Obrigados a eleger

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Por José Ramom Pichel Campos

A questão é que queria escrever sobre outra cousa, mas o Real Madrid-Barça deu por mudar meu plano inicial. Esses malandros.

Também mudou meus planos iniciais que o passado 14 de Abril comemorou-se mais um ano a proclamação da Segunda República Espanhola no ano 1931, uma forma de governo que na altura levantou muito entusiasmo, porque já sabemos qual era o que tocava se não havia governo de democracia parlamentar, mas que com o tempo foi engordando e extremando-se o bom e o mau, em função de quem fala desse passado.

E também relembrei ao Kissinger conselheiro de política internacional de todos os presidentes dos Estados Unidos (Eisenhower, Ford, Nixon, Bush) que dizia sobre Pinochet: “É certo. É um filho da mãe. Mas é o nosso filho da mãe”

Ou quando nos vendem um computador com um sistema operativo que não queremos, ou nem sabemos que é possível poder utilizar outro sistema operativo substituto do mesmo. Quando nos obrigam a ter de eleger entre esse sistema X ou Y. Essa tendência a acender e desligar as lâmpadas República ou Monarquia Constitucional.

Também já na política esse continuo machucar de só dous personagens da política e satélites. Essa repartição na frequência de ondas entre PP-PSOE, esse governo bipartido não declarado. Às vezes sabemos mais do que opinam grupos fora do parlamento ou minoritários do mesmo, do que qualquer outro partido que não seja o do bipartido PP-PSOE.

Com esta programação continua, desde as 9.00 da manha até as 12.00 da noite, de termos de decidir só entre duas opções, de estar comigo ou contra mim, a eliminação dos matizes, dos pontos de fuga, a eleição dos dous extremos do segmento que na majoria dos casos nem é assim, só dous extremos virtuais que logo repartem jogo sincronicamente. Com este panorama, com este mapa mental, que fácil é explicar como funcionam os computadores.

Os computadores funcionam com uns e zeros, eliminando qualquer matiz, comigo-contramim. Um pode ser o Real Madrid e outro pode ser o Barça. Se ganha o primeiro significa que perde o outro, seria um “10”. Se ganhar o segundo pola contra significa que o primeiro perde por tanto poderíamos representá-lo por “01”.

Há cada dia mais gente mais cansada de que parece de que o mundo só depende de eleger entre Real Madrid-Barça, de eleger República-Monarquia, de Nossofilhodamai-Vossofilhodamai, de Windows-Mac.

E eu sou de família de Celtistas, e acho que é possível acabar com este binarismo absurdo no que querem simplificar o mundo.

 

(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.