Segundo volume de trilogia sobre a escravidão é lançado no Brasil



Dando sequência à trilogia iniciada em 2019, o escritor Laurentino Gomes lançou o segundo volume de Escravidão, pela Globo Livros.

escravidaoEscravidão – Da corrida do ouro em Minas Gerais até a chegada da corte de Dom João ao Brasil concentra-se no século XVIII, auge do tráfico negreiro no Atlântico, motivado pela descoberta das minas de ouro e diamantes em território brasileiro e pela disseminação, em outras regiões da América, do cultivo de cana-de-açúcar, arroz, tabaco, algodão e outras lavouras e atividades de uso intensivo de mão-de-obra africana escravizada.
É também um período marcado por importantes rupturas e transformações ocorridas no universo dos brancos, como a independência dos Estados Unidos, a Conjuração Mineira, a Revolução Francesa, a Revolução Industrial e o nascimento do abolicionismo na Inglaterra.
Laurentino Gomes explica que há uma importante mudança na geografia do primeiro para o segundo volume: “O livro anterior teve seu foco principal na África, pelo simples motivo de que, para estudar a escravidão, é preciso sempre começar pela África. Este volume tem como cenário o Brasil, que se tornaria no século XVIII o maior território escravista do hemisfério ocidental”.

Um tema importante neste segundo volume da trilogia trata das incontáveis contribuições dos africanos para a construção do Brasil.

“No espaço de apenas cem anos, mais de dois milhões de homens e mulheres escravizados chegaram aos portos brasileiros. Todas as atividades do Brasil colonial dependiam do sangue e do sofrimento de negros cativos. Entre outros aspectos, procuro descrever a violência e as formas de trabalho no cativeiro, a família escrava, as irmandades e práticas religiosas, o papel das mulheres, as fugas, revoltas e formação de quilombos e outras formas de resistência contra o regime escravista”, completa Gomes.
Com mais de 500 páginas e 31 capítulos ricamente ilustrados com imagens, mapas e tabelas, o segundo volume de Escravidão segue o estilo do livro anterior, caracterizado por um texto jornalístico fluido de leitura acessível, e reúne na forma de ensaios as observações e conclusões do autor ao longo de mais de seis anos de pesquisas.
Um tema importante neste segundo volume da trilogia trata das incontáveis contribuições dos africanos para a construção do Brasil. Essas contribuições foram realizadas por uma legião de anônimos, de negras, negros ou mestiços, descendente de africanos escravizados, e, certamente foram os trabalhadores responsáveis pela descoberta, no século 17, das riquezas e do ouro no estado de Minas Gerais.

O preconceito continua vivo

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Laurentino Gomes em Diamantina, Minas Gerais, cidade fundada em 1713 como Arraial do Tijuco, em frente a casa de Chica da Silva.

O autor Laurentino Gomes, ao ser questionado sobre o racismo no Brasil, em entrevista para o correspondente Edson Cadette, da Agência de Notícias Afropress, afirmou: “O preconceito é uma das marcas das nossas relações sociais no Brasil, embora sempre procuremos disfarçá-lo com os mitos de que seríamos uma grande e exemplar ‘democracia racial’ e que a escravidão entre nós teria sido mais branca, patriarcal e tolerante do que eu outros territórios da América. Tudo isso é ilusório e desmentido pelas estatísticas, que mostram um fosso enorme de desigualdade entre negros e brancos no país em todos os itens analisados”.
O Brasil ainda precisa enfrentar de forma corajosa e decisiva o problema da desigualdade social e da violência decorrente do racismo e no Brasil.
Um dos exemplos da dificuldade em tratar do tema é a inexistência de um museu nacional da escravidão, que possibilite que toda a sociedade conheça, reflita e estude o tema e seus desdobramentos.
E, dando início a internacionalização da obra, no mês de junho, Escravidão I: do primeiro leilão de cativos em Portugal até a morte de Zumbi dos Palmares foi lançado em Portugal pela Editora Porto.

Sobre o autor

Laurentino Gomes é paranaense de Maringá e sete vezes ganhador do Prêmio Jabuti de Literatura. É autor dos best-sellers 1808, sobre a fuga da corte portuguesa de dom João para o Rio de Janeiro (eleito Melhor Ensaio de 2008 pela Academia Brasileira de Letras); 1822, sobre a Independência do Brasil; e 1889, sobre a Proclamação da República, além de
O caminho do peregrino, em coautoria com Osmar Luduvico da Silva – todos publicados pela Globo Livros. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná, com pós-graduação em Administração pela Universidade de São Paulo, é titular da cadeira de número dezoito da Academia Paranaense de Letras.

“Tudo que já fomos no passado, o que somos hoje e o que seremos no futuro tem a ver com as nossas raízes africanas e a forma como nos relacionamos com elas. Fomos a maior sociedade escravista do Hemisfério Ocidental por mais de trezentos anos. Quarenta por cento de todos os doze milhões de cativos africanos trazidos para as Américas tiveram como destino o Brasil. Portanto, sem estudar a escravidão seria impossível entender o que somos hoje e também o que pretendemos ser no futuro” – Laurentino Gomes

José Carlos da Silva

Desde 2008, José Carlos da Silva é correspondente do PGL no Brasil. Residente em Campinas (São Paulo), acredita que para a Galiza "Não existe paixão fora do Reintegracionismo." É periodista, produtor de conteúdo e revisor. Escreve contos, poemas e divagações, mas ainda não publicou livros.


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