Reter o alento

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Por José Ramom Pichel Campos

Sempre fiquei espantado com a lei do esforço invertido, que às vezes chamo Lei da retrocessão. Quando tentas permanecer na superfície da água, mergulhas-te. Quando tratas de mergulhar-te, pareces uma bolha. O qual fai pensar de seguida num provérbio muito antigo e ao qual se lhe fai muito pouco caso: Quem queira salvar a sua alma, a perderá. Quem se justificar, não convence. Para conhecer a verdade há que libertar-se do conhecimento.

Não há nada mais poderoso e criativo que o vazio, do que as pessoas fogem. Tudo isto, não o digo eu, mas Alan Watts no livro The wisdom of the insecurity com um subtítulo chamado Mensagem para uma era da ansiedade.

Alan Watts foi um filósofo britânico que foi um dos grandes sábios que popularizou o pensamento e as tradições religiosas orientais em Ocidente.

Este livro foi escrito na década dos anos 50 nos Estados Unidos e que atual é. Há muito talento no setor TIC na Galiza, há muito talento no mundo. Quanto mais me relaciono com pessoas mais o vejo, e o que é ainda mais sugestivo, mais o sinto. Bolas de faiscas no ar quando uma ideia é boa, a sensação de campos abertos, e correr não se sabe cara onde, e ai está a vantagem.

Internet demonstra-nos que há muitas ganas, muita paixão, mas também que há gente que concebe o mundo como o seu couto onde habitam bestas ou servidores. E no fundo, todos temos essa dupla, tripla e poliédrica personalidade de paixão polo serviço por acima do resto, e de serviço à paixão por acima do resto.

Alemanha leva aos engenheiros da península a baixos preços para fazer ainda mais rica a sua indústria. Que credibilidade têm agora esses relatórios que diziam que a universidade espanhola era regular? Os governos estão contentes, o dinheiro que administram não é deles. Aqui os governos fazem planos para obter o talento de fora, para gente que virá e de contrato por obra em contrato por obra e tiro porque me toca. Alguém fai números neste lugar do mundo? Alguém tem um mínimo de orgulho?

Sem Investigação, Desenvolvimento e Inovação (I+D+i) não há futuro para a gente das nossas universidades e das nossas empresas nem no setor tecnológico nem em qualquer setor. Sem formar às pessoas em que é preciso gerar empresas aqui e agora, o nosso lugar do mundo está condenado a que os mais formados se vaiam para enriquecer a outros. Por isso seria interessante que os políticos de cortar e colar, leiam mais ao Alan Watts: quanto mais querem trazer o talento, mais os demais retemos o alento.

(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.