Por Adela Figueroa Panisse
Desde Galiza sabemos bastante de Energia. Nomeadamente de produzirmos energia. A maior parte da Energia que produzimos vai para fornecer a insaciável necessidade de outras partes da Espanha, mas não fica cá onde é produzida. As linhas de Alta tensão que cobrem o nosso céu são todas de saída (Vide Rede Elétrica Nacional), nenhuma é de entrada. A energia que se produz cá procede dos nossos rios, dos nossos montes “inçados” de ventoinhas e, agora, de inúmeras “granjas ou hortos solares” que começam a aparecer por toda a parte. Mas na Galiza estamos totalmente impedid@as de sermos autossuficientes. Por exemplo: ao pé de qualquer parque eólico uma exploração de gado não tem a força elétrica bastante para garantir a eficácia na sua gestão.
ADEGA tem denunciado esta situação muitas vezes. Nomeadamente o abuso que se tem feito do nosso Património Natural para ser sacrificado a produzir energia.
Agora ameaçam com fazer mais três centrais hidroelétricas na Ribeira Sacra, no rio Lóio. Os nossos rios estão ao máximo da sua capacidade de produção de energia, e já foram sacrificadas para isso as melhores terras de lavor como no vale de Castrelo de Minho, no de Porto Marim, e muitos outros lugares. O Governo Fraga deu em prenda quase de graça muitos montes para as grandes companhias elétricas, que foram usurpados aos vizinhos sem que as populações locais obtivessem qualquer benefício por isso.
O abandono das aldeias mostra como as políticas da “Junta de Galiza” foram encaminhadas sempre para esse objetivo desfavorecendo, sistematicamente, os seus habitantes. Agora, o Governo de Feijó, quer mudar a lei de Montes para ter ainda mais fácil o acesso à posse dos últimos latifúndios da Galiza: Os Montes Vicinais de Propriedade Comum. Para poder instalar neles mais campos eólicos, incineradoras de lixo ou mineiras a céu aberto. A propriedade destes campos nunca vai ser dos vizinhos que os usufruíram durante séculos. Vai ser das grandes companhias multinacionais que têm o seu centro de poder e decisão longe da nossa terra, mas que já selaram o seu pacto com o Presidente da Junta no mesmo dia da sua eleição (Vide a fotografia do Sr. Feijó e do presidente de Iberdrola na Praça do Obradoiro). A maquinaria de usurpação já estava em marcha desde aquele dia.
A declaração da UNESCO tem como alicerce: impulsionar os serviços energéticos para tod@s,o acesso à disponibilidade e eficiência energética a sustentabilidade e o uso das fontes da energia para o desenvolvimento sustentável.
Sabendo que o sistema de energia é o principal responsável pelas mudanças climáticas, representando mais de 60% da produção dos gases de efeito de estufa, compre agir sem demora e bem neste campo. Mas a declaração da UNESCO, que apoiamos, indica entre as suas metas o fornecimento universal e igualitário da energia para a humanidade, desde que cumpra certas condições como
A) Que seja compatível com a preservação da integridade dos sistemas naturais
B) Que estenda os serviços à generalidade da população.
c) Que reduza os riscos à estabilidade devidos a uma crescente competição pelo domínio das fontes de energia.
Também são metas deste ano da Energia, reduzir em 40% a intensidade energética global e incrementar em 30% o uso de energias renováveis em todo o mundo.
As energias renováveis combatem a poluição atmosférica causa da rápida mudança climática, mas a UNESCO indica como um dos seus objetivos o controlo e administração por parte da comunidade, dos recursos locais de energia para evitar criar novas dependências e diz textualmente:
“As novas energias renováveis, como parte integrante de um sistema de energia administrado e controlado localmente podem oferecer importantes benefícios em termos de proteção do ambiente local.”
Desde a Galiza temos que defender o nosso ambiente, já bastante castigado por “granjas de vento” que modificaram completamente a dinâmica ecológica de lugares emblemáticos como o Gistral, Serra da Serpe e outros e ameaçam com alterar os poucos lugares ainda conservados como o Monte do Galinheiro ou o Maciço do Pindo, já bem colonizado por esta atividade.
Os encoros ou barragens que esganam a vida dos nossos rios estão ainda a produzir fortes poluições por eutrofização como aconteceu neste verão com o de Vila Souto ou vem acontecendo com o do Úmia. O de Castrelos do Minho há já bem tempo que mostra uma forte cauda de cor verde própria do ambiente eutrófico que se gera nas suas águas pouco arejadas. Como é sabido, isto é devido á excessiva proliferação de algas que podem ser tóxicas para a saúde humana Como aconteceu no de Vila Souto ou no Úmia e que produzem grande quantidade de metano (CH4), gás que tem um forte efeito de estufa.
Desde a ecologia defende-se a autossuficiência das populações e o desenvolvimento endógeno, condição intrínseca do D.S.
Existem na Galiza por toda a parte inúmeras minicentrais hidráulicas criadas na espontaneidade do povo que tiveram de ser abandonadas por causa da lei do monopólio elétrico. Estas pequenas centrais de produção não alteram a dinâmica dos rios e podem gerar energia para uma pequena comunidade. Se estas minicentrais pudessem voltar a funcionar independentes dos monopólios das grandes empresas que hoje estão a governar o mundo e controlam os governos, estaríamos retirando da rede geral uma grade quantidade de procura energética que iria fazer descer a necessidade global de produção. Também geraríamos independência, que é um dos objetivos neste Ano Internacional da Energia, mas que bate de frente com os interesses das multinacionais e dos governantes dependentes e corruptos.
Dos resíduos orgânicos também poderia obter-se uma boa quantidade de energia, beneficiando deste modo as granjas de vacas ou de porcos, como acontece nos Açores mediante a metanização dos “xurros”. Seriam apenas alguns exemplos de que outro modelo é possível e rentável.
Vamos fazer votos para ajudar a caminhar para a independência e a liberdade das comunidades autossuficientes.
Neste ano 2012 vamos trabalhar para reduzir a poluição da atmosfera e combater o aquecimento global. Vamos fazer porque os bens da natureza cheguem a todos e todas. E não sejam monopólio duns poucos/as neste Planeta que é a casa comum de todos os seres vivos.
Hiperligação para site oficial: http//:www.sustainableenergyforall.org/ ou aqui [PDF] ou aqui.
(*) Vogal de Transportes de ADEGA.
