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Uma viagem pela Lusofonia

O escritor e viajante brasileiro Guilherme Canever lança um convite singular aos leitores com o seu novo livro, “ONDE SE FALA PORTUGUÊS – UMA VIAGEM PELOS PAÍSES LUSÓFONOS”.

Canever foi o entrevistado do Espaço Brasil em maio de 2020, quando estava trabalhando na divulgado do livro “Viagem por Países que Não Existem”.

Agora, o novo livro, mais do que um simples relato de viagens, propõe uma imersão cultural nos nove países que compõem a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), utilizando o idioma comum como bússola e ponte.

O livro, que já se encontra em pré-venda, explora as conexões e particularidades de um universo que une mais de 300 milhões de falantes em diversos continentes.

Encontros Inesperados

A ideia para o projeto não nasceu de um plano meticuloso, mas de encontros fortuitos que revelaram a força inesperada da língua portuguesa em terras distantes.

Canever recorda um episódio marcante numa pequena comunidade piscatória no Lago Malawi, país onde o inglês é oficial, mas outras línguas predominam no quotidiano.

Com dificuldades de comunicação, foi surpreendido por um senhor moçambicano, “extremamente bêbado”, que falava português. “Começamos a conversar e logo se criou uma conexão”, relata.

O homem, antigo orador oficial na província de Niassa, anunciou informalmente que ambos pertenciam à “mesma tribo”, uma piada local que carregava um fundo de verdade sobre a união proporcionada pelo idioma.

Semanas depois, já em Moçambique, a experiência aprofundou-se. “A facilidade na comunicação em locais mais afastados e a profundidade nas conversas tornaram a viagem muito especial”, conta Canever.

A sensação repetiu-se na Guiné-Bissau. Embora nem todos falassem português fluentemente, a língua criava uma “conexão diferente”.

As viagens pelos restantes países lusófonos ocorreram de forma mais orgânica, e só mais tarde o projeto do livro tomou forma.

A Língua como elo

Durante as suas andanças, Canever experienciou de forma palpável o poder agregador do português. Uma das surpresas mais significativas ocorreu na província de Niassa, em Moçambique, e repetiu-se no arquipélago de Bijagós, na Guiné-Bissau: foi elogiado por “falar tão bem português”. O escritor percebeu que, para muitos locais, era invulgar ver um “branco” comunicando-se na língua que, apesar de ser “a do colonizador”, ali funcionava como um elo inesperado.

“A união que a língua traz é algo que eu nunca tinha imaginado antes. Como se fossemos de uma grande família”, reflete.

O Desafio da Xenofobia

Questionado sobre se a língua ainda consegue aproximar povos num mundo marcado pela crescente xenofobia, Canever oferece uma visão ponderada. Ele reconhece o português como “uma ponte que une povos, carregando histórias e possibilidades de conexão”.

No entanto, admite que a xenofobia, muitas vezes alimentada por disputas econômicas e culturais, “tem criado barreiras”. Como viajante, ele sente menos dessas tensões, já que suas interações são mais diretas e espontâneas.

Contudo, para quem reside permanentemente noutros países, “existem tensões estruturais, onde a desigualdade alimenta o medo do ‘outro'”.

Apesar disso, Canever acredita no potencial da língua: “Ainda assim, a língua pode aproximar se usada com empatia, mostrando que a diversidade nos humaniza e que a solidariedade pode superar as injustiças por trás da xenofobia.”

Uma Comunidade Global (Ainda) por Descobrir

Um aspeto que chamou a atenção do autor foi a aparente falta de consciência, entre muitos dos seus interlocutores nos diversos países, sobre a real dimensão e força da Lusofonia.

Embora consumam produtos culturais – músicas, programas de televisão, conteúdos do YouTube – de outros países de língua portuguesa, “não creio que a população em geral tenha noção do tamanho e força da língua”, observa Canever.

Ele lembra que o português é, afinal, “a língua mais falada no hemisfério sul, e uma das mais faladas no mundo”.

O livro surge, também, como uma forma de lançar luz sobre essa vasta comunidade interligada pelo idioma.

Para Além do Roteiro Turístico

Como destaca o historiador Leandro Karnal no prefácio da obra, a viagem de Canever foge ao convencional: “A viagem não é de caravela, mas envolve coragem. Barcos na madrugada, trens fora do padrão turístico, hospedagens quase bizarras: ir além do circuito consagrado implica desafio pessoal. O prêmio? Viagem intensa, memórias e uma experiência colorida narrada pelo autor.”

“ONDE SE FALA PORTUGUÊS – UMA VIAGEM PELOS PAÍSES LUSÓFONOS” promete, assim, ser mais que um livro de viagens: é um convite à navegação por culturas diversas através daquilo que as une – a Língua Portuguesa.

Onde encontrar:

Conheça Guilherme Canever

O autor é brasileiro, casado, pai do Gabriel, 9 anos e Teresa, 6 ano.

Ele traz na genética o gosto pela viagem e pelos livros. Desde que nasceu, foi estimulado pela curiosidade e pela descoberta em uma família de viajantes. Seu primeiro livro foi De Cape Town a Muscat: Uma Aventura pela África. Depois lançou De Istambul a Nova Délhi, Uma Aventura pela Rota da Seda. O terceiro: Uma Viagem pelos Países que Não Existem, teve sua tiragem rapidamente esgotada e transformou Guilherme em uma das principais fontes de referência sobre países não reconhecidos pela ONU. “Destinos Invisíveis – Uma nova aventura pela África“ é o título de sua quarta publicação.

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