O modelo empresarial baseado no código aberto

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Por José Ramom Pichel Campos

Existe em alguns setores não tecnológicos a ideia de que empresa e código aberto são antónimos. Outra vaca no milho. Aliás o código aberto é software basicamente comercial onde o que se comercializa não são as licenças do produto senão os serviços associados ao produto. Como está a ocorrer com a música que se vende com licenças livres como o Creative Commons, o que se vende não são os discos (licença de produto) senão os concertos (serviços associados ao produto). Isto fomenta a concorrência entre os fornecedores de qualquer classe de software para os clientes finais.

Ao existir a crença de incompatibilidades entre código aberto e empresa, é lógico que se pense que no caso de existir empresas que apostem em este modelo de negócio, estes sejam setores tecnológicos minoritários. O que está a ocorrer é todo o contrário. Por trás do Open Source estão as uma grande parte das empresas mais solventes e/ou mais inovadoras do mundo.

Destacam entre elas Google, IBM, Oracle, Novell, Sun Microsystems, Redhat ou Suse. Exemplos de produtos de software aberto são OpenOffice.org, Firefox, Apache, Linux, Ubuntu, BSD, WordPress, Bind.

O desenvolvimento de software baseado no paradigma do código aberto tem várias vantagens como explica a Wikipédia. Por exemplo o baixo custo de aquisição já que permite uma poupança de grandes quantidades de dinheiro na aquisição das licenças. Também este software facilita a inovação tecnológica, por causa de que cada utente pode contribuir com os seus conhecimentos e a sua experiência e assim decidir de maneira conjunta para onde se deve dirigir a evolução e o desenvolvimento do software.

Outras vantagens são a independência do fornecedor. Ao dispor do código fonte, garante-se uma independência do fornecedor que fai com que cada empresa ou particular poda seguir contribuindo ao desenvolvimento e os serviços do software. Também o software livre facilita que os produtos software não existam só nos idiomas que decidem as companhias, mas naqueles idiomas nos que existem as comunidades de localizadores (tradutores de software). Isto facilita que o software não só chegue a comunidades com mais problemas económicos mas também a países e lugares do mundo com línguas e variedades linguísticas minoritárias e minoriçadas.

Por que a indústria do cinema não deixa de promulgar Leis barragem das novas tecnologias e não se adapta criando novos modelos de negócio como sim fijo a indústria do software?

(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.