Por José Ramom Pichel Campos
Mudar qualquer cousa numa sociedade, numa empresa ou numa administração precisa sempre de saber a onde queremos ir (objetivos), saber se os atingimos (objetivos que se podam medir) e os passos para chegar a eles (estratégias). Aí está o segredo do sucesso.
Kennedy disse a começos dos anos 60 que um astronauta estaria na lua antes de finalizar a década, pus por tanto a vários miles de pessoas perante um objetivo: “antes dos anos 70 haverá um astronauta americano na lua” e também uma estratégia: “que a NASA decida anualmente processos para conseguir esse objetivo medível e quantificável”.
Quais são os nossos objetivos para o idioma? Qual a nossa estratégia?
Se o nosso objetivo fosse: “Fazer que o 50% dos meninhos menores de 18 anos galego-falantes podam estudar o 100% em galego”, uma estratégia poderia ser fazer modelos linguísticos nos que os meninhos galego-falantes tivessem todas as matérias em galego desde infantil até a Universidade com excepção da matéria de espanhol e inglês. O português deveria pertencer ao curriculum para complementar. Os espanhol-falantes poderiam ter a oportunidade de ter capacitação em galego (como ocorre agora).
Se o nosso objetivo fosse: “Fazer que o 5% dos meninhos menores de 18 anos espanhol-falantes mudem um dia de língua”. A nossa estratégia poderia ser continuar com o modelo atual. Mas parece que o objetivo do ensino na atualidade é: “Fazer que o 90% dos meninhos espanhol-falantes e galego-falantes estudem num sistema que facilita que os espanhol-falantes tenham capacitação em galego, e que os galegos-falantes mudem para o espanhol”. Este objetivo parece que não é uma boa meta para que o idioma não morra.
O ensino deveria facilitar quanto menos que os pais que querem educar ao seus meninhos em galego e que pagam tantos impostos como os castelhano-parlantes tenham o 100% no seu idioma, para que não acabem por abandoná-lo. Com o modelo atual linguístico e com uma outra proposta menos ambiciosa o galego está condenado a perder-se.
Há que inovar. Não chega com que os nenos saibam o galego senão que o falem. Se há que experimentar com linhas linguísticas experimentaremos. É claro que o ensino não é o único parâmetro, mas é o primeiro ao que acodem partidos dum signo ou outro, aqui e em Porto Rico.
A RAE tem-se pronunciado a favor do bilinguismo no ensino na Galiza, no País Basco e em Catalunha. Isso sim, sempre se pujo em contra do bilinguismo em Porto Rico entre o inglês e o espanhol. Por algo será.
(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.
