Que países entrarão na CPLP antes que a Galiza?



Vários países vão entrar como observadores associados e membros, muito antes do que o lugar onde nasceu a língua, a parte da antiga Galiza ao Norte do Minho, a comunidade autónoma galega atual. Dentro destes novos países estão a Guiné Equatorial, o Japão, a Namíbia, a Turquia e a Geórgia.

É relevante o interesse crescente na pertença à CPLP e os argumentos que dão cada um destes países para se integrarem neste espaço cultural, linguístico e económico. Falaremos só de dous: Guiné Equatorial e Geórgia.

Guiné Equatorial

O ditador da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, utilizando auscultadores numa reunião da CPLP

O ditador da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, utilizando auscultadores numa reunião da CPLP

Guiné Equatorial, foi colónia espanhola até o ano 1968 e previamente colónia portuguesa até o ano 1778. Será membro de pleno direito da CPLP desde este mês de julho de 2014.

Recentemente, no web CEO Lusófono, sítio sobre pessoas relevantes da lusofonia, aparecia este manchete intitulado “Guiné Equatorial reintegra a Lusofonia”. Nele comentava-se o bloqueio de Portugal à entrada da Guiné, que finalmente cedeu frente as pressões do Brasil e Angola.

“(…) Luanda e Brasília cansaram-se de “dar tempo ao tempo” e defenderam também os interesses de Lisboa. Explicaram a Lisboa que estava na hora de resolver a re-integração da Guiné Equatorial no espaço lusófono. E Lisboa teve de ceder… Quando Portugal deveria ter sido (por razões históricas e estratégicas) o principal defensor desta re-integração, acabou por ser o obstáculo que foi necessário Brasília e Luanda removerem… Pois, recorde-se, Portugal era o único país lusófono a opor-se à entrada da Guiné Equatorial na CPLP.”

Geórgia

Azulejos representando o martírio de Santa Ketavan

Azulejos representando o martírio da santa Ketavan

Antiga república soviética independente desde o ano 1991, com uma área de 69,7 quilómetros quadrados e uma população de 4,3 milhões de habitantes, pediu em 2012 o estatuto de país observador à CPLP.

O diplomata georgiano Giorgi Gorgiladze tem explicado o interesse da Geórgia no bloco lusófono, sublinhando o valor da Língua Portuguesa e o potencial económico dos oito países da CPLP. “Os países lusófonos estão distribuídos pelos cinco continentes e é importante relacionarmo-nos com estes países. Queremos desenvolver relações económicas, políticas e culturais com estes países, em particular com Portugal”, disse.

Giorgi Gorgiladze lembrou que as ligações entre Portugal e a Geórgia têm séculos, apontando como provas desse relacionamento a referência ao povo georgiano n’Os Lusíadas, de Luís de Camões, ou um painel de azulejos alusivo ao martírio de uma das santas mais veneradas na Geórgia existente no Convento da Graça, em Lisboa.

Lei Paz-Andrade

A partir da aprovação da Lei Paz Andrade, é desejável que o governo da Xunta, recolhendo o caráter de unanimidade que trouxe a lei, lidere junto com o maior número de agentes sociais e económicos galegos, a possibilidade de entrar como observador associado, no mínimo, e como membro de pleno direito por justiça.

O lugar onde se trovaram as “Ondas do mar do Vigo” de Martim Códax não pode ficar à margem da da CPLP. Afinal, também saímos nos Lusíadas, e com certeza, mais vezes do que a Geórgia.

 

NOTA:

Artigo publicado originalmente no Fest-AGAL n.º 5 (julho de 2014)

José Ramom Pichel

José Ramom Pichel

José Ramom Pichel Campos nasceu em Santiago de Compostela (1972), mas cresceu em Vigo. Durante anos foi o rosto visível de imaxin|software, empresa de tecnologia linguística focada sobretudo na tradução automática com projetos como Opentrad. Pichel é co-autor, com Valentim Fagim, de 'O galego é uma oportunidade / El gallego es una oportunidad'. Atualmente o seu interesse é ocupado polo audiovisual, com um projeto de documentário em andamento, 'Porta para o exterior', codirigido com Sabela Fernández.
José Ramom Pichel

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  • Ernesto V. Souza

    Eu aposto que entrará a Espanha, com alguma entidade da Junta de Extremadura ou fundação da Universidade de Salamanca…

  • Hugo Rios

    Apenas uma pequena correção: a Geórgia tem 69 700 Km quadrados. 🙂

  • Isabel Rei Samartim

    Pois nos últimos meses a Xunta esteve de viagem pelo Japão, já podiam ter aprendido algo… Com efeito, é cousa de vontade política, mas se estes não o fazem, por estarem demasiado ocupados com a quebra do seu partido, já outros o farão. Isso sim, por trás do resto de países do mundo, como corresponde à altura inteletual dos políticos do paisinho…

    • Joám Lopes Facal

      Ou politiquinhos do país ou, caso sejas um bocadinho sado, politiquinhos do paisinho…mais para além diso é excesso.

  • Cohen Sommer

    O lugar onde nasceu a língua já está dentro da CPLP. Parece que os lusistas se esquecem que Portugal também é o lugar onde a língua nasceu. Portugal é tão “galego” como a própria Galiza. O facto de ter mudado de nome não destrói facto de que era também ele Galiza.
    Em suma, o lugar onde nasceu a língua já está dentro da CPLP. Está completo? Não, mas está lá!

    • Ernesto V. Souza

      A cousa não é que esteja o lugar onde a língua nasceu… nem mesmo que estejam galegos… esses estão por cá ou lá… é que esteja alguma instituição da Galiza ou dos galegos…

      • Cohen Sommer

        A Extremadura parece-me um belo exemplo para a Galiza. De facto está sempre um passo à frente no que toca ao português e às relações que mantém com Portugal. Tomem-lhe o exemplo…

    • Isabel Rei Samartim

      Isso, incompleto. Aqui ‘lusistas’ somos todas, olho. 😉

  • Ângelo Cristóvão

    Penso que a Espanha não pedirá a entrada na CPLP, mas poderia fazê-lo a Extremadura que, como aqui foi dito, leva muito adiantado em relação à Galiza.

  • Valmar

    Portugal quer manter boas relações com a Espanha e de modo algum favorecerà a integração da Galiza nos CPLP. Sò a vontade da comunidade galega e o apoio dos demais paises pode inverter esta situação. Isto não impede que os portugueses do norte sintam mais afinidades com os galegos que com as regiões do sul do paìs. Hà verdades que não são faceis de confessar. A origem galega do potuguês, é muito pouco provavel. O português era falado na região de Portugal, situada entre Douro e Lima e que tinha por capital Braga, a maior cidade de Noroeste ibérico, se tivermos em conta os vestigios encontrados numa érea superior a 25 km2. O galego, falado entre o Lima e o Ulla, era um dialeto ligeiramente differente, que não possuia, por exemplo, o fonema /ÃO/ nem o “J” de João, commum à maior parte das linguas romanas. A forma numeraria dos dias da semana, caracteristica da lingua portuguesa, parece não se ter enraizado na Galiza.
    O interior de Portugal estava na mesma situação que a Galiza e não fazia parte do Portugal de origem. Enfim, este detalhe, de que fala Estrabão, não tem muiita importancia.

    • Ângelo Cristóvão

      Valmar, as suas afirmações sobre a ausência do fonema ão e a indiferenciação entre j/g e x não são acertadas. Mas não importa muito, pois a filologia não vai determinar as relações com a CPLP. Os filólogos isolacionistas, esses que se dão bem com os anti-acordistas de Portugal, fazem esforços por manter o statu quo em que eles eram os possuidores do monopólio da verdade académica. Parece que isso começa a mudar.

      A situação política em relação à entrada da Galiza na CPLP pode mudar também. O principal a entender é que precisa de acordos entre os vários intervenientes, um dos quais é o governo espanhol, que mantém a exclusividade das competências em matéria de relações internacionais. Portanto, caso de a Galiza querer apresentar a candidatura, precisará do visto do MNE de Madrid e dos votos favoráveis de todos os países membros da CPLP, onde é exigida a unanimidade.

      • Valmar

        Caro  Cristovão:Não tenho nada a ver com isolacionistas ou acordistas, apenas  afirmo aquilo que é do conhecimento comum, o português nasceu ao sul do rio Lima, que nunca se chamou Galiza. Leio também um comentario assinado Venancio que decide ele proprio quem està qualificado para debater sobre a questão.  Talvez essa pessoa faça linguistica de gabinete e não conheça a realidade. Basta conversar com os antigos de Castro Laboreiro, com pronuncia  galega e com os de Verin, de pronuncia “portugalense”, para se constatar a diferença. Segundo o Venancio, e estou de acordo, o galaico-português foi estabilisado hà cerca de  mil anos. Como pode a conquista romana fazer desaparecer as linguas indigenas e evoluir em menos de 400 anos para dar origem a uma lingua romanica? Se observarmos a toponimia, podemos verificar que hà uma linha toponimica entre a foz do Guadiana e a do rio Eo que atesta da existêcia de um limite territorial: Monforte, Monfortinho, Gudinha, Guadiana, Fronteira, Estremoz etc. Alguém pode afirmar que esta foi criada pelos romanos ou os estados que lhe sucederam?  A menos que houvesse um certo numero de estados federados com a mesma lingua e a mesma cultura a oeste desta linha, anteriores à época romana. E o que diz Estrabão: “Os turdulos tëm um lingua , historia,  leis e uma poesia escritas,  velhas de 6 000 anos.  Isto não teria impedido que cada região tivesse um dialecto um pouco diferente. E nesse sentido que é necessario interpretar a diferença do galego. A este proposito aconselho-lhe “No venimos del latin” de Carme Jimenez Huertas. Melhores saudações

  • Venâncio

    Abro uma excepção (prometi a mim próprio que nunca comentaria no PGL textos que não meus, após o vexame a que um dia fui aqui exposto) para dizer uma coisinha urgente a quem assina Valmar e outra ao Ângelo Cristóvão.

    Seria bom que Valmar não se pronunciasse com tamanho desembaraço sobre assuntos que, nitidamente, ultrapassam os seus conhecimentos. Neste caso, a linguística histórica do nosso idioma.

    Vou ser sucinto: muito antes de haver de Portugal sequer a sombra, já este idioma (sim, este em que aqui me exprimo) existia e estava consolidado. Não tinha nome, chamavam-lhe “romance” ou “linguagem”, mas todas as suas estruturas coincidiam com o que depois se chamou Galego. Simplificando, era a língua galega.

    Lamento muito, mas tenho a dizer-lhe que, se a sua dicotomia língua-dialecto vale aqui, eu estou a exprimir-me no meu, no nosso, dialecto do Galego.

    *

    Caro Ângelo, a tua insinuação da amizade, e cumplicidade, entre “isolacionistas” galegos e “anti-acordistas” portugueses é puramente demagógica. Seria igualmente demagógico trazer à baila a cumplicidade, e a amizade, entre o teu Clube e os confeccionadores do dito Acordo.

    O Acordo Ortográfico 1990 é um produto LINGUÍSTICO altamente deficiente. E é bom saberes que jamais houve um linguista, português, brasileiro ou outro, que viesse defendê-lo intrinsecamente, isto é, como produto LINGUÍSTICO. Exceptua-se, claro, o seu confeccionador-mor, que tu conheces bem. O AO90 é um produto POLÍTICO, sempre o foi. E, a partir de hoje, cheira definitivamente a petróleo.

    Sou decididamente a favor do acolhimento da Galiza em âmbitos internacionais que têm a língua portuguesa como razão, ou como pretexto. Mas eu, se fosse galego, pensaria vinte vezes antes de aspirar à entrada na petrolífera CPLP.

    • Venâncio

      Existem cinco ou seis estudos fundamentais sobre o AO90, entre eles alguns livros. Destaco os linguistas portugueses António Emiliano e Francisco Miguel Valada.

      Para informação sobre a génese e as implicações do AO90, pode ser útil esta leitura:

      https://app.box.com/shared/yk9zsbn529n1a1oy7ov5

    • Venâncio

      P.S. A quem possa interessar.

      O prof. Carlos Reis, da universidade de Coimbra, e bem conhecido em círculos galegos, mudou – desde há bem um ano – o seu discurso sobre a CPLP e a Lusofonia (duas designações que, não sem significado, ele deixou de usar). Perspicaz e informado, esse que já foi o maior ideólogo nessas matérias, viu com clareza a vacuidade (e o oportunismo) dos ditos empreendimentos.

      Seria bom que os galegos reintegracionistas, antes de se lançarem em entusiasmos e parcerias, e de neles comprometerem o seu nome, dessem exemplo de igual ponderação.

    • Miro Moman

      A padronização de qualquer língua é um produto político, sempre foi um produto político e sempre será um produto político. Um produto político artificial e imposto.

      O AO90 pode ser linguisticamente deficiente, mas, na minha opinião de não linguista, já era muito deficiente o chamado padrão de Lisboa e não digamos já o brasileiro.

      Qualquer modelo não etimológico sempre será deficiente num contexto internacional porque sempre será desagregador. Um tal padrão pode impor a homogeneidade e a uniformidade (sempre de forma artificiosa e ao serviço dum determinado projeto político) a escala nacional, mas para os que queremos usufruir do carácter internacional da nossa língua, seria muito melhor um modelo mais etimologista do tipo inglês (a respeito do grego e do latim, não, obviamente do saxão) ou francês.

      Mas como ninguém está a propor isso, só podemos adaptar-nos ao que há, com todas as suas deficiências. Entre um modelo local-chauvinista deficiente e um modelo internacional um bocadinho mais deficiente ainda, eu escolho o segundo. Se houver um modelo bom sobre a mesa, poderia haver debate. Mas não há.

      Finalmente, sim, a CPLP é uma comunidade de interesses económicos e dai que? Pôr o pão na mesa é a prioridade principal de qualquer ser humano assim que não vejo por que deveríamos negligenciar esse aspeto da vida ou falar disso como se for uma cousa suja. Não todos podemos (nem queremos) ser funcionários e já há galegos e portugueses a passar fome. Se o petróleo da CPLP lhes dá de comer, como lhes está a dar aos noruegueses e, se calhar no futuro, também aos escoceses, bem-vindo seja.

      Como dizem na Irlanda “Beggars can’t be choosers”. Quando o que está em jogo é a supervivência não podemos deter-nos a guerrear sobre o sexo dos anjos.

      • Venâncio

        É verdade: o AO90 veio destronar a Etimologia como primeiro critério da grafia do português, e pôr em seu lugar a Pronúncia (mais exactamente, a Pronúncia Culta). Em si, o destronar da Etimologia é um ganho: a ortografia não precisa de ser historicista. O problema é que uma reforma com a envergadura do AO90 trazia implicações que os seus promotores não quiseram, ou não souberam, ter em conta. E fizeram-no (eles, o português Malaca Casteleiro e, na trela dele, o brasileiro Houaiss) contra os pareceres (detidamente fundamentados, comm documentos de acesso público) de toda a restante comunidade linguística. Claro que a política, e não a linguística, comandou o precesso. Mas valer-se disso para relativizar a deficiência do produto é, desculpe, uma raciocínio muito ‘a posteriori’.

        Sempre será para mim um enigma verificar que os mais lutanizantes entre os reintegracionistas galegos andaram anos bradando por uma escrita ETIMOLÓGICA (os cafundós do PGL devem estar a ferver ainda), e, mal sobreveio este AO, passaram-se de armas e bagagens, e sem solução de continuidade, para a escrita NÃO-ETIMOLÓGICA. Seria caso para sugerirmos que esses lusitanizantes são, afinal, uns eminentes “políticos”, com todo o oportunismo que isso contém.

        Quanto à CPLP hoje descaradamente petrolífera: eu e muitos portugueses prefeririam passar um pouco de fome se isso aliviasse um nadinha os milhões de famintos da Guiné Equatorial. O que a CPLP fez, e com ela Portugal, foi dar dar o aval internacional e público a uma ditadura atroz.

  • Joám Lopes Facal

    Estimado professor Venâncio, como modesto interlocutor circunstancial nas disputas acerca da problemática linguística do galego, sem outro título de competência que o uso assíduo deste desde a minha infáncia (argumento que eu reputo decisivo) quero dar-lhe os parabéns pola desembaraçada coragem que exibe na defensa das suas conviçons, com as quais costumo identificar-me. É por esse motivo que nom podo concordar na penitência que se auto impom de proibir-se a intervençom sobre opinions alheias. Nom som estas precisamente as que permitem ponderar a solidez das próprias ?
    Aproveito para interferir amistosamente no debate, nunca alheio para mim quando se trata do idioma partilhado. O meu compromisso activo com a AGAL nom me impede manifestar a minha franca oposiçom simultánea tanto às teses isolacionistas como à norma AO, que parece congregar na actualidade a mainstream reintegracionista.
    As minhas razons da minha discrepáncia assentam em outra adicional, desta vez com Miro Momam. É verdade, como ele afirma, que qualquer padronizaçom é um produto político e sempre o será, porém, precisamente por isso, o critério de correcçom ou conveniência deve residir, na minha opiniom, em agir em pós da centralidade representativa rechaçando o perigo de identificaçom social com a extravagáncia dissidente. Devemos a tese a António Gramsci.
    A pugna pola hegemonia social, tam essencial na prática política. Nesta perspectiva, a norma primitiva AGAL é muito mais valiosa que as suas derivaçons posteriores, incluída a adesom à normativa AO, formato claramente anti-hegemónico em relaçom com a consciência social maioritária na Galiza.
    A propósito, somos muitos nesta beira do Minho pouco entusiastas com o termo “lusofonia” para designar a condiçom mundial do idioma comum, mas há algumha alternativa económica para designar o conceito? Portuguesia ou portuguesismo talvez? Saudaçons cordiais.

    • Venâncio

      Caro Joám,

      Enquanto não posso comentar o seu valioso contributo, deixo aqui um documento histórico: o depoimento dado sobre o AO por Sérgio de Carvalho Pachá, antigo lexicógrafo-mor da Academia Brasileira de Letras. Mostra como um projecto que dormia esquecido desde 1990 foi, dez anos depois, ressuscitado por um Presidente da Academia cioso de protagonismo.

      Ao mesmo tempo, revela como o académico Evanildo Bechara, então furiosamente anti-AO, se transforma em seu ardoroso apóstolo (como num Caminho de Damasco…), tendo mesmo ido – como sabemos – pregar aos Galegos.

      A entrevista é longa, mas basta ouvir de 7:00 a 12:50.

      http://www.youtube.com/watch?v=-_wIluG3yRs

    • Miro Moman

      Joám, eu não sou contra a norma AGAL. Acho que a norma AGAL é ótima e a mais adequada para consumo interno dentro da Galiza. Evidentemente, por motivos político-sociais, vistas as precárias particularidades da nossa situação, mais do que linguísticos (ainda que também).

      Mas para projetos com projeção internacional o lógico é cingirmo-nos à proposta mais abrangente que exista e não tormarmos partido por nenhum dos chauvinismos em pugna pelo ganho da hegemonia simbólica na “propriedade” da língua.

      Situação, dito seja de passagem, que não existe na hispanofonia, onde a RAE prescreve e as outras academias apenas acrescentam um bocadinho de “cor local”.

      • Venâncio

        Peço que não se ofenda, Miro, mas falar em «chauvinismos em pugna pelo ganho da hegemonia simbólica na “propriedade” da língua» (portuguesa, no caso) parece-me uma leitura tipicamente espanhola.

        Ou então é um interesse, um tanto despropositado, pelo alarido de marginais.

        Num caso ou no noutro, nós merecemos uma melhor atenção.

        • Venâncio

          Ajunto: existem na Net ‘grupos’ portugueses anti-AO furibundamente anti-brasileiros e patentemente racistas. Do lado brasileiro, o panorama não é melhor. É uma pena – é mesmo uma tragédia – que nos julguem por esta corja de bandidos.

        • Miro Moman

          Pois a mim parece-me uma descrição realista, mas a próxima vez prometo buscar uma expressão mais eufemística 😉

          • Venâncio

            Leia então o meu comentário aqui acima «Ajunto: existem…»

  • Ângelo Cristóvão

    O título inicial deste artigo remete para uma questão pendente de há décadas, um assunto sobre o que parece haver concordância entre as forças políticas galegas, parlamentares e extra: a entrada da Galiza na CPLP. Ou isso parece deduzir-se da aprovação unânime pelos deputados do Parlamento Galego, da lei 1/2014, Lei Paz-Andrade. Algo que era até há pouco tempo promovido só por entidades lusófonas galegas, agora também tem sustento jurídico-institucional. Claro que a entrada da Guiné Equatorial como membro de pleno direito modifica a visão da CPLP. Na minha opinião, isto não deve levar-nos a abandonar o projeto. Como se indica na lei citada, é um assunto estratégico para a Galiza.

    A questão agora é saber se o governo galego quer avançar neste caminho, quando, como e com quem.

  • Venâncio

    Caro Joám,

    Talvez não acredite, mas em nenhum lugar do mundo o AO suscitou, ou suscita, o entusiasmo que se observa em alguns galegos. Eu costumo atribuir essa fúria unitarista a um inconfessado, mas actuante, fundo espanhol. E porquê? Porque não conheço nenhum testemunho brasileiro, ou português, ou africano, que atinja a euforia pelo AO90 que se observa em certos galegos.

    Talvez Vc. ainda se lembre de que os únicos livros jamais impressos no abominado (e abominável) Acordo Ortográfico de 1986 foram da responsabilidade de galegos. Ainda hoje a expressão «escrever em Acordo» só sai de penas galegas. É, de resto, uma expressão sem sentido. Ele havia, há, e continuará a haver duas (de momento, duas) ortografias do português, a brasileira e a portuguesa. O AO90, se unificou alguns sectores da ortografia do Português, deixou outros sectores intocados, e – para cúmulo – criou novas diferenças, algumas delas importantes.

    O galego faria bem em conservar-se fora desta trapalhada, investindo num desenvolvimento informado e inteligente da Norma Agal, afinando o seu funcionamento na Galiza, e estimulando a circulação e a conservação de materiais galegos genuínos. Assim faz o Brasil, assim faz Portugal. Os galegos podem tirar proveito de muito do que o nosso idioma desenvolveu fora da Galiza, mas seria desvairado deixar perecer tanta expressividade que o uso corrente e geral soube conservar entre vós.

    Às vezes penso: um dia, portugueses e brasileiros reconhecerão que se exprimem no mesmo idioma que os galegos. Mas, nesse mesmo dia, hão-de pedir-vos contas do cuidado que não tivestes em conservá-lo como devíeis.

    • Miro Moman

      Formoso e emotivo discurso, caro Fernando. Infelizmente, a realidade é esta: O galego da Galiza vai desaparecer da face da Terra em poucas, muito poucas, gerações e ninguém no mundo se vai importar com isso.

      E menos ainda com se foi soterrado com roupagens espanholas, brasileiras, portuguesas ou nu pelado.

      • Venâncio

        Caro Edelmiro,

        Sou realista o suficiente, e acho-me informado que chegue, para ter de dar-lhe razão. Por este andar, o nosso idioma tem, na Galiza, os dias contados.

        Poderíamos alongar-nos sobre as culpas, mais as justas e injustas recriminações. Sobre a teimosia de todos ‒ todos ‒ os implicados, sobre a falta de vontade, de imaginação, de ‘golpe de asa’, de sorte, que também faz jeito… E, um dia, alguém há-de vir ‒ finalmente, mas tarde de mais ‒ com essa vontade, essa imaginação, esse passo, custoso e destemido, que teria podido mudar tudo, atalhando o que parecia, ou era mesmo, a fatalidade.

        Já tive oportunidade de propor-vos um passo assim. Ele é para mim perfeitamente lógico, pois aceito ‒ aceito verdadeiramente ‒ a unidade fundamental e essencial de galego e português. Isto é, existe um vastíssimo sistema linguístico, o Galego-Português, um sistema único, exclusivo, irredutível. Ele é tão diversificado que abarca todo o tipo de brasileiro, todo o tipo de português, todo o tipo de galego.

        Pois bem, o passo que muitas vezes propus, e de novo proponho, é que a AGAL faça saber, publicamente, unilateralmente, incondicionalmente, que considera TODO O TIPO DE GALEGO parte e pertença do Galego-Português.

        Não venhais, por favor, com a cantiga do galego “castelhanizado”. Sim, há muita contaminação do castelhano em muita expressão do galego actual. Mas eu já demonstrei (e para alguma coisa há-de valer o meu trabalho!) que também o português foi durante séculos, cerradamente, sistematicamente castelhanizado, e nesse estado se encontra hoje.

        Vós tendes aí, em toda a classe escrevente galega, gente que se exprime com uma genuinidade que envergonha qualquer português. Aceitai-o de uma vez por todas. Abandonai essa sobranceria, essa presunção dos ‘puros’, porque todos nós, todos, estamos longe de sermos puros.

        Haverá entre vós quem prefira a morte do galego antes que dar o passo que vos proponho. Tudo depende, pois, da AGAL, da sua convicção e da sua força.

        Um abraço.

        • Miro Moman

          Caro Fernando,

          Último comentário: Se a AGAL tiver nas suas mãos a solução do problema, acredita que há já décadas que estaria solucionado.

          Mas não é um problema linguístico. É um problema de estrutura socioeconómica e das instituições políticas e valores dela emanados.

          Agora, se tu sabes como mudar isso, ficarei à escuta. Se não, deixo o debate.

          Atenciosamente,

          Miro

          • Venâncio

            Miro, não entendeste bem. Eu não proponho a “solução”, proponho um ACTO DE CORAGEM, incondicional, valente, sem rede.

            Se é, ou não, “solução” de alguma coisa, saberemos depois. Mas uma coisa te garanto: do ponto de vista das relações entre vós, galegos, nada mais será como dantes.

          • Miro Moman

            Fernando, eu já propus o mesmo há anos:

            http://www.vieiros.com/columnas/opinion/1046/dualidade-onda-corpusculo

            Como muito, e sendo otimistas, uma tal declaração poderia servir para quebrar o gelo entre uma parte do reintegracionismo e uma parte do isolacionismo. Isso estaria bem, mas não solucionaria nenhum dos problemas de fundo.

            As disputas entre reintegratas e isolinos são guerras de rãs contra ratos que não têm qualquer relevância social.

            O isolacionismo, dito seja sem ânimo de ofender, é um sistema institucional totalmente dependente dos subsídios do Reino da Espanha e cuja influência social é mínima (incluso dentro do galeguismo) e minguando dia após dia. Observa que para não perder os subsídios tiveram que comprazer ao PP e conceder o Dia das Letras Galegas a um fascista.

            Agora que os subsídios estão a diminuir, a sua feble estrutura está a se esfarelar. Como o sistema cultural galego é inviável (não em termos absolutos, mas desde parâmetros convencionais) sem subsídios, o isolacionismo move peça:

            http://www.galiciaconfidencial.com/nova/20246.html

            Tarde, mal e forçados pela necessidade por fim nos damos conta de que somos quem de produzir conteúdos culturais em duas línguas internacionais (espanhol e português).

            Xeque-mate. O reintegracionismo já ganhou a batalha ideológica. O problema é que o galego continua a perder a batalha socioeconómica.

          • Venâncio

            Miro,

            Tu e eu exprimimo-nos na mesma língua, mas movemo-nos em universos mentais inteiramente diferentes, talvez mesmo irredutíveis. Eu faço uma proposta linguística («A AGAL declara todo o tipo de galego como pertencente ao Galego-Português») e tu vens com uma enxurrada de ponderações, decerto adequadas, mas que com o idioma-em-si pouco têm a ver.

            Li (na realidade, reli) o teu texto em Vieiros, e pergunto-me como é que tão grande discernimento pôde passar, entre vós, sem consequências observáveis.

            A minha proposta é LINGUÍSTICA. Trata-se duma mensagem pública da AGAL, que decorre, logicamente, da admissão do Galego-Português.

            Repara: há textos brasileiros mais distantes da minha norma do idioma do que muitos textos em galego “isolacionista”. Esquece a ortografia (que é sobretudo fetichismo, acredita!). O galego-português redigido em hierógifos seria, ainda, galego-português. É um sistema (repito-o) único, irerdutível, reconhecível num emaranhado de realizações imensamente diversas. Uma delas é o galego “isolacionista”.

            É só uma questão de reconhecê-lo. As consequências podem adivinhar-se. E se, por absurdo, não houvesse consequências? Pois teríeis feito aquilo que – melhor tarde do que nunca – deveria mesmo de ser feito.

          • Miro Moman

            Pois levas razão, Fernando. A mim, como não-linguista, não me interessa o idioma como constructo abstracto separado dos seus falantes.

            De resto, não é verdade que todos os que falem ou escrevam em galego estejam a falar ou escrever português.

            O galego, como língua sem estado, é um conceito muito elástico. Como não existem, como existem para as línguas com exército, critérios de correção coercivos (a coerção exerce-se na forma de discriminação socioeconómica para quem não se cingir ao standard imposto), acontece que a perceção social que existe hoje na Galiza é que qualquer um que empregue algumas palavrinhas galegas por cá e por lá já está a fala ou escrever em galego (e portanto em português).

            Isto quer dizer que há pessoas que quando falam ou escrevem galego, estão a falar ou escrever português (independentemente da norma ortográfica e o grau de correção) e há pessoas que quando falam ou escrevem num código linguístico que a sociedade galega identifica como galego estão na verdade a falar ou escrever espanhol.

            Então, dentro do portunhol que falamos e escrevemos todos os galegos, há muito que é essencialmente português, muito que é essencialmente espanhol, e muito que é difícil catalogar numa ou noutra categoria.

          • Venâncio

            Miro, eu reconheço o texto abaixo como escrito na minha língua. Talvez tu também. Mas, se não, gostaria de saber qual o motivo. A isto se chama, na nossa língua, tira-teimas.

            «Para colaborar nese proceso de construción dun galego máis auténtico e con futuro sae do prelo este libro, coa esperanza e co desexo de que sexa útil a tal fin. Con ese obxectivo quere incidirse nel en trazos esenciais para a preservación dun galego liberado de interferencias alleantes e con futuro: colocación tradicional e correcta dos pronomes átonos, uso do infinitivo flexionado, do infinitivo xerundial e do futuro de subxuntivo, eliminación da preposición ‘a’ con complemento directo, proscrición de marcas castelanizadoras como ‘bueno’, ‘pero’ e outros marcadores textuais e conversacionais foráneos, depuración do léxico etc. Porque teño o convencemento de que sen estes e outros trazos o galego fica tamén sen alma e igualmente sen futuro. Ou noutras palabras, muda a súa alma galega pola castelá, de modo que pode acabar por se converter nun español disfarzado de galego.

            «Historicamente este xa pasou por séculos de interferencia
            allea que afectou ou condicionou unha parte importante da súa evolución interna. Tal interferencia continuada foino afastando do seu primitivo tronco lingüístico para o aproximar cada vez máis do castelán. E parecen chegados os tempos en que ou esa aproximación se detén ou se corre o risco de traspasar a fronteira que os separa, pasando o galego a se converter no galego-castelán que temera o profesor Carvalho Calero e que finalmente acabaría por ser só castelán dialectal ou rexional. E que utilidade tería ese galego tan castelanizado que xa se transformase en castelán agalegado? Tería entón sentido investir recursos e esforzos na normalización dunha variante local da lingua oficial do Estado? E, sobre todo, sería iso posíbel vistas as dificultades actuais?»

            Depois direi quem é o autor, se for preciso.

          • Miro Moman

            Com efeito, isso é português. O qual não contradiz o que eu disse acima. O autor, ainda que isso não tem qualquer importância, imagino ser o Carlos Callón, licenciado em filologia galego-portuguesa.

          • Venâncio

            Bom, chamar ‘português’ a um texto indesmentivelmente galego é (‘sans blague’) um progresso. O autor não é o Carlos Callón, mas alguém ainda mais importante no contexto propriamente linguístico: o Freixeiro Mato.

            Ora bem, é exactamente isto que eu quero dizer. E, sendo assim, se for esperar demasiado que a Agal reconheça globalmente o galego “isolacionista” como pertencendo ao nosso idioma, posso pelo menos esperar que reconheça como pertencendo a ele o que escreve o Freixeiro Mato?

            Acredita: eu já abriria um Alvarinho se isso acontecesse.

          • Miro Moman

            Chegados a este ponto, acho estarmos na hora de desvendar um pequeno segredo: Esse texto do Freixeiro Mato está redigido numa normativa reintegracionista.

            Até 2003/2004 existiam na Galiza quatro propostas ortográficas:

            1.- A castelhano-isolacionista defendida pela RAG/IGL e Junta da Galiza.

            2.- O padrão de Lisboa (e posteriormente o AO).

            3.- A norma AGAL, também chamada reintegracionista “de máximos”.

            4.- E a norma AS-PG também chamada reintegracionista “de mínimos” ou, de maneira muito optimista, “normativa da concórdia”.

            O texto de Freixeiro Mato está redigido nesta última, que era a norma preferida por certos sectores do nacionalismo galego, nomeadamente os que giravam arredor do BNG (e antes da AN-PG) e na que se redigiam os livros e as publicações na órbita dessas organizações (o semanário A Nosa Terra, a revista Cerna, etc).

            Todas as normas com exceção da primeira eram consideradas incorretas e os textos, livros e jornais, nelas redigidos não recebiam subsídios públicos. Porém, perante a previsível chegada do nacionalismo galego ao governo da Junta, a RAG, as universidades e demais “chiringuitos” assimilaram as normas da AS-PG dentro das “oficiais”.

            Sempre sensíveis a qualquer risco de ver diminuir os subsídios, não podiam permitir que um dos partidos do governo redigisse textos oficiais numa normativa proscrita.

            Por isso agora são admitidas as soluções “rendíbel” e “rendibeis” (mas não “rendível” ou “rendíveis”) embora as formas preferidas continuem a ser as castelhanas.

            Curiosamente, a assimilação das normas “reintegracionistas” da AS-PG dentro das do ILG/RAG teve como consequência a sua queda em desuso. Ironicamente, agora que são admitidas “oficialmente” são empregues apenas por algumas “velhas glórias” do nacionalismo.

          • Venâncio

            Obrigado pelo relato histórico, que pode informar algum nosso leitor menos informado. Para mim, que acompanho as andanças doa ortografia do galego há quase 20 anos, não é um “pequeno segredo”, menos ainda um grande.

            Acontece que, quando te perguntei se o texto do Freixeiro (além de na minha) também estava escrito na tua língua, eu mantinha-me longe de preocupações ortográficas. Como te disse, a ‘boa’ ortografia é, fundamentalmente, um fetichismo. Queres um minúsculo exemplo? Só existe um idioma na Terra inteira, o nosso, que tem um certa doce maneira de exprimir a proximidade de dois indivíduos, e tanto faz grafá-la «juntinhos», ou «xuntiños», ou em caracteres árabes. Faço-me entender?

            A língua não está na ortografia. Está na estrutura. E as essenciais estruturas do galego e do português, as que os distinguem de qualquer outro idioma deste Planeta, são deles os dois.

            É por isso, caro amigo, que as vossas ‘liortas’ linguísticas são inadequadas, infundadas, de linguístico não têm nada, e ninguém de bom senso pode tomá-las a sério.

            E é nisto, nesta demência colectiva, que a AGAL poderia pôr ponto final, declarando que a nossa língua, escrita em que ortografia for, é a nossa língua. Sim, ponto final.

          • Miro Moman

            Já, e se tu és convidado para a ceia de gala dos reis da Holanda podes ir de smoking, podes ir com um fato de treino velho ou até podes ir nu.

            No primeiro caso serás admitido pelo pessoal de seguridade e nos outros dous não. Porém, em todos os casos serás exatamente a mesma pessoa, Fernando Venâncio.

            Podes explicar para eles que, afinal, o protocolo é uma simples convenção e que se te convidam deveriam aceitar-te tal qual és 😉

            Saúde,

            Miro

          • Venâncio

            Para tribuno político, tens um grande jeito. É o que quase todos sois: tribunos políticos. Ah, mas falais às turbas como linguistas!

            E as turbas exclamam: Ah, este fala bem!

          • Miro Moman

            Eu não sou nem uma coisa nem outra. Simplesmente tento analisar a situação da maneira mais objetiva da que sou capaz. Por isso sou bastante impopular entre todas as facções. E se não acreditas, pergunta por ai 😉

          • Venâncio

            Acredito inteiramente. Nem preciso de perguntar. Os ‘die-hards’ não devem apreciar as tuas aberturas ao centro…

            Mas não te recomendo que, quando alguém te fala da essencialidade das estruturas dum idioma, e quando afirma que elas, ELAS SÓ POR SI, são suficientes para declarar Galego e Português o mesmo idioma, tu faças como se eu não tivesse dito NADA DE IMPORTANTE, e venhas (outra vez!) com essa léria da ortografia como roupagem de gala, ou de nudez. Francamente!

            A ORTOGRAFIA NÃO É A LÍNGUA.
            A LÍNGUA NÃO É A ORTOGRAFIA.

            Agora consegue-se ler?

          • Miro Moman

            Último comentário: Já mas se, como já tentei explicar acima, boa parte dos galego-falantes falam e escrevem galego com as estruturas do espanhol, então que língua estão a falar/escrever?

          • Venâncio

            Último comentário: ninguém pode escrever galego com «AS ESTRUTURAS do espanhol». As estruturas do espanhol são umas, AS ESTRUTURAS DO GALEGO-PORTUGUÊS SÃO OUTRAS. Umas e outras são inconfundíveis, irredutíveis, DEFINEM LÍNGUAS. Isto é MIL VEZES mais importante, e decisivo, e convincente, do que todas essas lérias ortográficas em que vos perdeis.

          • Venâncio

            P.S.

            O ‘último comentário’ do Miro merece ser comentado melhor. Aquilo que “uma boa parte dos galegos-falantes” escreve ou diz é, decerto, deficiente, ao confundir a nossa língua com o castelhano. Mas uma OUTRA “boa parte” não o faz, mesmo que escreva em ortografia castelhana. Seria desejável que aqueles que, na Galiza, se exprimem na nossa língua deixassem de desclassificar-se mutuamente por razões ortográficas. A LINGUA non está na ortografía. A LÍNGUA não está na ortografia.

      • Joám Lopes Facal

        Venâncio, Miro, concordamos na visom. O galego é o nosso contributo ao idioma comum, com ossamenta gramatical sólida, como o português continental, e fonética clara e acessível como o brasileiro e o angolano. Além disso um molho (monlho dizemos os fisterráns conservando o “n” etimológico) de fonemas que nom devemos perder e umha rica expressividade, conservada ainda na fala popular e na
        tradiçom literária. Reabilitar o galego polo contacto íntimo com o português e promover sem trégua umha ortografia tam próxima da fala popular e do standard internacional como for possível (para qualquer persoa letrada, a ortografia portuguesa e brasileira som
        equivalentes) é a tarefa que nos convoca. A admissom nos organismos internacionais de defesa do idioma comum é um objectivo para o qual nom é preciso fazer merecimentos: somos parceiros natos. O problema reside em ocupar a nossa própria
        sociedade, umha tarefa árdua e eminentemente política, já em andamento. O PGL é um magnífico exemplo da compatibilidade de ambos imperativos. Só há que multiplicá-lo por mil.

  • Ângelo Cristóvão