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O Concelho de Bueu e a editora Xerais discriminam o reintegracionismo nos prémios Johan Carballeira

O Concelho e a editora informam de que nom admitem textos em galego internacional “coa finalidade de manter a liña de coherencia histórica do premio e do catálogo da editorial”

O Concelho de Bueu, governado polo BNG desde o ano 2003, organiza todos os anos, com o apoio da editora Xerais, o certame literário Johan Carballeira. Depois de que no ano 2025 o ganhador fosse um texto escrito em galego internacional, as bases da ediçom de 2026 eliminam a possibilidade de enviar textos usando esta opçom ortográfica, alegando motivos de coerência histórica do prémio e da editora.

Os prémios Johan Carballeira

O certame começou no ano 1996 como um prémio de poesia, ao qual no ano 2003 se uniu outro prémio de jornalismo. Ao longo das edições, as bases nom encorajavam nem proibiam nenguma norma ortográfica determinada, estabelecendo apenas que deverám ser “orixinais escritos en lingua galega”. Contudo, devido à ambiguidade que isto poderia supor, no ano 2024 o concelheiro Daniel Chapela apresentou uma iniciativa apoiada pola AGAL para que se contemple de maneira explícita a possibilidade de enviar textos em galego internacional.

Esta iniciativa foi apoiada polo concelho, que em resposta ao concelheiro afirmou textualmente: “En canto á normativa reintegracionista, nas bases de anos anteriores non se limitaba a participación destes textos, pero este ano se indicará expresamente nas bases co fin de fomentar a presentación de traballos nesta variedade”. Deste jeito, na convocatória do ano 2025, o texto das bases indicava que seriam orixinais escritos en lingua galega, incluída a normativa reintegracionista”.

O texto ganhador do certame desse ano resultou ser um original escrito em galego internacional, Réquiem de Eugénio Outeiro Lojo. Em virtude do acordo do Concelho com a editora Xerais, a obra foi publicada dentro do catálogo desta editora sem problema nengum, mantendo em todo o momento a grafia original do autor.

A convocatória do ano 2026

Chegamos entom à ediçom de 2026 dos prémios, na qual nas bases desaparece a referência à norma reintegracionista e volta ao mesmo texto das edições anteriores a 2025. Ao observar isto, o concelheiro Daniel Chapela emite uma pergunta ao Concelho, que é respondida textualmente: Trátase dunha proposta de Edicións Xerais de Galicia consensuada co Concello de Bueu coa finalidade de manter a liña de coherencia histórica do premio e do catálogo da editorial”. Posteriormente, Eugénio Outeiro, que como ganhador da ediçom de 2025 tinha direito a fazer parte do júri desta nova ediçom, renuncia a participar devido à exclusom dos textos escritos em galego internacional. Pola sua parte, a única explicaçom dada pola editora Xerais a toda esta polémica é que “facemos nosa a resposta do Concello de Bueu”.

A figura de Johan Carballeira

Um dos objetivos destes prémios, como figura nas próprias bases, é a de “homenaxear e dar a coñecer a figura do bueués Johan Carballeira”.

Johan Carballeira foi um poeta, jornalista e político. Foi membro do Partido Galeguista e alcalde de Bueu em 1936, sendo fuzilado polo regime fascista no ano seguinte. Como demonstra a própria maneira de grafar o seu nome, usando a grafia J e nom X, o autor era partidário de escrever o galego usando uma norma etimológica. No 15 de novembro de 1932, deixou escrito no jornal El Pueblo Gallego: “aquela miña angueira: unificar a nosa lingua sobre bases etimolóxicas, dándolle entrada no alfabeto galego a dous signos tan universales como o g e o j (Cotarelo, García de Diego, Navarro Tomás, Risco e outros filólogos i escritores de outa solvencia xa diron público dictamen favorabel a iste sistema ortográfico)”. É paradoxal que nos prémios que levam o seu nome e que homenageiam a sua figura nom se permita a ortografia etimológica que ele mesmo defendia.

A postura da AGAL

Desde o ano 2016 a nossa associaçom defende o binormativismo, a coexistência em igualdade das duas normas do nosso idioma no território galego. No seu momento, celebramos a abertura dos prémios Johan Carballeira a este binormativismo, e recebemos com profunda alegria a notícia de que a obra vencedora estava escrita em galego internacional. Era um passo na direçom certa, em que ninguém fosse discriminado pola maneira em que prefere representar o galego na escrita. A viragem que tivo lugar neste ano é um forte retrocesso e supom a discriminaçom de todas as pessoas que escrevem o galego segundo a norma internacional.

Na AGAL rejeitamos completamente esta postura mantida polo Concelho de Bueu e a editora Xerais. Reclamamos que nesta e em futuras edições dos prémios sejam permitidos textos galegos escritos em qualquer das duas ortografias, e que nas bases se mencione explicitamente esta dupla possibilidade. Aliás, estendemos esta reclamaçom a todos os prémios literários, nomeadamente aqueles promovidos por instituições públicas.

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