O II Centenário da II Batalha de San Marcial com notícias várias sobre o início da Espanha moderna que podem interessar o curioso leitor

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Ernesto Vasques Souza – Quando ainda não se apagou da retina coletiva as imagens da resposta organizativa dos Galegos ante a última tragédia ferroviária e duram como eco, fio a fio, as mouras ondas do Prestige, é quando mais se pode entender as causas da lógica brutal repressiva, os feitos mais dramáticos da história moderna, quanto o sentido da estratégia desmanteladora das estruturas comunitárias e territoriais que a respeito da Galiza vem sendo a construção do Estado espanhol moderno.

Referimo-nos, para exemplificar, ao sentido das táticas genocidas aplicadas pelos golpistas e depois pela ditadura franquista para eliminar qualquer líder popular, qualquer figura elo, numa perigosa retaguarda e convertê-la, mais uma vez em celeiro, arsenal e viveiro de tropa.

Falamos, é claro, também, pois isto primeiro é apenas exemplo dessa estratégia continuada de desmantelamento e controlo da sociedade e do território galego iniciada ou justamente causada na organização do Estado Centralista Esperpêntico moderno sobre as ruínas das Guerras Peninsulares de 1808-1814, com a condenação absolutista, a repressão contra a burguesia modernizadora e o apoio interesseiro das potencias europeias, coligadas para impedirem qualquer organização do Estado espanhol não apenas como potência Imperial moderna ou senão simplesmente como Estado mais ou menos moderno.

 

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Mas voltemos à imagem paroquial de Angrois, dos voluntários de branco e piche e às filas de doantes na vista. Pelas mesmas causas que organizar uma revolução na Galiza é uma tarefa que se prolongaria vários séculos (com toda a problemática de manter a conspiração em segredo com toda a gente a que haveria que informar e pôr de acordo) é óbvio que levantar um exército, especialmente para defesa do território, desde as paróquias, seria cousa de dias, de horas em caso de não comparecência por despiste, abandono, ou caos do aparato do Estado; ficando obviamente e desde a invenção da munição e o automatismo das armas a questão de armar esse exército com algo mais que fouces.

Destaca Castelao no seu Sempre em Galiza os três erros da República com a Galiza no primeiro momento da Guerra Civil de 1936: não repartir imediatamente armas entre a população das cidades galegas, não ter tentado nesses primeiros meses reconquistar a Galiza para a República e manter uma propaganda irrespeitosa e ridiculizante do exército galego formado pelos golpistas com as quintas galegas. Frutos esses erros (não nos entendem, não) do desconhecimento da psicologia dos nativos, da realidade social e da importância estratégica do Santuário galaico em qualquer guerra peninsular e ainda Atlântica. Características (e descentralização simbólica e operacional) que, pelo contrario, soube aproveitar, o exército golpista (cfr. Nuñez Seixas, 2006, especialmente p. 215 e ss).

Do mesmo jeito que não é destacado suficientemente pela historiografia espanhola que o controlo golpista da Galiza e o papel do exército galego na Campanha do Norte (Astúrias, Santander, Euzkádi, passagem do Ebro, Catalunha e Valência) é uma das causas da derrota republicana, não o é o papel ainda mais destacado que o exército regular da Galiza e especialmente as suas divisões de voluntários desempenham na longa campanha que enceta em 1808; com a única oposição à Grande Armée a norte do Guadarrama pelo Exército galego chefiado pelo general Blake e Joyes, e cujos episódios mais destacados são a libertação do Porto em maio de 1808 pelo levantamento das tropas galegas invasoras acantonadas unidas à sublevação, a batalha de Ponte-Sampaio e campanha conjunta Anglo-luso-galega em perseguição do exército francês do Minho ao Bidasoa, passando por Leão, Extremadura, Andaluzia e ambas as Castelas. Percorrendo as rotas naturais definidas pela geografia e que desde antigo estruturam, contra qualquer fronteira política, o construto peninsular.

 

II. San Marcial


Batalha de San Marcial (ficha descritiva da ilustração)

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N.B. Pode o leitor prescindir da narrativa da batalha a seguir e retomar em III o sentido do discurso do autor, ou pode substituí-lo por qualquer uma descrição romanceada, de fontes documentais ou históricas no diverso repertório de testemunhos da barbárie humana entre as guerras napoleônicas e as trincheiras da Grande Guerra. Trata-se apenas de uma carnificina clássica iniciada com artilharia e fuzilaria no amanhecer e terminada no mais brutal corpo a corpo, na anoitecida com cargas e contra cargas, numa fronte de mais de 3 km de posições tomadas e despejos de uma série de outeiros e quebradas, assaltos, sangue, chuva, e alvorada entre lama e corpos mortos e mutilados.

 

Tomada Vitória em junho, em finais de agosto de 1813, após uma longa campanha, as tropas hispano-luso-britânicas tinham sitiado Donostia, enquanto Wellington esperava por Soult na fronte de Pamplona.

A ação situa-se como última tentativa do exército francês e do mesmíssimo marechal Soult de derrotar o contingente expedicionário britânico e os seus aliados, para o que se reunira uma última força de 45.000 soldados entre veteranos e refresco, sob comando no campo de H. C. Reille e B. Clausel.

Em 31 de agosto os Britânicos preparam o assalto final contra São Sebastião, mas antes do abrente desse dia a hoste azul atravessa silenciosa, como trasgos sob capote de brêtema, o Bidasoa pelos vaus entre Hendaia e a ponte destruída do Caminho real.

Entre os Franceses e Britânicos, na retaguarda que passava a primeira linha do exército aliado, estavam os mermados restos do 4ª Exército, ou exército da Galiza, uns 15.000 efetivos de tropas veteranas, mas mal equipadas pelo desgaste da campanha, enfraquecidas, mal providas e pior equipadas e munidas. As tropas de Freire, dependentes da Junta de Galiza eram esquecidos pela intendência espanhola dependente da Central, e não desfrutaram de rações completas em vários dias.

Soult concentrara todas as suas nove divisões para um ataque nas proximidades de San Marcial, pensando, após uma marcha noturna, romper a linha de fortificações vivaqueadas que protegiam o exército que se preparava para o assalto de São Sebastião.

Arrasadas as primeiras posições defensivas da III Divisão nos campos de Sorueta e Enacoleta, retiram-se com a V apostada nas alturas e arredor da ermida de San Marcial. A VII é retida entre Irunha e Fuenterrabia, colada à segunda linha defensiva anglo-portuguesa, pelo próprio Wellington que tardará em compreender as dimensões do ataque considerando que este assalto frontal de Reilli era um engado e esperando por uma ação envolvente de Soult desde os Pirineus.

Entretanto, o grosso do exército francês encontra fechada a passagem para Soroya pela canada de Ercuti pelas tropas regulares espanholas e especialmente por 10.000 soldados das três divisões galegas comandadas por Losada, Porlier e Bárcenas, repartidas numa frente em cota de 2 milhas.

O general Manuel Freire de Andrade, resolve manter a posição situando as suas tropas nas abas de San Marcial confiando na vantagem da posição. O ataque surpresa de madrugada ficara detido em San Marcial onde as tropas começaram, confiantes no número e na surpresa, de forma desordenada o ataque.

Sobre as posições galegas, sem mais ordem do que as das próprias unidades cai a formidável hoste francesa, como moscas no talho, travando combates, com uns defensores pouco dados a virar a cara e muito eficazes no manejo das armas.

Cerca das 10 da manhã num contra-ataque chefiado à baioneta pelo mesmíssimo J. Diaz Porlier, que nesta batalha consolidar-se-á não apenas como chefe de guerra senão como verdadeiro líder popular, desde as posições elevadas faz recuar os Franceses das abas do monte até a beira do rio.

Obra de meio-dia sucede-se o contra-ataque francês dirigido por Villatte, com apoio de artilharia, em que se encontra ao comando dos restos da Armée du Portugal Antoine Lois Popon, Barão de Maucune e verdugo de Mós e Redondela.

O ataque, encarniçado, confuso é freado de novo pelo muro inesperado dos Galegos. Com resultado indeciso, até à meia tarde em que finalmente os restos da Guarda do Rei José Bonaparte são finalmente botados do monte pelo contra-ataque lançado a partir das posições elevadas dos restos das divisões de Losada e Porlier.

Nesta altura, Freire, temendo ficar isolado e sem conhecer que a retirada francesa é definitiva, sem rações alimentares e com mínimos, ciente do difícil de prolongar a resistência e da canseira das tropas solicita o apoio de Wellington, que se negará durante toda a tarde a movimentar quaisquer outras tropas da sua posição e posteriormente justificarão o seu erro de avaliação do contingente francês e de não intervenção com uma resposta confiante e hiperbólica sobre o heroísmo de Freire e dos Galegos, palavras que repetirá na sua soada proclama.

As refertas prolongam-se sob uma intensa chuva até a noite, com assaltos e contra-ataques corpo a corpo, entre lameiras e restos, sem que os Franceses consigam tomar as posições firmemente defendidas pelos Galegos, até à final e retirada em desbarato dos aniquilados restos do exército francês, apavorados de ficarem isolados pela crescida do rio com as cheias das chuvas.

As perdas inglesas e portuguesas foram ocasionais. As 2462 baixas do 4º Exército, entre elas Francisco Javier Losada e Pardo de Figueroa, conde de Maceda, e as enormes perdas do exército francês dão conta das dimensões da batalha. A lenda elaborada sobre a competência militar de Wellington dificulta o entendimento a respeito das suas decisões ou apostas arriscadas nesta batalha tão contrárias às suas habituais e medidas estratégias. Colhe a possibilidade de uma mais que provável decisão do mando britânico de desgastar, neste tempo final da guerra o contingente espanhol enquanto que se derrotava os Franceses.

No dia 4 de setembro, Lord Wellington pronuncia no quartel de Lesaca diante das tropas aliadas o famoso, mistificado e mui repetido discurso que seria publicado no Diario de Madrid em 19 de outubro:

 

¡Guerreros del mundo civilizado!:

Aprended a serlo del Cuarto Ejercito Español, formado por soldados gallegos que tengo la dicha de mandar; cada soldado de él merece con más justo motivo que yo el bastón que empuño; el terror, la muerte, la arrogancia y la serenidad, de todo disponen a su antojo.

Dos divisiones Inglesas fueron testigo de este original y singularísimo combate, sin ayudarlos en cosa alguna, para que llevasen ellos solos una gloria que no tiene parangón en los anales de la historia.

¡Españoles!:

Dedicaos todos a imitar a los inimitables gallegos.

Distinguidos sean hasta el fin de los siglos por haber llevado su denuedo y bizarría a donde solo ellos mismos se podrán exceder, si acaso ello es posible.

¡Nación Española!:

Premia a la sangre vertida de tantos cides victoriosos. Dieciocho mil enemigos, con numerosa artillería, desaparecieron como el humo, para que no os ofendan jamás.

¡Franceses!:

Huid pues, o pedid que os dictemos las leyes, porque el 4º ejercito va detrás de vuestros caudillos.”

 

Nesse mesmo dia o exército britânico ao comando do tenente-general Graham tomará e saqueará brutalmente a cidade de São Sebastião, destruindo de passagem as instalações portuárias e a indústria pesada. Continuando o rasto de pilhagem e a estratégia de destruição do inimigo tradicional francês e desgaste do aliado temporário espanhol, que tanto temera em 1808 e 1809 a Junta de Galiza, que não deixara preventivamente os Britânicos desembarcarem nos seus portos.

A ressaca dos Britânicos prolongou-se quase um mês. Finalmente em 5 de outubro o general Pablo Morillo e e as tropas de Hill passam o Bidasoa, a perseguirem Soult. Entre os dias 9-13 combatem nos arredores de Baiona (batalha de Nive) e finalmente o contingente anglo-luso-galego ultrapassa Roncesvalles. Na vanguarda, os Galegos de Freire, são as primeiras tropas a invadirem a França.

III.

De janeiro de 1809 a dezembro de 1813, o 4º Exército reconstituído e formado por voluntários, auxiliara a retirada e o reembarque britânico de Moore na Crunha, derrotara os dous corpos de Soult e Ney, em Lugo, Vigo e após a batalha de Ponte Sampaio em 7-9 junho 1809, libertara a Galiza, e acompanhara as tropas inglesas e portuguesas em Leão, Extremadura, as duas Castelas, Andaluzia, Pais Basco e Navarra, participando ativamente desde agosto desse ano, até ao fim da campanha, em todos os combates de Astorga até a Nive, passando pela dos Arapiles.

Os malogrados frutos políticos destas vitórias militares e do exemplo de organização administrativa, governativa e civil da Junta de Galiza (agindo de facto como governo soberano) entre 1808 e 1813 serão seguidas pelo ciclo em que se dá início à Espanha moderna.

Uma Espanha moderna propositadamente abandonada pelas potências europeias que desenhavam os equilíbrios de forças continentais que marcarão o século XIX e XX, nas mãos absolutistas de um rei idiota e da sua camarilha que se encarregarão em duas décadas de liquidar a burguesia liberal e industrial nascente (que na Galiza formara o setor avançado da Junta), o império espanhol nas Américas e com ele a perda de boa parte das rotas comerciais a prol de Inglaterra, e de projetar uma paródia de estado central que acabaria com as estruturas territoriais que suportaram e manifestaram o seu sentido e vitalidade nessa guerra.

Duas décadas em que se inicia a transformação da Galiza em apêndice territorial e colônia da corte, ao mesmo tempo que se apaga, mais uma vez, o seu papel na história. Emerge o mito de Castela e a Espanha centralista moderna desenha-se nos moldes ultraconservadores do caciquismo e repressão.

Em dezembro de 1813 Napoleão firmava a paz com Fernando, (tratado de Valençay). Fernando voltaria a Espanha por terras de Girona a princípio de 1814 e dali dirigiu-se a Valência, onde, apoiado pelo geral Elio, emite o decreto de 4 de maio de 1814 que derroga a Constituição de 1812 e restaura o absolutismo.

Os anos 1813 e 1814, após a dissolução da Junta de Galiza, são de uma extrema dureza repressiva contra os liberais, tratando de consolidar o poder absoluto e a administração do Rei Fernando.

A 4 de maio de 1814, o Governo de Fernando VII nomeia Ministro da Guerra Manuel Freire, na retaguarda no exército de reserva Luis de Lacy é nomeado capitão general (provisório) da Galiza, entrando em contato na Crunha com a rede de Lojas maçônicas onde se juntariam as vozes liberais.

Em setembro de 1815 o na altura general Porlier pronuncia-se na Crunha a favor da restauração da constituição de Cádis. Será executado após o fracasso do levantamento. Em julho de 1817 Luís Lacy pronuncia-se também falidamente em Valência e será também executado em Palma.

A 1 de janeiro de 1820 levanta-se Riego em Cabezas de San Juan, o pronunciamento da Crunha define a situação. Acevedo reinstaura a Junta do reino de Galiza, autodissolvida em março de 1813.

Em 1822 as potências europeias (Santa Aliança) acordam em Viena restaurar no Trono Fernando VII como Rei absoluto e enviam um combinado austro-anglo-francês, comandado pelo Duque de Angulema. O corpo principal deste exército separa-se do que se encaminha para Madrid e Cádis para sitiar diretamente a Crunha, que resistira desta vez.

D. Pedro Méndez-Vigo e uma curta guarnição e muito escassos meios de defesa em frente a um nutrido contingente de tropas francesas ao comando do general Wer, durante o mês de agosto e inícios de setembro o assédio e suportando um constante bombardeamento, grande escassez de água e víveres, dado que o porto estava bloqueado, vendo-se os sitiados obrigados a capitular, não sem antes terem passado pelas armas os prisioneiros absolutistas encerrado em Santo Antão.

Em 1824 com o terror fernandino começa a Espanha moderna.

Perguntar-se-á sem dúvida o leitor… mas e o 4º Exército, u-lo nesse 1823?

Constituído na sua maior parte por voluntários, assinada a paz, voltarão os mais deles aos seus lares e vidas civis. Os que ficaram, profissionalizados, tropa e comandos, o 4º Exército em ativo, conformado por veteranos, retaliados restos doutros corpos foram não casualmente em 1814 sob o comando do general Morillo (que se posicionara com os Absolutistas traindo os seu companheiros revolucionários) enviados como força colonial para a América para tentar frear a Independência, combatendo e reprimindo “os Galegos” brutalmente a população em Nueva Granada, no Peru e no Prata.

Os efetivos militares depois da dissolução da Junta foram imediatamente reduzidos e organizados como companhias independentes como início de uma constante e propositada redução da autonomia militar da Galiza que continuou ao longo dos séculos XIX e XX.

Redução que foi muito protestada e cujo mais interessante – pela reação regionalista e insubmissão popular – episódio foi a retirada da capitania-geral da Galiza em 1893 para Valhadolid e constante (e pouco estratégica) integração dos comandos e tropas da Região noroeste.

Nas décadas de 1810-30, na Galiza popularizou-se o nome de Marcial. Filhos de orgulhosos combatentes do 4º Exército seriam entre outros e não por acaso Marcial Valadares e Marcial del Adalid.

Tanto o orgulho nacional da gesta nacional (a Galiza por ela só derrotando os Franceses) quanto a militar (San Marcial) vincada com as palavras de Wellington, depois das acusações de traidores e covardes marcam como precedente a geração seguinte (Provincialista) que se resiste à unificação, enquanto persiste a ideia do Estado absolutista contra a Galiza, bastião militar do Liberalismo.

A carragem e sentimento de injustiça que sentiam os velhos provincialistas de 1846, ainda palpita nos Cantares de Rosalia, nas prosas de Vicetto e nos discursos dos regionalistas de 1890, filhos e netos, herdeiros dos voluntários galegos das Guerras Peninsulares, que oferecem uma imagem mui diferente dessa Galiza entrando na modernidade para ser desmantelada.

 

Documento anexo:

 

II Jornadas de História da Galiza (Ourense, março de 2009)

Dia 14: Ernesto Vázquez Sousa – «De mouchos avisados e podengos corredores: A Francesada (1809-1814)»

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Resumo da palestra: Notas sobre a organização política e militar dos galegos na Guerra contra os franceses (1809-1814). Resistência popular. Organização, independência e eficiência da Junta do Reino. Vitórias na Galiza. Campanhas exteriores. A cesão da Soberania.

 

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