O triunfo dos porcos

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Por José Ramom Pichel Campos

Ás vezes as más traduções revelam qual é o resultado final dum processo, dum argumento, assim sucede com o original título de George Orwell chamado “Animal farm” que passou na sua versão de Portugal a se chamar “O triunfo dos porcos”. Este romance é segundo o próprio autor um livro contra Staline. Mas inicialmente a originalidade do título era “Animal Farm: A fairy story”, qualquer cousa como “A granxa dos animais: uma história de fadas”.

Sem desvelar totalmente o argumento do romance, um de tantos recomendáveis do espectacular George Orwell, Animal farm descreve como é impossível uma sociedade utópica por causa da corrupção intrínseca do poder preciso para criá-la. Através da leitura do romance vamos comprovando como os mais inteligentes e as pessoas com mais poder serão finalmente quem alcancem os topos da sociedade. Ao construir a arquitetura do romance com animais parece que todos os animais são iguais, mas uns animais são mais iguais que outros.

Também, deixando de falar de animais e vegetais, essa nova categoria, os vírus, repugnantes bichinhos que mutam quando mutam, recombinam quando recombinam, eles tão bonitinhos, também presuntos causantes de tantos problemas nos computadores. São essa eterna desculpa de quando não se sabe resolver um problema informático: Deve ser um vírus!. George Orwell não falou dos vírus, e nem por isso deixou de ser um grande visionário, após ir à Espanha e guerrear desde o lado republicano, e ver as misérias dentro da esquerda no confronto contra os generais golpistas. Foi mágoa que não figera menção a estes na sua obra, seguro que adivinharia o futuro.

Um futuro de vírus e porcos, no que a OMS acaba de elevar num breve espaço de tempo as alarmes por pandémia da gripe suína ou porcina. Só nos países desenvolvidos ou em vias de desenvolvimento parece que existe. Mas a SIDA continua o seu passo sem controlo polo continente esquecido africano, a malária joga de mosquito em mosquito, e que diz a OMS sobre o assunto? E, dacordo, a malária não se transmite entre humanos, por tanto em termos técnicos não é pandémia. Mas a OMS parece que só se importa polos de sempre, polos que respiramos no primeiro mundo. Parece que de novo voltam ganhar os poderosos, só que agora esses poderosos com formato de porcos transportam uma gripe mortal para todos os habitantes do primeiro mundo.

Frente a OMS, lembraremos o que dizia o grupo mexicano Molotov: porque fuimos potencia mundial, somos pobres nos manejan mal!


(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.