PGL – Representantes da cultura galega apresentárom recentemente o projeto Terra da Fraternidade. Prepara-se um Festival multidisciplinar e auto-gerido em Compostela para 10 de maio, coincidindo com o 40º aniversário da estreia do “Grândola, vila morena” na capital galega.
A 2 de agosto de 1929 nascia na Freguesia da Glória, em Aveiro, José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, ao quem todos conhecemos como o ‘Zeca’ Afonso. Nom foi até o seu quarto LP “Cantigas de Maio”, publicado em 1971, que sai à luz a sua cançom mais emblemática “Grândola, vila Morena”. Concerto após concerto, enquanto madurava progressivamente a Revoluçom dos Cravos, o tema foi-se transformando em hino, até o ponto de que as MFA, lideradas polos “Capitães de Abril”, a escolhêrom como senha para o arranque da ofensiva popular. Assim é que às 00:20h do 25 de Abril do 1974 a cançom foi tocada na Rádio Renascença como segunda senha do bem-sucedido avance revolucionário, e chegando a ser considerada por este feito o ponto de arranque da democracia em Portugal. Contudo a cançom fijo a sua estreia em direto no 10 de maio de 1972 em Santiago de Compostela, há agora 40 anos.
Coincidindo com esta data o povo galego organiza umha homenagem ao cantor português através da plataforma Terra da Fraternidade. O projeto reúne gentes de tódolos âmbitos da cultura: músicos, desenhadores, palhaços, escritores, atores, cineastas… Apresentado como umha iniciativa colaborativa e horizontal, onde nom participam empresas, senom que som as pessoas quem a constroem com a sua achega e colaboraçom. O ato central terá lugar o vindouro 10 de maio em forma de concerto homenagem, umha grande festa da cultura galego-portuguesa que incluirá representantes de vários territórios lusófonos.
De Terra da Fraternidade destacam que o que se pretende é fazer umha demonstraçom fraternal de todo o agarimo e respeito que o povo galego guarda polo artista português. Para isto, apresenta-se um espetáculo em que ham participar mais de 100 artistas, incluindo algumhas surpresas. Entre eles poderíamos pôr em destaque a presença do João Afonso, além de Uxia, Xurxo Souto, Quico Cadaval, García e Leo, Zé Rui, Trópico de Grelos, Tiago Gomes, Aline Frazão, Sérgio Tannus, Fran Pérez ‘Narf’, Najla Shami, Sés, Banda Fura Fura, Os 7 Magníficos+1… A festa promete nom dar trégua. E polo cenário irám surgindo cançons folk, rock, acústicos, misturados com poesias, circo e todo o amor que se puder juntar para enviar-lho ao eterno amigo da Galiza, o Zeca Afonso. Assim de complexa e profunda é a proposta que se nos fai desde o coletivo organizador.
Na própria web da Terra da Fraternidade, e sempre salientando o espírito de autofinanciamento do evento, abre-se a possibilidade de que qualquer pessoa poda fazer achegas económicas através da Verkami ou mesmo mediante umha Fileira Zero que em próximas datas será posta em andamento.
Amigos maiores que o pensamento
O Zeca finou um 23 de Fevereiro de 1987 em Setúbal. 25 anos depois do seu passamento parece que àquilo que se denominou Cançom de Intervençom contra o regime de Salazar volve a estar de plena atualidade. A Geraçom à Rasca, movimento de resposta do povo português frente ao recrudescimento neoliberal que se oferece dende o Poder, como alternativa única ante a crise na que estamos submersos, foi que fiz rexurdir o conceito no país irmam. Assim os Homens da Luta com “A luta é alegria”, de inspiraçom mesmo na obra do Zeca, e Deolinda com “Parva que sou”, vêm de ser convertidos em autênticos hinos para os jovens precários atuais.
Na altura foram o Zeca junto com o Adriano Correia de Oliveira os máximos representantes do movimento de contestaçom social através da música. A sua influência parece ter chegado até os nossos dias com toda a força e atualidade. Em resposta a esta realidade foi apresentado em Portugal o projeto “Amigos maiores que o pensamento”, noticiado no PGL em janeiro, que visa homenagear estes dous artistas, os quais reivindicam como “exemplos de cidadania política, cultural e social”. O projeto ainda em formaçom já tem apresentado um manifesto em que posicionam as suas intençons, e convidam as pessoas interessadas a assiná-lo. De facto, da Galiza a AGAL foi a primeira entidade em dar suporte à iniciativa.
