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Uma esquina e muitas vozes

Há 52 anos, portanto, em 1972, foi lançado um dos discos mais icônicos da música brasileira.

O disco “Clube de Esquina”, que se tornaria a pedra fundamental de um movimento musical homônimo, apesar de esquecido ou não valorizado como movimento, como ocorreu com a bossa nova, jovem guarda e tropicália que foram amplamente valorizados como movimentos musicais ocorridos na MPB.

marcado por sonoridade “que fundia as inovações trazidas pela bossa nova a elementos do jazz, do rock, da música folclórica dos negros mineiros, da música erudita e da música hispânica”, como explica o músico e pesquisador do tema, Ivan Vilela.

O termo Clube da Esquina era usado por um grupo de amigos formado por músicos, poetas, compositores, que se reunia em Belo Horizonte – MInas Gerais na década de 1960

Era composto por ninguém menos que Milton Nascimento, Márcio Borges, Lô Borges, Beto Guedes, Wagner Tiso, Toninho Horta e tantos que foram chegando e transformando uma esquina no mundo todo.

Entre esses músicos que participaram do LP (long play como era chamado na época), Beto Guedes, com sua voz peculiar e domínio de vários instrumentos, despontou com o disco “A página do relâmpago elétrico” (outubro 1977).

E, desse disco, com suas 10 músicas, em 2023, a escritora e editora Marina Ruivo convidou uma turma de talentos para participar do “Leia esta Canção: Beto Guedes“, Editora Garoupa.

O Espaço Brasil conversou com a escritora, que nos conta qual a relação do livro com o disco, os participantes e os planos futuros.

Espaço Brasil – Como surgiram a editora e o livro? E por que o disco “A página do relâmpago elétrico?

Marina Ruivo – A editora surgiu da minha paixão pelo trabalho editorial. Atuo na área há mais de vinte anos e já há uns sete anos pensava em abrir minha editora. Foi necessário, no entanto, amadurecer bem a ideia até decidir de fato principiar.

O livro surgiu porque queria que a primeira publicação fosse um livro vinculado ao universo da música. Chegar ao Beto Guedes não foi difícil, porque é o músico que fez minha cabeça na adolescência, portanto me marcou muito, em termos da minha trajetória mesmo. E aí foi questão de decidir qual disco dele. Depois de pensar, cheguei à conclusão de que tinha que ser “A página do relâmpago elétrico” não só porque é o primeiro de Beto, como também porque muita gente que conhece Beto Guedes não conhece esse disco, como um todo. Além disso, considero um disco absolutamente inovador.

Como foi a escolha dos escritores participantes? Algum “membro” do Clube da Esquina participou do livro?

A escolha se deu a partir de vários critérios. Um deles, claro, era conseguir chegar nos escritores e fazer o convite. Outro era buscar certa divisão igualitária entre homens e mulheres e, também buscar que os autores não fossem apenas de São Paulo. Então, eu comecei chamando as pessoas mais próximas, amigas mesmo, e pedindo sugestões e indicações.

Estão presentes trabalhos visuais de ilustradores, produzidos especialmente para o livro e também inspirados nas músicas e canções do LP de Beto Guedes. Assim, temos o trabalho visual de Celia Regina Furlan, João Arruda, Nana Santos, Nivea Leite, Rogério Marcondes e Valéria Barcellos.

Uma pessoa que foi fundamental nesse processo foi o escritor Luiz Roberto Guedes, que é primo do Beto. Ele não só topou participar com um conto, como me indicou muitos autores para eu convidar.

Como “membro” do Clube, tivemos a participação do Flávio Venturini, cantor, músico e compositor, que conta sobre sua amizade com Beto e sua participação na gravação do LP, com a música “Nascente”.

E tivemos também a participação do grande letrista Murilo Antunes.

E como está sendo a aceitação do público?

A aceitação tem sido ótima. É muito bacana descobrir quanta gente é fã das canções do Beto Guedes!

Quais são os próximos projetos da Editora?

Os próximos projetos são muitos. A coleção Leia esta canção vai prosseguir, desta feita homenageando o disco O romance do Pavão Mysteriozo, de Ednardo. Os autores já foram convidados e estão escrevendo seus textos.

Fora o projeto dessa coleção (cujo terceiro volume vai ser em torno do primeiro disco de Angela RoRo), vamos publicar diversos romances e livros de contos e de poesias neste ano. Acabamos de publicar O sono dos justos (livro de contos de horror do escritor paranaense Felipe Teodoro) e, agora em março, sairão: O filho do açougueiro (romance, D. L. Benette), Um deserto sem lugar… sob a estrela da misericórdia (poesia, Fernando Naporano), XL (romance, Rafael F. Atuati). Vários outros títulos estão em produção. No ano passado, após o primeiro livro, publicamos o romance O pêndulo do senador (Mario Henrique Viana) e o livro de poesia Versos ao sabor do tempo (Laura Helena Sodré).

Ademais, acabamos de abrir uma chamada de originais exclusivamente voltada a livros escritos por mulheres (poesia, conto ou romance).

Alguma previsão ou projeto para lançar o livro em Portugal, Galiza ou outro país de língua portuguesa?

Ainda não, muito embora estejamos produzindo um livro de poesia de uma escritora brasileira residente em Portugal.

Então, vamos aguardar… Será uma honra!

Conheça a escritora e editora Marina Ruivo

Marina Ruivo é escritora e editora. Formou-se em Letras/Português pela Universidade de São Paulo, mesma instituição onde defendeu seu mestrado e seu doutorado.

Fez estágio pós-doutoral na Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi professora substituta na Universidade do Estado de São Paulo e professora efetiva da Universidade Federal de Rondônia.

Publicou os livros Geração armada: literatura e resistência em Angola e no Brasil (Alameda Editorial, 2015), Nossa barca (Patuá, 2019) e Leite de mulher (Patuá, 2021). Tem contos publicados em diversas revistas literárias e em antologias.

Contatos nas redes sociais:

LinkedIn Instagram @ruivomarina e @garoupaeditora

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