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Xavier López, do grupo promotor da Semente Ourense: “Apostamos pela rebeldia e por construirmos outro cenário educativo”

A cidade das Burgas quere umha escola autogerida em galego, como já tenhem Vigo, Compostela, Lugo, Trasancos e Corunha. Para isso, venhem de lançar umha campanha de micromezenado, da que se pode participar aqui, e falamos com um dos participantes no grupo promotor, Xavier Lopez.

Ourense é das principais cidades que ainda nom tinham escola Semente. Como foi o processo até agora para aglutinar um grupo de pessoas impulsionadoras?
Foram vários os intentos de fazer agromar uma semente em Ourense, por isso é que estamos perante um processo longo e cheio de dificuldades em todos os aspectos imagináveis. Desta volta levamos um ano reunindo-nos, petando em muitas portas, sofrendo alguns contratempos mas caminhando passeninho para fazer possível uma semente também em Ourense.

Agora parece que alviscamos unha possibilidade real. Atopamos unha comunidade que nos acolhe, temos uma quinta para horta e com carvalhos para brincar e observar. Ainda assim avançamos com moita cautela. Compre uma Semente para as crianças de Ourense e isso faz-nos trabalhar arreio. Temos um caminho longo e cheio de silveiras. Todos os começos são assim, mais o amor pelo projeto, pela nossa língua e crianças, converte-nos em Sementadores. Não pode ser que na terra de Basilio Álvarez, o sementador, como lhe chamava Cabanillas, fique erma e não se afiance o gromo. Regaremos, aboaremos as vezes que cumpra!

Atopamos unha comunidade que nos acolhe, temos uma quinta para horta e com carvalhos para brincar e observar. Ainda assim avançamos com moita cautela. Compre uma Semente para as crianças de Ourense e isso faz-nos trabalhar arreio. Temos um caminho longo e cheio de silveiras. Todos os começos são assim, mais o amor pelo projeto, pela nossa língua e crianças, converte-nos em Sementadores.

Quantas famílias estades envolvidas?
Famílias com crianças pequenas agora mesmo tão só três mas envolvidas no projecto há por volta duma dúzia de pessoas. Nos próximos meses queremos alargar a cifra de sócios e dar-nos mais a conhecer organizando aulas abertas, obradoiros e roteiros pela vila que nos acolhe. Que se conheça outro jeito de entender a educação das crianças. Estamos certas que partilhamos sensibilidades e inquedanças com muitas mais famílias e chegou o momento de fazer um chamado para uní-las e tornar realidade a Semente Ourense.

Qual é a situaçom socionlinguística na cidade de Ourense?
Sem ser especialista acho que Ourense reflete bem o panorama urbã da língua em todo o país. O galego em total retrocesso fronte o castelhano, chegando a uma substituição total nos menores de 30 anos. Na cidade é mais verosímil topar uma criança falando inglês que galego. A própria RAG no seu recente estudo sobre o uso da língua no concelho de Ames fala do efeito desgaleguizador da escola desde a primeira etapa até o bacharelato. Aliás, cum governo local completamente desleigado da cultura galega, que nega o direito das crianças galegas na cidade a programas como Apego ou o teatro infantil cum programa estável, a situação não melhora. Temos que empoderar às nossas crianças para que se sintam orgulhosas da sua cultura e curiosas para aprender outras línguas e doutras culturas. Não é necessário para aprender, desaprender o próprio.

Estades a cozinhar umha campanha de micromecenado para encetar o trabalho, como vai isso? Quais som os objectivos?
O principal objectivo é acondicionar o local que arranjamos no bairro de Seixalvo. Depois de vários intentos finalmente conseguimos um local e queremos prepará-lo com vistas a abrir as aulas regulamente no próximo curso. O local precisa fazer algumas reformas e investimento que já estão em andamento.

Um dos debates principais ao se falar das escolas autogeridas é a crítica por “renunciar” ao sistema público estatal. O que diríades a quem argumenta nesta linha?
Renuncia é a que fazem ano trás ano as crianças galego-falantes que se incorporam ao ensino galego, ao ver-se na obriga de renunciar à sua língua para serem aceitem nesse modelo de imersão em castelhano. O ensino público é um direito. Mas também o é poder exprimir-se livremente na língua materna. Falava antes do estudo sociolinguístico do Concelho de Ames e dos seus dados pessimistas. Queremos garantir um pleno desenvolvimento na nossa língua e cultura e, pelo de agora, este projeto é quem de dar-nos garantias. Certo é que nos currículos de base pode haver concomitâncias no aspecto educativo, pero o sistema público galego não acredita ou não quer apostar pela língua. Nega que se impartam aulas de ciência e matemáticas na língua materna! Não duvidamos das profissionais do ensino público. Duvidamos dum governo multado por Europa por não fazer valer os direitos do galego. Na Semente essa aposta está assegurada, aliás de todos os valores que desprende essa aposta pela língua e cultura. A ecologia e a defesa do meio também é linguística. Não se deveria lutar contra os incêndios e contra o câmbio climático e não defender a língua galega como parte do nosso cotiã. Fronte a essa perspectiva derrotista de que não se pode fazer nada pola nossa língua, na semente apostamos pela rebeldia e construirmos outro cenário educativo.
Aguardamos que mais pronto que tarde seja o normal nas escolas públicas deste país.

Para além da imersom linguística, que outros piares som importantes para a Escola Semente de Ourense?
Na Semente Ourense acreditamos nos piares que movem o resto das sementes do país, acreditamos numa educação científica, ecológica, feminista que torne às crianças em protagonistas.

Na Semente Ourense acreditamos nos piares que movem o resto das sementes do país, acreditamos numa educação científica, ecológica, feminista que torne às crianças em protagonistas.

É vital que o primeiro desapego se faga na língua materna, com atividades que se levem a cabo desde a escolinha e as famílias. Não se aprende só na aula com material de aula. O processo vai além das paredes. Este é um projeto que nos envolve como seres inseridos numa sociedade, coas vantagens e taras que tem. Aprendemos em base ao método científico, ensaio e erro, para afiançar conhecimentos. Queremos medrar numa sociedade horizontal, democrática e coeducativa, onde o que importa é o caminho. Ensinamos a pensar, a razoar e a ver o mundo para melhorá-lo. O que acontece fora também é importante desde a vila até outros países. Investir na comunidade, participar e partilhar tempos de lazer e de aprendizagem coas pessoas maiores, transmissoras da cultura popular que tão rica é na nossa terra e que não podemos deixar que morra: quando sementar pimentos, as canções, os ditos, as lendas, os nomes dos lugares e a microtoponímia. A maioria dos animais mamíferos aprendem com jogo e com a interatuarão. Assim queremos aprender nós e que aprendam as nossas crianças.

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