A próxima quinta-feira, dia 16 de novembro, às 20:30h, em Compostela, no Centro Social A Gentalha do Pichel (r/Santa Clara,nº21) a Através Editora organiza um colóquio sobre o estereotipo antigalego, em que conversam a antropóloga Bea Busto, autora do livro Um país “a la gallega” Galiza no NO-DO franquista, e o filólogo Alexandre Peres Vigo, autor de Do ódio à paródia. O estereótipo antigalego na literatura espanhola do século XVII.

A achega de Beatriz Busto está ligada com a sua investigação sobre a NO-DO.
A NO-DO, organização de propaganda cinematográfica do regime franquista, desenvolveu um discurso de representação cultural sobre a Galiza e o galego, promovendo um uso folclorizado e estereotipado da cultura. Muitos dos materiais da organização cinematográfica têm referência explícita à Galiza e fazem parte dum mapa territorial onde o estereótipo se tornou no principal indicador de representação cultural e a invenção na principal ferramenta de promoção turística.
A partir daí, o NO-DO tornou-se num poderoso aparelho do regime, produzindo um discurso executado de “fora” para “dentro” num claro exercício de poder vertical (acima/abaixo) que definia a cultura em imagens que evidenciavam um colonialismo do centro nas periferias, negando os povos retratados nas imagens a possibilidade de dialogar ou discutir a parábola que deles mesmos foi produzida.
A achega de Alenxandre Peres Vigo está ligada com a sua investigação sobre literatura:
Desde finais da Idade Média, a rivalidade surgida entre a monarquia castelhana e os altos estamentos galegos teve uma das suas caras mas visíveis na criação de um estereótipo demonizado do povo galego, bem presente na cronística elaborada na corte dos Reis Católicos.
Como consequência das grandes ondas migratórias com destino à Meseta, o ódio e a repulsa contra a Galiza e a sua população viram-se, ao longo do século XVI, marcados pela xenofobia e o supremacismo linguístico e cultural. Será então quando se conforme uma imagem grotesca e desvirtuada, tão marginal como paródica que vem em se denominar como “estereótipo antigalego”. A sua extraordinária aceitação social foi fulcral na produção literária do chamado “Siglo de Oro espanhol” até fazer das personagens galegas, autênticas caricaturas da sociedade espanhola do século XVII.
