Por José Ramom Pichel Campos
A tradução automática é uma disciplina relacionada com a inteligência artificial e a linguística computacional que pretende criar software capaz de traduzir entre duas línguas distantes como podem ser alemão e japonês ou próximas como português (Galiza, Portugal ou Brasil), catalão, e/o espanhol.
Na década dos 60 empurrados pola teoria do lingüísta e activista norte-americano Noam Chomsky, os engenheiros informáticos e os lingüístas daquela altura começaram a construir tradutores automáticos que usavam informação gramatical e léxica para tentar traduzir entre dous idiomas. As enormes expectativas daquela geração de cientistas em conseguir resultados num prazo breve de tempo, frustraram-se ao não atingir bons resultados finais.
Condicionados pola distância entre línguas, a tipologia dos textos de entrada, a grande ambiguidade das línguas humanas, e o pouco desenvolvimento tecnológico, a tradução automática parecia um desafio inabordável.
Por causa disto e recuperando ideias já propostas por Warren Weaver no ano 1949, investigadores de IBM na década dos 90 usaram a estatística e concretamente a teoria da probabilidade para desenvolver tradutores automáticos que não necessitassem nenhum tipo de informação linguística para fazer as suas traduções, sendo na actualidade os sistemas comerciais e gratuitos que mais se utilizam. Nos textos que se escrevem em qualquer língua existem erros ortográficos, palavras desconhecidas e palavras que não devem ser nunca traduzidas.
Quando existem os primeiros ou os segundos, o tradutor não sabe qual é a palavra e portanto deixa tal como está na maioria dos sistemas, atribuindo-se ao tradutor automático na maioria das vezes uma responsabilidade no resultado de tudo incorreta. No terceiro caso como são os nomes de lugares, os nomes de pessoas, instituições ou frases noutro idioma, o tradutor automático se não tem incorporados sistemas de detecção automática destas palavras desconhece que estas palavras não devem ser traduzidas. Os resultados podem ser cómicos.
Por isso quando se enviou a um tradutor automático de galego a espanhol um texto no que estava escrito o topónimo “Sobrado dos Monxes”, o tradutor traduziu “Sobrado” por “Desván” e “dos Monxes” por “de los Monjes”.
Se a esta carência desse tradutor lhe acrescentamos que o documento não foi revisto, a leitura do texto em público tem efeitos não desejados, ou mesmo poderia ser uma nova forma de inovar a toponímia galega, já que estamos tão sobrados.
(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.
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