Temos tudo

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Por José Ramom Pichel Campos

Quereria explicar porque temos tudo e afinal não temos nada ou vamos caminho de nada, ou também se poderia ver como que os outros a partir desse preciso instante teriam tudo.

Temos tudo porque partíamos de tanto, de tanto positivo, de tanto número, de grandes estatísticas a favor, de números que eram infalíveis, que sei eu o que é infalível, mas a mim e a todos pareciam-nos irrevogáveis, e a realidade parece que nunca atende à chamada das matemáticas, nem da lógica, a realidade é um fungo de bomba atómica, belo e imprevisível e até mortal, e que sabemos de fungos nem de bombas, mas parecia que tudo tínha- mos e parece que vamos caminho de o perder.

Com o das novas tecnologias começamos a acreditar que temos até mais, um alude de possibilidades de promocionar o que é nosso e também deles, mas nem sempre funcionam as máquinas para ajudar-nos a pensar que isto pode ir para adiante, às vezes a gente esquece que os computadores são espelhos dos humanos. Alguns mesmo acham que é possível mantérmo-nos no número que estamos, crendo que as cousas vão continuar assim até o fim do mundo, como se uma força divina sustem tudo, e sempre foi assim e assim será. O eterno debate entre pessoas que acreditam na estaticidade e aquelas que acreditam na história como um rio dinâmico.

E tudo isto vem porque os inquéritos da língua são esmagadores, a juventude das cidades, dos arredores das cidades, dos arredores dos arredores das cidades já não falam o nosso idioma.

Dos que o falam cada vez tem pior qualidade. Traduzindo, os que falam castelhano cada vez falam um castelhano mais standard, os que falamos galego cada vez falamos um crioulo galego-castelhano.

Tínhamos uma população que falava maioritariamente em galego, e a língua com mais possibilidades de sobrevivência face ao euskera e ao catalão, tendo em conta que é um sabor duma língua internacional conhecida como português, que tem os sabores galego, português, brasileiro, angolano, moçambicano, timorense etc.

Por que tanto medo a passar do discurso das potencialidades do galego aos fatos? Podemos negar-lhe essa potencialidade às novas gerações?

Por que avançamos em tantos campos do saber e tão pouco em usar uma nova estratégia de fundo para o nosso idioma? Por que um aluno dum liceu da Galiza não sabe que no Brasil falam uma variedade da sua língua

Afinal é como seguir a usar um computador spectrum quando temos acesso a computadores mais potentes. Porque senhores e senhoras dos discursos: temos tudo.


(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.