Novas da Galiza – No passado mês de Maio, umha das principais preocupaçons de Núñez Feijóo era a de ter nomeado um responsável para a área de Política Lingüística antes do Dia das Letras. A quatro dias do 17 de Maio, Feijóo anunciava o nomeamento de Anxo Lorenzo, membro da equipa de Marisol López, como novo secretário geral de Política Lingüística.
Desta maneira, no Dia das Letras, o chefe do Executivo aparecia sorridente em Láncara, terra natal de Ramom Pinheiro, no acto cerimonioso da RAG e da Junta em memória da figura homenageada este ano. A origem do nomeamento aponta, segundo fontes consultadas por este jornal, ao projecto continuador do pinheirismo, a editora Galáxia.
Anxo Lorenzo, como a sua predecessora, goza de boas relaçons com o grupo editorial Galáxia, sobretodo mercê ao Centro de Investigaçom Ramom Pinheiro, do qual formou parte Marisol López até justo antes de ser nomeada alto cargo da Junta bipartida. A mediaçom de pessoas afins à editora teria possibilitado a designaçom de Lorenzo como responsável pola Política Lingüística, com a intençom primeira de contar com umha figura ‘de consenso’ que nom significasse umha ruptura total com a equipa anterior. De facto, às ordens do sociolingüista viguês trabalham pessoas que já o figeram na etapa de López. Em segundo lugar, a decisom procuraria ‘legitimar’ o PP com um revestimento de galeguismo capaz de disfarçar as suas políticas desgaleguizadoras, na linha do conhecido como ‘pinheirismo’ político.
Estas formulaçons parece corroborá-las o próprio presidente da RAG, Xosé Ramón Barreiro, quando em Láncara assegurava dar por finalizada a polémica e reconhecia ter de Lorenzo uns conhecimentos «extraordinariamente positivos», qualificando-o mesmo de pessoa «que ama muito o idioma galego».
Mais capítulos
Ter umhas boas relaçons com a RAG foi um dos desejos exprimidos por Feijóo, e em Láncara, na homenagem a Pinheiro, exibiu boa sintonia com Barreiro. Relaçons que ainda poderiam melhorar se, como apontam algumhas fontes, o académico Víctor Freixanes, responsável de Galáxia, sucedesse Barreiro à frente da Academia quando finalizar o seu mandato, prestes já a expirar.
Esta história tem ainda mais capítulos, como o dia do anúncio da supressom das Galescolas e o seu baptizo com o nome da Galinha Azul, tirado de um livro do falecido Carlos Casares editado por… Galaxia, editora da qual forma parte um dos seus filhos, Håkan Casares Berg. No acto de apresentaçom dos novos infantários, a viúva, Kristina Berg, assegurava que a cessom do nome tinha sido «gratuita». Continuará.
Perfil: Anxo Lorenzo Suárez, o carreirista
Eduardo S. Maragoto – Anxo Lorenzo representa o pior da geraçom de filólogos que medrárom à custa do galego. Entre as suas máximas aspiraçons, a Secretaria Geral de Política Lingüística (SGPL), que sempre confundírom com a direcçom de um Departamento de Filologia sem alunos ou de um Serviço de Normalizaçom Lingüística dedicado a empregar correctores. Entre os seus méritos, conseguir convencer o insípido movimento galeguista de que o problema do galego nada tem a ver com a orientaçom da política lingüística; trata-se só de ‘planificaçom’, isto é, de fazer inquéritos e mais inquéritos cujos resultados sabemos de memória e de implicar animicamente nom sei quantos sectores da sociedade civil com originalíssimas campanhas de sensibilizaçom. Apesar das aparências e surpresas, Anxo Lorenzo era, em definitivo, o candidato perfeito para a Secretaria Geral de Política Lingüistica, um cargo em que pouco importa o perfil político do candidato.
Antes de Marisol López chegar à Direcçom Geral de Política Lingüística um dos nomes que se ouviam para dirigir este departamento, por proposta socialista e aceitaçom nacionalista, era já o de Anxo Lorenzo. Afinal foi descartado, mas, como bom carreirista, nom desanimou: quatro anos de péssima gestom da filóloga compostelana poderiam levá-lo ao cargo. Colaborou com Marisol López, redigiu umha campanha a favor do novo decreto do galego no ensino do bipartido para a Universidade de Vigo e há só uns meses assinava um artigo em que afirmava: “o PP nom aceita que haja outras formas de fazer política lingüística […] centradas na promoçom e na revitalizaçom da língua galega, sem imposiçons nem obrigaçons, mas com firmeza nas estratégias de acçom positiva e na utilizaçom da planificaçom lingüística”. Daquela, confiava noutro governo bipartido. De repente, di encontrar “pontos em comum com Feijóo” e o seu principal cometido será derrogar o decreto que antes defendeu.
Furibundo antirreintegracionista
Em todos os debates públicos, costuma acontecer serem mais sectários os seguidores que os líderes. Se no departamento de Filologia Galega da Universidade de Compostela (USC) se encontram os grandes artífices do isolacionismo galego, no de Vigo (UVI) encontram-se os mais raivosos isolacionistas. Camino Noya, Antonio Palacio e Henrique Costas som alguns dos mais beligerantes segregacionistas do departamento de Filologia Galega e Latina que até há pouco dirigia Anxo Lorenzo, o único das três universidades galegas que votou contra as modificaçons normativas de 2003. No ano 2006, a Área de Normalizaçom Lingüística que Anxo Lorenzo dirigiu até esse ano convocou os ‘Prémios de poesia, relato curto e traduçom literária para o ano 2006’. Nas bases estabelecia-se que “os originais deveriam estar escritos em língua galega de acordo com o Decreto 173/82, de 17 de Novembro e com o previsto na Disposiçom adicional da Lei 3/1983 de 15 de Julho”, mas, ao mesmo tempo, só se recomendava “a utilizaçom das mudanças normativas propostas pola RAG em Julho de 2003.” Quer dizer, o importante nem sequer era que os textos chegassem na norma da RAG, mas que nom chegassem em reintegrado. Parecida teima ou simplesmente falta de seriedade científica demonstra o novo cargo do PP no livro Lingua, sociedade e medios de comunicación en Galicia em que, depois de debruçar-se amplamente sobre publicaçons de igual periodicidade, só se lembra do Novas da Galiza para dizer que é um jornal digital (!) “editado numha normativa nom oficial”.
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