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Ramón Lorenzo, co-fundador do ILG: «Para ter umha língua de mais habitantes temos o castelhano, que o sabemos falar melhor»

Maria E. – O suplemento Nordesía que acompanhou o Diario de Ferrol do passado dia 22 de maio inclui na página 3 umha alargada entrevista com o filólogo Ramón Lorenzo, co-fundador do ILG, instituiçom que em 2011 cumpre 40 anos, e académico da RAG. O ódio ao reintegracionismo e a Carvalho Calero centram a conversa com ele.

Para Lorenzo, questons como o surgimento de propostas alternativas à ILG-RAG fôrom algo «terrível» para o ensino da língua. Do mesmo modo, qualifica de «terrorífico» um cenário hipotético com um achegamento maior ao reintegracionismo do que a leve reforma adoptada em 2003.

Precisamente, sobre as sucessivas mudanças da proposta lingüística ILG-RAG, o filólogo explica que «o último que se fizo foi chegar a um consenso com anormativa do BNG», mas «nem todo o mundo a pratica porque depois, quando falam, e alguns mesmo quando escrevem, continuam a utilizar as mesmas palavras em português que utilizavam antes, quer dizer, tampouco admitem a norma como é».

Quanto ao número de falantes do galego e ao universo que se abre com a plena adopçom do reintegracionismo, Lorenzo desqualifica a opçom nos seguintes termos. «Também dizem que de outra maneira [com o reintegracionismo] teríamos umha língua com nom sei quantos milhons de habitantes, mas isso é absurdo porque para ter umha língua de mais habitantes temos o castelhano que, ademais, sabemo-lo falar melhor».

Norma castelhana, por pedagogia

Lorenzo também deita umha olhada atrás ao surgimento da proposta ILG-RAG, que acabaria por ser defendida desde o poder autonómico. Na sua opiniom, à hora de criar umha norma «tem que funcionar a pedagogia». Segundo explica, quando elaborárom as Normas Ortográficas e Morfolóxicas do Idioma Galego (NOMIG), «que mais nos tinha pôr um hífen entre o pronome ou o verbo ou nom pôr? que mais nos tinha pôr o acento em “diário” e nom em “dia”?».

Poderia-se ter seguido um critério tal, mas «o que nom poderíamos nunca fazer é que aos rapazes de 6 ou 7 anos, quando começam a aprender gramática, na aula de galego se lhes diga que “dia” nom leva acento e que “diário” sim, quando em castelhano se lhes diz todo o contrário», seria, para o filólogo, «pedagogicamente absurdo».

Destas declaraçons pode-se desprender que para Lorenzo também é «pedagogicamente absurdo» o processo normativizador —e normalizador— catalám, por sinal mais frutífero que o galego, em que se dam precisamente muitas das dualidades que critica o co-fundador do ILG. A modo de exemplos, “dia” [CAT] face a “día” [ES], “estratègia” [CAT] face a “estrategia” [ES], “ambulància” [CAT] face a “ambulancia” [ES], entre muitas outras.

Contra Carvalho Calero

Já acerca da sua faceta como membro da Real Academia Galega, Lorenzo é questionado pola reiterada negativa da instituiçom académica a lhe negar um Dia das Letras a Ricardo Carvalho Calero, mesmo apesar dos notáveis apoios populares e até políticos. O próprio entrevistador sugere que Lorenzo é, precisamente, um dos que vetam tal dedicatória.

Como resposta, Lorenzo limita-se a dizer que «suponho que algumha vez lhe tocará», e a seguir indica que «a quantidade de homenagens que lhe fizérom [os movimentos sociais] já está bem, nom se pode queixar».

Depois reconhece que, com efeito, «eu sou contra de que se lhe dê o Dia das Letras Galegas porque há que ver o mal que lhe fizo este homem à língua. É isso que nom se quer ver. […] é o culpável deste tremendo problema que tivemos com o galego», sentencia Lorenzo.

 

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