Provavelmente “o Xerais” é um barômetro e uma das mais importantes citas anuais do livro e da cultura galega. Como cada ano desde há 35, Edicións Xerais de Galicia convoca os Premios Xerais para “orixinais en lingua galega, conforme a normativa vixente”, nas modalidades de novela, literatura infantil e literatura juvenil.
Segundo as convocatórias, que podem se consultar no site da editorial, estão a ser publicitadas maciçamente no universo cultural galego nestes dias, o prazo de entrega de originais finaliza o 3 de abril, e os nomes dos ganhadores conhecer-se-ão em 2 de junho.
O prémio, o mais importante a um romance nas letras galegas, dotado com 10.000 euros na atualidade, entrega-se num evento festivo que reúne o mais destacado da cultura e da crítica galega no mês de junho.
Edições Xerais, concedeu ano após ano este prémio, desde 1984, a um romance; e a partir de 1988 conjuntamente o Prêmio Merlin de literatura infantil e juvenil; já na edição de 2006, o galardão acompanhou-se também do Caixa Galicia de literatura juvenil. Também a editora concede atualmente um prémio à cooperação no labor editorial.
Xerais, fundada em 1979 em Vigo por Xulián Maure Rivas e Germán Sánchez Ruipérez, forma parte do Grupo Anaya (1988), a partir de janeiro de 2004 está integrado na multinacional Lagardère. Por causa da sua estrutura, integração no grupo, volume editorial, produção, fundo contemporâneo publicado, e pelo seu peso na edição de livro escolar, infantil e juvenil, é a mais importante editorial de livro galego.
Mais um ano anuncia-se a convocatória desta cita, prémio e evento, saudada pelos mais diversos agentes culturais, críticos e ativistas linguísticos, sem criticar que, especificamente na primeira das suas bases em todas as categorias de prêmios, exclui o reintegracionismo e toda norma que não seja “conforme à normativa vigente”:
“Poderán concorrer ao premio todos aqueles autores/as de calquera nacionalidade que presenten os seus orixinais en lingua galega, conforme á normativa vixente”
A primeira das bases das convocatórias, coincidente com a política da editora é comum a das mais importantes editoriais da Galiza. Xerais mantém a negativa para publicar obras e autores reintegracionistas. Política ultrapassada doutras épocas mais escuras e que em 2018, resulta já uma verdadeira anomalia, desajustada à situação social, a normalização do reintegracionismo, à lei Paz Andrade e ao uso crescente de normas reintegracionistas: rémora cultural e impasse estratégico denunciados por diversos coletivos, autoras, críticas, instituições e pessoalidades académicas, como discriminação, exclusão ou apartheid.
