PGL Portugal – A sobrevivência do idioma português em Macau, onde detém o estatuto de língua oficial, está sob ameaça de sectores radicais, segundo explicou o professor universitário Moisés Silva Fernandes, que dirige em Lisboa o Instituto Confúcio.
«Há uma resistência por certos sectores mais radicais e mais ligados a uma China do período Mao Zedong que vêem com uma certa relutância a continuação da língua portuguesa em Macau. Há deputados na Assembleia Legislativa que têm colocado a questão do pouco uso da língua portuguesa nos vários serviços públicos em Macau, incluindo a própria Air Macau. Esta é uma questão que mexe com assuntos internos de Macau», salientou Moisés Silva Fernandes.
Na sua intervenção sobre a construção da autonomia de Macau, intitulada «Dez Anos Depois: Timor e Macau», Moisés Silva Fernandes abordou o que chamou de “grandes roturas e as grandes continuidades” deste período de 10 anos. «A grande rotura foi a liberalização do jogo, que aumentou, ironicamente, a dependência em relação a esta indústria. Praticamente mais de 70 por cento das receitas do governo de Macau são provenientes do jogo», sustentou.
