Por Ernesto Vasques Souza
El idioma de un pueblo es la lámpara de su Karma. Toda palabra encierra un oculto poder cabalístico: es grimorio y pantáculo.
Ramón de Valle-Inclán
Já disse, poeta entre os poetas Carlos Drummond de Andrade, seguindo o ronsel meta-literário do mesmíssimo Dante: “no meio do caminho tinha uma pedra”.
E tal a havia. Justo, no meio do caminho, magnífica, levantando-se diante do meu canso olhar. Antiga e tamanha, fazendo parte do outeiro humanizado desde a noite dos tempos. Atalaia, na beira de uma croa, nos restos de um forte desenhado sobre as grandes penas graníticas que arredor emergem da terra, marcando circo e espaço definido. Formações gastas desde que o mundo é mundo e a pedra é pedra, com marcas dos primeiros homens e doutras gerações depois.
Uma daquelas rochas que os sonhadores e poetas visionários reconhecem imediatamente como porta para outros mundos, como ponto privilegiado desde o que ler o universo, a história dos países e as estórias dos seus povoadores enquanto se mata a sede e a fame da caminhada com um grolo de auga, uma fatia de pão feito de essência de aromas da terra e umas lascas de chouriço fumado que nem saído do mais fértil magim culinário.
A boca da ria ao longe; as vilas e os caminhos arredor; presta tirar da sacola uma maçã e encetá-la com a faquinha jeitosa para que tudo inteiro entre na boca o ciclo da vindima à castanheira, de Santos a Santo André; a manhã fria, úmida e a Ria de Arouça.
Carriça velha, musgo, folhas douradas, auga correndo e arrastando terra pelos universos de verde multicolor, madeira e algum fume; também no horizonte recendo familiar a lar distante e a tempos de infância e mocidade.
Sentado, numa autêntica pedra de ler paisagens, de enxergar além, de esculcar longe e percorrer-se por dentro; ao Sol, no espaço contemplado em tranqüila soidade a lavrar num pau e abrir-se aos caminhos do Tempo e do meu Outono.
No meio do caminho…tinha uma Pedra.
