Robôs e investigadores galegos

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Por José Ramom Pichel Campos

No mundo atual sem investigadores e investigadoras que gerem conhecimento ou recursos, a sociedade galega não vai ter hipótese de melhorar economicamente. Qualquer trabalhador da investigação precisa confiança por parte dos contratantes no seu labor. Para dar confiança, a nossa sociedade deve apostar por contratos indefinidos para os que mais sabem. De onde cremos que saíram os computadores e a Internet? De contratos com estabilidade.

Mas falemos do Karel Capek. Este escritor checo é considerado o inventor da palavra Robô, palavra que tem a ver com trabalho exercido de forma ansiosa. Na sua obra R.U.R, os robôs -máquinas criadas polo cientista Rossum- eram muito inteligentes e ativos mas sem sentimentos. Na obra, o cientista desenvolve uma substancia semelhante ao protoplasma, que servia como material para fazer humanoides obedientes, capazes de fazer o trabalho físico.

Estes robôs na realidade foram desenhados para substituir as pessoas nos trabalhos mais penosos. A medida que avança o livro, os robôs desenvolvem mais trabalhos e as pessoas muitos menos, o que traz consigo que homens e mulheres acabam por ser prescindíveis. Não por acaso, os robôs sem sentimentos decidem eliminá-los.

Na obra literária dos sistemas públicos de investigação, os investigadores são os robôs que sabem o que é dedicar horas e horas a investigar e de ceder esse conhecimento à sociedade, numas condições nas que poucos trabalhadores estariam dispostos a aguentar.

Além disso, o mais preocupante é que nas nossas sociedades permitimos-nos o luxo de fazer que as pessoas com os melhores curriculuns sejam as que piores contratos têm. Falta uma visão social da importância do labor de todas estas pessoas. Sem elas, sem o que investigam, só poderemos ser súbditos de outros países do mundo. Investigar é trabalhar.

O que esta gente pede, e o que todos deveríamos pedir com eles é contratos indefinidos para poder continuar a aprender, a criar, a a descobrir para todos, fazendo que a vida de todos nós melhore cada vez mais.

No mundo tecnológico por exemplo, sem investigação não haveria nada do que existe diariamente na nossa vida. Alguém pode acreditar que nas universidades americanas a gente trabalha sem contratos estáveis? Se queremos aproveitar-nos do conhecimento enorme gerado em Universidades e Centros de investigação públicos galegos que pagamos todos e todas, devemos pedir já agora, simplesmente contratos indefinidos para os seus investigadores. Ganhamos todos.

 


(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.