Por José Ramom Pichel Campos (*)
Quem tem o “foco” no mundo dos sistemas operativos baseados no escritório é aquela janela que está ativa nesse instante. Isto é muito útil para os sistemas com interface gráfica porque sabemos em todo momento qual é a parte na que estamos trabalhando.
Existem diferentes sistemas baseados em escritório que utilizam esta forma de captar a atenção de qualquer um utilizador. Por exemplo, os sistemas Unix (Unix System V, Unix BSD, Solaris e Linux). Também isto ocorre nos sistemas operativos de Microsoft conhecido como Windows, desde aquele Windows 3.11 nas que as janelas que estavam em uso nesse preciso instante estavam em azul, até o atual Windows 7 passando Windows 95/98/XP/Vista.
Mas quem realmente se adiantou nesta percepção e nesta forma de interatuar com os utilizadores foi a Apple, como também sucede em muitas ocasiões, já agora, os iPhone e os iPad, produtos que se adiantaram muito tempo ao mercado. Também aconteceu isto quando a Apple criou o computador Macintosh de 128K no ano 1984 que foi o primeiro PC que tinha um sistema de interacção gráfica com o utilizador, posteriormente conhecido como GUI (Graphical User Interface).
Este novo sistema usava uma nova ferramenta de uso universal em épocas posteriores chamado Rato que servia para ir mudando entre as diferentes janelas e por tanto indo mudando o foco de atenção de qual era a aplicação na que estávamos a trabalhar.
Hoje foi a investidura da nova presidenta do Brasil Dilma Rousseff, sucessora do Lula da Silva no gigante emergente brasileiro. Foi muito interessante ver a importância que lhe deu a TVG à notícia (qual foi realmente o foco de atenção). Por certo que em nenhum momento se escutou falar à nova presidenta. Ao melhor entendíamos demasiado bem.
No entanto no telejornal do TVE para além de dedicar-lhe mais minutos ao evento e mesmo ter enviados especiais, Dilma falou duas vezes. Também apareceu o príncipe Filipe falando com ela por enquanto uma voz em off explicava por um lado as vantagens do Brasil para o empresariado espanhol e por outro que o novo governo de Dilma comprometia-se a ampliar a oferta no ensino do espanhol como segunda língua.
O nosso foco, com a excepção dos nossos músicos e algum cluster, continua a olhar para o centro e para o mediterrâneo, e continuamos a não pôr o foco principal no Atlântico. Se o espanhol chega a ser a segunda língua aprendida no Brasil, provavelmente veremos mais oportunidades. Nós, que logo nos queixaremos.
(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.
