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Xiao Berlai: “Nas Estampas existe um retrato da Galiza de hoje vista desde a minha ótica e as minhas preocupações”

A Através Editora lança um novo projeto artístico, a misturar música, ilustraçom e texto, numha proposta que pretende condensar a iconografia galega num livro-disco que compila 10 estampas, cada umha consta de um pequeno relato, uma ilustraçom de Leandro Lamas, inspirada no texto, e finalmente o texto musicado, uma banda sonora para os desenhos de um país, a cargo da banda de Berlai.

A Através Editora está a desenvolver umha campanha de micromecenado para angariar fundos para a ediçom, e pode-se participar aqui.

O músico e impulsionador deste projeto é Xiao Berlai, falamos com ele.

Como surgiu a ideia de Estampas Galegas?

Naquela altura trabalhava eu noutras músicas e ocorreu o incêndio que arrasou Portugal e Galiza no 2017. Daquela saíra de dentro, em questão de minutos, uma música dedicada ao lobby florestal (em palavras do Xabier V. Pumariño em artigos dele). Com os melhores desejos foi o nascimento de Estampas. Mas naquela altura eu ainda não era consciente. Daquela estava eu com Desconhecido, o primeiro artefacto (mistura de música e banda desenhada) de Berlai. Aos poucos foram saindo músicas relacionadas com situações que me passaram ou que passavam na Galiza sobre as que tinha necessidade de musicar. Aí estão Roubárom-nos a heroína ou Um home é um home. E nelas tentava usar a retranca e o humor como fio condutor, mesmo que fosse difícil.

É um projeto musical, mas que coloca em igualdade de protagonismo as letras e a ilustrações. É uma declaraçom de intenções? Achas que nom há hierarquias entre artes?

Nos projetos de Berlai sempre gostei de dialogar com outras artes. As próprias letras das canções, as ilustrações e a narrativa que nasce delas, e neste caso os textos que introduzem cada música. Os pré-textos que chamo eu neste Estampas. Eu ser, som músico, mas gosto de brincar com as artes e que a pessoa “leitora-ouvinte” chegue a elas por diferente via. Desta forma conseguimos uma visão mais poliédrica da obra de arte. Gosto das peças que deixam liberdade explícita para brincar por parte de quem as recebe.

Nos projetos de Berlai sempre gostei de dialogar com outras artes. As próprias letras das canções, as ilustrações e a narrativa que nasce delas, e neste caso os textos que introduzem cada música. Os pré-textos que chamo eu neste Estampas.

És tu quem escreves as letras, e também quem compom as músicas. Venhem antes os relatos ou os acordes?

Não tenho uma maneira ‘standard’ de trabalhar isto. Há músicas que saem mui bem, mas nunca topam a letra ideal que as complemente. Há músicas que lhes ocorre o mesmo. Não obstante, no caso de Estampas, o que primeiro que apareceu foi a situação que provocou a canção: Os incêndios; a situação do galego na sociedade; o mal-trato à TVG e às suas trabalhadoras; relatos que aprendim sobre a luitas nossas pouco conhecidas; estereotipos de gênero; histórias que me contarom xs avxs…

O que primeiro que apareceu foi a situação que provocou a canção: Os incêndios; a situação do galego na sociedade; o mal-trato à TVG e às suas trabalhadoras; relatos que aprendim sobre a luitas nossas pouco conhecidas; estereotipos de gênero; histórias que me contarom xs avxs…

Dis que a aproximaçom às Estampas Galegas se pode fazer sem que “a ordem dos fatores altere o produto”; poderia ter autonomia também cada peça por separado? Que acontece ao juntá-las?

Sempre adorei este jogo que já existia nos dous trabalhos anteriores de Berlai: Ser peças com entidade própria que servem por si soas, mas que ao juntá-las ganham ser partes dum “puzzle” que se pode desfrutar como conjunto. No caso de Estampas, existe uma temática comum, um retrato da Galiza de hoje vista desde a minha ótica e as minhas preocupações. Neste caso, mais que existir um fio narrativo condutor, existe uma união por temáticas nas que uma estampa vai a ligar com a seguinte.

Por que dez? De que tratam? Declaras que a proposta é uma homenagem ao Cousas, de Castelao. De que forma influi a obra de Castelao hoje, e em concreto no teu trabalho criativo?

O número não é premeditado. De fato, eram 13 num primeiro momento. As Estampas som uma homenagem a um livro que sempre adorei, pois nele Castelao consegue fazer um retrato duma sociedade em mui poucas palavras. Como em relatos tão curtos se pode dizer tanto sobre a Galiza de começos do XX. O diálogo entre texto e ilustrações. Eu quigem acrescentar aqui o tema da música, ao ser o meu campo e por que nas letras das canções pode-se dizer muito e mui pouco espaço. Essa era a intenção.

As Estampas som uma homenagem a um livro que sempre adorei, pois nele Castelao consegue fazer um retrato duma sociedade em mui poucas palavras.

Para além de várias artistas que colaboram no plano musical com Berlai, neste projeto há umha colaboraçom com o pintor Leandro Lamas, autor das ilustrações. Por que Leandro?

Berlai nasceu dialogando com as ilustrações da mão de Ernesto G. Torterolo (ao que considero o 5.º Berlai). O Ernesto não conseguia fazer este trabalho por motivos pessoais. Foi então que estivem pensando quem poderia ilustrar Estampas. Como neste novo trabalho a alegria é um dos fios condutores, e também a crítica social, a escolha do amigo Leandro parecia evidente. Ademais, em Através acabamos de trabalhar da mão com ele e a sua obra. Foi uma experiência frutífera que rematou num livro imprescindível para a arte plástica galega. A obra que criou o Leandro para Estampas dialoga com as músicas abraçando-se numa fermosa união.

O “crowdfunding” ultrapassou o ecuador do orçamento, em menos dumha semana. Como avalias a resposta do público?

Quando começa um “crowdfunding” sempre há muitas dúvidas sobre a acolhida. Eu não som um influencer das redes, e sempre dá medo. Chegamos aos 2/3 nos primeiros 7 dias e isso é brutal para alguém coma nós, que só somos simples músicos e não temos respaldos de marcas nem nada detrás. Sempre foi difícil destacar, que a gente te conheça. Agora mesmo estou feliz. Espero que continue assim, pois ao final há muitos gastos e os 3000 € som um grande apoio, mas tampouco cobre o 100% das necessidades.

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