Paulo Carril: “A CIG respeita o uso das distintas normativas entre a sua afiliaçom”



Neste ano 2021 cumprem-se 40 anos desde que o galego passou a ser considerada língua co-oficial na Galiza, passando a ter um status legal que lhe permitiria sair dos espaços informais e íntimos aos que fora relegada pola ditadura franquista. Para analisarmos este período, iremos realizar ao longo de todo o ano umha série de entrevistas a diferentes agentes sociais para nos darem a sua avaliaçom a respeito do processo, e também abrir possíveis novas vias de intervençom para o futuro. Desta volta entrevistamos o sindicalista Paulo Carril, secretário geral da CIG.

paulo-carril-aepQual foi a melhor iniciativa nestes quarenta anos para melhorar o status do galego?
Nos últimos quarenta anos, o galego atinge o grau de co-oficialidade plasmado na Lei de Normalizaçom Linguística, que nom cumpre todas as aspiraçons do ativismo cultural e político nacionalista, como nom podia ser doutro jeito ao supeditar-se esta lei está a umha constituiçom que mantém a superioridade do espanhol fronte às outras línguas do Estado. Prova disso é que, três anos após a sua aprovaçom, cria-se a Mesa pola Normalización Lingüística, no ano 1986, associaçom que nucleia a plataforma Queremos Galego, motor das mobilizaçons populares massivas em defesa do idioma de 2009 até a atualidade. Cabe destacar a importância do Plano Geral de Normalizaçom Linguística de 2004, que gozou do consenso de todos os grupos do Parlamento Galego, mas que nunca se chegou a  aplicar.

Se pudesses recuar no tempo, que mudarias para que a situaçom na atualidade fosse melhor?
Teríamos que recuar a momentos históricos que impedírom que o povo galego se desenvolvesse como tal e, situando-nos em tempos mais próximos,  seria desejável  ter conseguido maior tensionamento e preocupaçom social para exigir, quando menos, o cumprimento da Lei de Normalizaçom em todos os âmbitos, especialmente no ensino.

Que haveria que mudar a partir de agora para tentar minimizar e reverter a perda de falantes?
Principalmente que o Governo da Xunta atue nas suas competências, obrigadas por lei, em matéria de normalizaçom e promoçom do galego. E nomeadamente, pola sua importância transversal, é preciso derrogar o decreto do plurilinguismo, de consequências nefastas para a presença e promoçom do nosso idioma no ensino. Pois cumpre nom perdermos de vista a importância essencial do ensino na transmissom, aprendizagem e valorizaçom das línguas.
Mas a política linguística aplicada polo Estado —que impom a supremacia do espanhol como garantia da indissolubilidade da Espanha— e a do Governo de Feijoo na Xunta de Galiza — especialmente beligerante contra o nosso idioma— estám conseguindo converter a nossa língua em idioma estrangeiro para umha parte cada vez maior da nossa sociedade.

Mas a política linguística aplicada polo Estado —que impom a supremacia do espanhol como garantia da indissolubilidade da Espanha— e a do Governo de Feijoo na Xunta de Galiza — especialmente beligerante contra o nosso idioma— estám conseguindo converter a nossa língua em idioma estrangeiro para umha parte cada vez maior da nossa sociedade.

Para reverter a perda de falantes há que erradicar as políticas contrárias ao galego, fazer políticas linguística baseadas na discriminaçom positiva, isto é, “premiar” o uso do galego nos meios de comunicaçom, na produçom audiovisual, nas novas tecnologias, nas relaçons comerciais, na promoçom de produtos culturais…  Todas as administraçons, incluída a de Justiça, deveriam oferecer como primeira opçom o galego. Os meios de comunicaçom públicos teriam que contar com umha programaçom atrativa para as geraçons mais novas, apresentarem modelos linguísticos de qualidade que fugissem do “castrapismo”. Enfim, fazer possível desenvolvermos a vida diária em galego “por defeito”.

Qual tem sido a ligaçom da defesa da língua e os interesses de classe na Galiza?
paulo-carril-cigO galego é o principal signo diferencial do povo galego, polo que procuramos ter umha açom de alerta perante cada tentativa de assimilaçom cultural e linguística do nosso povo, também no mundo do trabalho.
A CIG é um sindicato nacionalista de classe que aspira a umha Galiza plenamente soberana e sem exploraçom, que tem como única língua a galega, defendendo-a como única língua oficial da Galiza e assumindo o compromisso de contribuirmos para a sua normalizaçom, como sinal de identidade nacional por excelência. Assim está recolhido nos nossos estatutos. No âmbito sindical, a CIG é a expressom desse processo de auto-organizaçom do povo galego na luta pola soberania nacional, porque a luta pola emancipaçom de classe vai parelha à luta pola emancipaçom como povo.
Ademais, o galego é ferramenta útil fronte à colonizaçom que impede o desenvolvimento da nossa economia segundo os nossos próprios interesses, que nos oprime como classe trabalhadora quando defendemos o direito a viver e trabalhar na nossa terra. Neste senso, o galego também é um escudo perante a deslocalizaçom, umha garantia de manter o trabalho no país.
Por estes motivos, sempre defendemos que a CIG deve ter um papel ativo no processo de normalizaçom da nossa língua.

Achas que seria possível que a nossa língua tivesse duas normas oficiais, umha similar à atual e outra ligada com as suas variedades internacionais?
Entendemos que há que trabalhar primeiro e prioritariamente pola normalizaçom plena do galego para poder falar, num contexto favorável, sobre normativizaçom. Em qualquer caso, a CIG respeita o uso das distintas normativas entre a sua afiliaçom.


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  • Guiador

    A CIG, como o resto de organizacións sindicais, debería ter un mínimo cuidado no uso do galego (sobre todo tratándose dun sindicato nacionalista galego). Non é aceptábel o desleixo cun correcto uso do galego que mostran a maioría dos comunicados do sindicato. Tanto me ten que se use unha normativa ou outra, mais o que non é de recibo é o uso permanente que se fai de castelanismos e invencións do tipo “prantexar” e outras trapalladas dese estilo que non se corresponden con ningunha das dúas normativas.
    Dun afiliado desilusinado e indignado co uso que un suposto sindicato nacionalista galego fai do máximo expoñente da cultura galega.

  • Antonio Gil

    Fico na última resposta: “Entendemos que há que trabalhar primeiro e prioritariamente pola NORMALIZAÇOM PLENA DO GALEGO para poder falar, num contexto favorável,
    sobre normativizaçom. Em qualquer caso, a CIG respeita o uso das
    distintas normativas entre a sua afiliaçom.”
    Não alcanço a entender o sentido ou sentidos de “normalização plena do Galego” nas diferentes e diversas situações sociais, políticas, económicas e culturais com particular atenção às literárias.
    Nas situações sociais-coloquiais-orais o “galego” está normalizado, meio normalizado, desnormalizado e mesmo excluído. Contudo, a oralidade-coloquial não precisa de particular NORMA, cada pessoa utiliza a sua, o seu idioleto, que dizem, que, aliás, realiza suficientemente a comunicação.
    É nas outras situações que o Galego deve ser, sim, normalizado, mas nas realizações escritas. Se antes não for “normativizado” suficientemente, a normalização procurada será impossível, porque, justamente, a normalização linguística nos âmbitos acima apontados se faz sobretudo por meio dos usos da língua ESCRITA.
    Quero dizer, se não houver “normativização”, a normalização será impossível. Ou, pior, se há, como há, um galego “normativo” argalhado e imposto pero “reino del bourbon” na CAG, esse será em definitivo o “galego normalizado” … até à extinção.

    • Antonio Gil

      Imaginam que para um determinado labor primeiro se exigisse normalizá-lo, executá-lo e, “normalizado” de vez, então se desse as ferramentas aos operários. A orthographia é a ferramenta a utilizar na normalização da língua numa sociedade dada.

  • https://pglingua.org/index.php abanhos

    A CIG salvo excepções, o que faz com a língua é castelhano em galego, em realidade o galego que gastam não questiona o castelhano nem chega a substituí-lo alimenta-se dele, qualquer cousa que for castelhana pode passar por galega.

    Nesse contexto declarar que se está pola normalização com caráter prévio a todo, é o mesmo que dizer nada, infelizmente.

    Em que língua falam aos filhos os filiados da CIG?. No 98%? pois na língua língua, o castelhano….

  • Arturo Novo

    Quando eu era afiliado à CIG, lá em tempos remotos, assisti a um curso na Corunha organizado por eles. O curso foi lecionado em castelhano. Aí rematou a minha afiliação à CIG.