Na rotunda do tempo

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Por Ernesto Vasques Souza


Na rotonda do tempo e no seu redondel

Urbano Lugris

 

Há tempos que venho reparando em que os mais dos carros com o característico elíptico GZ hesitam, reduzem e ainda piscam o indicador; alguns mesmo dão uma, duas voltas e até três como em tratando de orientar perplexidades: logo continuam, deixando na esquerda a saída auto-estrada e aqueles espaços ainda não navegados.

Não será por falta de sinal, que é tamanho; nem pelos indicadores que antes de chegar percorrem conosco o velho caminho, ainda há que reparar nos acenos exagerados dalguns passageiros mais curiosos. Não será não, mas algo tem de haver.

Passam os anos, mudam certamente os tempos cara situações que favorecem e dão razão àqueles que falaram até enrouquecer de abalar para um cenário internacional a língua. Passa o tempo e acontece que passam com ele as oportunidades e as vantagens de um modelo que se revela dependente e fraco.

Passa e passa o tempo, e aí se ficam as vontades quedas na pintura: no escritório há búzios com os ecos de discursos para convencer surdos, caixotes imensos onde se arquivam as emendas murchadas transacionadas com esforço e noutras nos recantos inúmeros jornais e revistas que de novas foram coloridas; planos e projetos novos para movimentar velhas naus encoradas invadem as mesas, há desenhos e ilustrações de ridículas batalhas em pequenas rateiras, e por toda parte objetos de navegar e instrumentos de derrota antiquados e fabulosos. Mas as pingueiras que pingando vão, nem enchem os copos rotos.

O óleo sobre tábua com pátina de profundidade surreal, é saudoso, e a gente continua a se perguntar ante ele refletindo pelo complexo imobilismo que transmite.

Fora, os carros continuam, na rotunda do tempo e no seu redondel, circulando: talvez seja o cemitério paroquial, pequena estrada provincial e corredoira encosta, o que procuram.

Máis de Ernesto V. Souza