Neve

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Por José Ramom Pichel Campos

Desde vários dias Galiza e em muitas partes da Península estão a ser atingidas pola neve que vai de acima para abaixo, em Compostela horizontal como é a chuva de sempre. E isto lembra-me claro ao virus da neve, um virus original, terrível que fijo a sua aparição há muito tempo nos anos 90, que nos computadores é como falar do cretácico, quando foi o cretácico? pois há muito tempo.

O virus da neve consistia num virus informático que quando se introduzia no computador já era demasiado tarde, sobretudo naquela altura tão iniciática. Sabias que os computadores o tinham quando de súpeto o que estavas escrevendo na pantalha ou mesmo sem escrever, a pantalha mesma caia coma um paraquedas, folerpinhas de neve e alá ia tudo o trabalho, e começava uma face facebook, uma abertura de boca oca e finalmente a paciência essa companheira inevitável, quando chegava.

Também a maior parte das vezes esse murro na mesa, essa descrição detalhada dos familiares do computador e esses gritos ao vento, por se alguém escutava. Dizem muitas culturas espirituais bem de Ocidente bem de Oriente e até o sentido prático da vida diz que: “o antagonismo com o teu inimigo faria emergir normalmente a tua raiva, mas ao mudar a tua atitude tu podes transformá-la numa oportunidade”.

Isto é polo qual os inimigos são descritos como os melhores amigos do espírito, porque só eles nos dão a oportunidade de praticar a paciência.

O virus da neve e tantos virus posteriores conseguiram que a nossa relação com a tecnologia informática e com a tecnologia em geral mudasse em direcção a paciência e à mudança.

E já agora vivemos num mundo onde tudo parece que esteja num clique, onde queremos resultados para já, onde a vida é simplesmente um correr, um produzir sem se parar sem saber, porque? para que? eu que sei! Virus como o da neve são companheiros que nos ajudam a parar-nos, sentirmo-nos menos invencíveis. Outro dia na capital da Galiza, não havia virus mas neve real. Dava génio ver com tanta neve que caiu, tantos meninhos em período de férias brincando com a neve e caindo polas abas dos miniouteiros com sacas de plástico. Era emocionante ver que a gente estava com um sorriso bem amplo, só pola neve, por ter de parar, por ter de tomar um coffee na cidade e falar com gente que nem conheciam. Às vezes, uma notícia do Nadal, qualquer notícia antagónica, um virus da neve em definitivo, nunca nos deve deixar congelados mas ver nisso uma nova oportunidade para sairmos da anestesia geral.


(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.