Processo indutivo

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Por José Ramom Pichel Campos

Quando um vê para o seu redor, às vezes cai na tentação de crer que o mundo é igual que ele, as reações face os acontecimentos iguais, mesmo um poderia atrever-se a acreditar que todos habitamos o mesmo plano, mas nem assim a cousa é certa. Cada um tem os seus lugares da infância, os seus utensílios para morar no dia a dia, a capacidade de aceitar as lembranças, reconciliar-se com o presente, andar em bicicleta e ver paisagens.

Existe dous jeitos de enfrentar-se logicamente a um problema. Usar a dedução, isto é, a partir duns fatos experimentais tomar uma conclusão deduzida dos fatos mesmos. E outra forma é a indução, isto é, a partir duns exemplos, mesmo a partir do segundo exemplo, conseguir uma conclusão geral sobre ele. Algo assim como pensar que como existe um palestino que lança morteiros, todos os palestinos lançam morteiros, ou que como os ultraortodoxos judeus levam o cabelo crecho, todos os do cabelo crecho são ultraortodoxos.

Por isso agora com o massacre de Gaza, sabemos que a imprensa não é neutral, que usa a indução só para um lado, quando lhe convir, que não lhe chama as cousas tal como são, disfarçam tudo de guerra, ou no melhor dos casos como se por Palestina passasse um furacão, falam duma autêntica malheira como de igual a igual, mas onde se virom os tanques palestinos? ou os F16 de Hamas? Os meninhos e meninhas palestinos são torpedos lançados por submarinos? Quantos tranqüilizantes tomam os doutores para atender tanta burrada? Por que Europa lhe tem tanto medo ao Estado de Israel?

É nesse instante, após tanta pergunta que um se maravilha não que o governo israelita continue desde o 1948 a fazer o que lhe dê a gana, esse respeitar que dim pola ONU, o que realmente é horrível é ver toda essa gente que vive conosco, ao nosso lado, que retransmite por jornal, por ondas hertzianas, por ondas catódicas, que tudo isto é em autodefesa, que está justificado, que condenar esta animalada em nome da civilização é estar em contra do povo judeu, que chamar-lhes animais é ser antisemita, que o fato de ser uma democracia parlamentária já lhes dá direito a massacrar. Posicionar-se em contra de A é estar a favor de B? O binarismo espanhol sempre presente.

Por isso, ante mais uma barbárie, o pior é ter que conviver com gente que justifica Israel, só em nome da sua lógica que neste caso não aplica: a indução.


(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.