Por José Ramom Pichel Campos
Sempre pensei que somos uns híbridos, com a experiência de diferentes frentes e origens. As pessoas que habitam nas cidades a quantas gerações estão do rural? Rural e cidade combinados numa mesma pessoa. A nossa educação às vezes metade de ensino público e privado, a nossa família que vem de toda parte, um 25% do Aragão de Teruel, que já existia, um 75% galego da Terra de montes, mais adiante de Terra de Montes e Vigo, quer dizer galego-falantes quer dizer castelhano parlantes. Os habitantes da Galiza somos chicanos e chicanas, seres híbridos e biónicos. Parece que os sistemas híbridos são os que melhor têm perspetiva do mundo, à diferença dos puros, que sempre falham no que falham e outra vaca no milho.
Isto ocorre por exemplo com a tradução automática, dividida entre duas estratégias, a RBMT baseada em dicionários que funciona bastante bem para línguas próximas e a SMT baseada em corpus que funciona bastante bem para línguas distantes, simplificando como é lógico estou. Mas agora viu-se que seria fantástico hibridar as duas tecnologias e construir tradutores automáticos que valham quer para línguas próximas quer para línguas distantes. Os chamados sistemas de tradução automática híbridos ou Hybrid Machine Translation (HMT).
O ano de 2009 tem sido muito produtivo nesta nova aproximação, e por exemplo a gigante Systran apresentou em 3 de junho de 2009 Systran Enterprise Server 7, o primeiro sistemas híbrido da multinacional, antes em Março a empresa AppTek realizou e finalizou um sistema híbrido de tradução automática, realmente o primeiro destas características comercial, uma integração completa das estratégias de tradução automática baseado em regras ou RBMT e também a estratégia estatística ou a chamada SMT.
Os sistemas baseados em regras centram a sua potência no conhecimento linguístico, mas este nunca é completo de tudo, e quanto mais conhecimento mais lento funciona o sistema. Também quanta mais distância entre as línguas é mais complexa a transferência sintático-semântica. Pola contra os sistemas estatísticos usam as probabilidades que extraem a partir de traduções humanas, quanto mais corpus melhor funcionam (em teoria) mas mais lentos vão. E chegam a um ponto que se estabilizam. Por isso era inevitável a conclusão de que os sistemas híbridos eram precisos, e com eles essa amplitude do mundo, essa complexidade de que nem tudo é lógico, a linguagem humana como os humanos todos híbridos é tão fascinantemente misteriosa.
(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.
