Sociedade do conhecimento?

Partilhar

Por José Ramom Pichel Campos

Cada vez que vejo em diários oficiais de províncias, nos diários oficiais das comunidades autónomas e até no boletim oficial do Estado o custo dos concursos públicos assinados para fazer pistas de grava (areia e pedrinhas pequenas) fico sempre espantado do importe final, muitas vezes sem baixar dos duzentos mil euros. Ao contrário do importe dos concursos públicos para a tecnologia, para projetos dum grande impato social a maior parte das vezes, para projetos que se supõem estratégicos para a optimizar o serviço aos cidadãos. Que mais tem que se diga que estamos ou vamos cara a sociedade do conhecimento quando se apoia economicamente à sociedade do cimento.

Conheço muitas pessoas com nomes e apelidos que estão a trabalhar nas Universidades com bolsas de postdoutoramento em condições muito por debaixo de qualquer trabalhador não especializado, sem desemprego, trabalhando fins-de-semana incluídos, dedicando mais de 9 horas diárias para poder publicar, e por se isto for pouco, sem ter claro que espera a Universidade deles e sobretudo se vão poder ter contratos dignos.

Conheço muita gente que está a trabalhar em tecnologia fora em Madrid, Barcelona sobretudo e no resto da Europa tendo também trabalhos precários, com uns curriculuns para a sua idade espetaculares, com uma experiência em trabalhar em centros ponteiros, aprendendo que graças ao galego-português e ao espanhol têm mais oportunidades que a maior parte dos seus colegas do Estado, e no entanto que têm probabilidades zero de voltar cá a ter contratos indefinidos (já sem pedir igualdade salarial ou proporcional ao que cobram fora).

Para quando um compromisso entre todos os partidos políticos galegos para que Galiza seja vanguarda tecnológica em 25 anos? Por que Galiza não pode ser um lugar do mundo onde para além de jantar bem, e ter praias espetaculares, fazemos tecnologia excelente? O nosso futuro é viver do turismo?

Precisamos decisões estratégicas, temos muitas capacidades, dous idiomas internacionais, galego e espanhol, há que incorporar o inglês, temos empresas tecnológicas de referência, temos centros de supercomputaçao referenciais, centros de I+D públicos e privados magníficos, organizações, um potencial humano interno que não dever ir embora e externo que deveria voltar. Só precisamos acordos, e estratégia desde o setor público que pagamos todos clara. Provavelmente com isto deixaremos a sociedade do cimento que parece que é o prioritário, coitadinhos eles.

 


(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.