido pela autorização de outro parque eólico sem respeito algum por ser LIC e futuro parque natural. A riqueza que os seus habitantes podiam obter por este instrumento de conservação e protecção vai ir parar aos bolsos das grandes empresas. Entretanto, não se corrigem as desfeitas ambientais geradas pela mineira a céu aberto que destroçou á uma grande parte deste formoso território.

A costa está ameaçada pelo retomar de futuras macro pisciculturas de duvidosa rendibilidade , mas que se demonstraram altamente contaminantes, como ADEGA tem demonstrado mais de uma vez, e por mais parques eólicos que vão produzir uma energia que ira ser gastada fora da Galiza enquanto o nosso céu está a ser cruzado de cabos eléctricos para onde quer que olhemos.

Os labregos que tanto arriscaram para modernizar as suas granjas vem o seu património em grave perigo. Todo nos faz pensar que o modelo especulativo-extractivo e de rendibilidade a curto prazo volta ser o que domine sobre o de desenvolvimento perdurável que é defendido nos foros internacionais. O País vai-se como a água numa cesta. Tudo faz que lancemos uma justa e necessária voz de alarme. O actual governo galego não são todas/os os/as galegas/os. Ajuntemo-nos aqueles que sentimos o perigo. Trabalhemos em equipa para fazermos que o sentido comum e a responsabilidade de País se imponha a esta vaga de derrubo que nos ameaça. Vemo-nos em Compostela o dia 25.