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Susana Sánchez Arins: «Nom sou umha mártir: fago escolhas e escolho o reintegracionismo»

PGL – Na passada semana soubemos que a arouçana/estradense Susana Sánchez Arins resultou ganhadora do certame poético Xosé María Pérez Parallé 2008 mercê a obra [de]construçom.

A sua escolha ortográfica (ela é reintegracionista) centrou boa parte dos comentários sobre a eleiçom desta autora como premiada, mesmo acima do referente à qualidade do poemário. Do PGL quigemos falar com ela sobre as suas impressons a respeito disto, mas também pretendemos conhecê-la um bocadinho mais.

— Em determinados lugares tem-se falado mais da questom da norma do que da qualidade do teu poemário, mas tendo em conta a situaçom do nosso idioma, imagino que tampouco és indiferente a esse debate…

Como para falar da qualidade havedes de aguardar à ediçom do livro, pois é em parte normal que o debate tirasse para outras margens, margens que eu também habito. É evidente que a questom da língua nom me é indiferente desde o momento em que me posiciono fazendo a escolha normativa que fago. Porque eu figem umha escolha consciente dumha norma que achega galego e português e que faz de mim e daquilo que escrevo parte da galeguia.

— O facto de o júri ter aceite para o concurso (e nom digamos já declará-la ganhadora!) umha obra redigida em galego reintegracionista em pé de igualdade com trabalhos escritos na norma oficialista, é um sintoma de normalidade, de reconhecer a nossa opçom como igual de galega?

As bases do certame exigiam o uso da língua galega, mas eram das poucas que nom especificavam que a norma tivesse que ser a ILG-RAG. Nom sei até que ponto é a eleiçom do meu poemário um sintoma de normalidade ou umha evidência de que as pessoas que integrárom o júri tenhem umha mentalidade aberta. Pensaria mais no segundo que no primeiro, porém também é certo que nom meu ambiente próximo muita gente que nom acredita no reintegracionismo tam-pouco mostrou estranheza ou escândalo porque me deram o prémio.

— No teu próprio blogue, Dedos como Vermes, nom és indiferente da interpretaçom que tivo umha frase para Vieiros, sobre se o reintegracionismo abre ou fecha portas… gostarias de esclarecer mais o significado dessas palavras?

Quando eu comentei com o redactor de Vieiros que o reintegracionismo fechava portas tinha mui clara a dimensom espaço-temporal em que me situava: aqui, na Galiza, e agora, nestes tempos. Penso que isto é certo vendo a minha situaçom no sistema literário: escritora novel que quer abrir-se caminho. Sem entrar em questons de qualidade, é evidente que o teria muito mais fácil se escrevesse em ILG-RAG. Mas nom sou umha mártir, como também lim por aí, porque nom fago renunciamentos, mas escolhas: eu escolho reintegracionismo. Penso que a longo prazo será o melhor para o galego (e para mim) pois o abre a todo um mundo ao que agora está a dar-lhe as costas.

— Voltando para o artístico, quais som as tuas sensaçons após ganhares um prémio do prestígio do Pérez Parallé?

Agora mesmo sofro de um subidom de soberba que é preciso reduzir com urgência… Tenho a sensaçom do objectivo cumprido: apetecia-me publicar, nom sabia como; pensava que o livro valia a pena, como demonstrá-lo? Ganhar o certame arranja ambas as cousas. Agora venhem os medos às críticas e como as levarei, e isso de andar à vista da gente, porque sempre fui mui pudorosa com o que escrevo.

— Ainda que qualquer pessoa poda achegar-se aos poemas (soltos) no teu blogue, poderias-nos contar um pouco de que trata esta obra?

O fio condutor da obra é a construçom de umha casa. Ao redor desse andaime estruturam-se as fases em forma de partes temáticas: o achado do lugar, a planificaçom, os materiais, as estâncias, a mobília e o alboroque. O resultado final é a criaçom de um espaço íntimo mas que a um tempo nom pode evitar estar no mundo: há fogar, há mátria, mas também há encontro com o outro, com aquelas tantas pessoas que nom tenhem casa.

— Sabes já quando é que Espiral Maior editará [de]construçom?

Nom sei nada. Só falei com o júri o dia que me comunicárom a nova e fum chamada para o dia 22, que é a entrega do prémio, para falarmos das questons editoriais.

— E por certo, sobre [de]construçom, “ceci est un livre” ou “ceci n’est pas un livre“?

Fazedes referência à polémica que houvo com Eduardo Estévez… [de]construçom é um livro. Dedos como Vermes nom o é. Penso que um dos elementos que lhe dam qualidade ao poemário é a estrutura que o conforma e que vos expliquei acima. Há um conjunto em que cada poema se explica polo texto em si, polos textos que o envoltam e pola ordem de leitura. No blogue cada post é um poema independiente dos anteriores que, em troca, tem relaçom com umha imagem ou com umha ligaçom que podo acrescentar. Penso que som modos diferentes de conceber a leitura, ambos legítimos, por suposto.

 

Ficha

Chamo-me: Susana Sánchez Arins

Nascim em: Vila Garcia de Arouça (mas sou estrandense de criança)

Ano: 1974 (perto da Revoluçom dos Cravos)

Resido: na Ilha de Arouça, onde ponho escola

 

Recomendaçons

  • Um sítio web: Gosto muito do blogue, com páginas diversas associadas, Tan Gallego como el Gazpacho. Gosto porque exerce o tipo de luita com o que me identifico: a libertaçom pola retranca. Fai o humor e nom a guerra.
  • Um invento: Vou-me pôr feminista: a lavadora, essa grande esquecida (mas se fago caso de Carmem da Quenlha, a nossa vizinha de 87 anos: a máquina de picar a carne para os chouriços).
  • Umha música: Escuito música por arroutadas. Descubro um cantor, um estilo e nom o abandono até que o memorizo. A arroutada destes últimos messes é umha cantora mexicana: Lila Downs. Recolhe em cada trabalho toda a diversidade cultural do seu país.
  • Um livro: Passa-me igual que com a música. Umhas leituras levam a outras e vou esgotando os autores. Nestes últimos tempos ando a ler a obra completa de Ryszard Kapuscinski, reporteiro polaco. E dele, o livro do que mais gostei, até agora, é Mais um dia com vida, crónica da independência de Angola. É impressionante o capítulo no que descreve a Luanda enacaixotada para a fugida.

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