Por José Ramom Pichel Campos
A gente que estudou em colégios religiosos parte ou toda a sua vida académica sabe da importância da paciência, para tudo, para a vida, para a política, para os projetos científicos.
Por isso nas aulas de filosofia estudou-se em detalhe o Platonismo e também o Kantismo. Platão aquele de várias ferramentas para entender o mundo, para entender o ser humano, criador de grande parte do corpus teórico de muitas das crenças principais dos ocidentais/ /que somos, termos como a noção da verdade e a divisão entre “doxa” (as opiniões) para além da “episteme” (a ciência)*.*
Kant acreditava que devia criar um compromisso entre os empiristas e os racionalistas. Kant era um homem de síntese, que acreditava que a força provavelmente esteja no meio. Os empiristas achavam que o conhecimento se adquire através unicamente da experiência, por enquanto os racionalistas mantinham que tal conhecimento só pode ser fornecido através da razão.
Por tanto, é claro que o mundo não é tao evidente, nem funciona na maior parte das questões importantes por processamento simbólico. No entanto funciona para que a humanidade chegara a construir computadores, as máquinas lógicas por excelência. Mas não vale para descrever a beleza, para trabalhar desde o amor e para o amor, para praticar a alegria, para entender as cousas que sucedem. A vida estoura, sem mais. Não é preciso perguntar-se os porquês?. Diz um engenheiro aeronáutico e teólogo jesuíta português, que nunca é preciso perguntar-se os porquês nas crises, mas sobretudo há que perguntar-se os para quês?
Em grandes empresas de tecnologia informática quando um ou uma diretiva que tem a responsabilidade de lançar um produto erra, automaticamente sobe na hierarquia de responsabilidades. A questão é simples, para quê desaproveitar a experiência do fracasso?, mais do que nunca essa pessoa sabe quais fôrom os erros cometidos. Como se diz, “quando Deus fecha uma porta, abre uma janela”. As crises são boas para crescer, para tomar as cousas com filosofia, e para tomar com humor o surrealismo vital que nos rodeia. Só desde o humor, a paciência, e reaproveitando a experiência dos fracassos é que poderemos sobreviver. Estamos num momento na Galiza de crise económica e de crise ideológica na banda esquerda.
Conta um professor de filosofia amigo duns amigos, que quando pujo um exame de filosofia com a seguinte pergunta ?1. Platão?. A resposta dum aluno começava por ?Platão era quando?. Pois isso, até a filosofia é questão de tempo.
(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.
