Por José Ramom Pichel Campos
Em Florianópolis, considerada a Silicon Valley brasileira, há muitas semelhanças com o nosso lugar do mundo e sobretudo com a zona de Vigo-Cíes e Corunha. Florianópolis é uma cidade que fica ao sul do Brasil numa ilha, tem uma ponte que coneta o continente com a ilha muito parecida à ponte de Rande, existem vários pólos universitários centrados sobretudo na tecnologia ora de telecomunicações ora de informática, a incubadora de empresas tecnológicas chama-se CELTA, dedicam-se também a uma crescente indústria audiovisual e falam (acho que não exagero) a forma mais parecida ao português galego que já tinha ouvido.
Lá desenvolveram um novo projeto cinematográfico realizado pola produtora Animaking, que consiste numa longa-metragem em animação stop-motion focada no público infantil, que tenta também ser para todas as idades.
Inspirado numa curtametragem foi a vencedora do prêmio Júri infantil do AnimaMundi 2006 e do prêmio de excelência do JVC Tokyo Video Festival de 2007. Foi pioneiro no Brasil ao utilizar a técnica stop-motion em longa-metragem. O filme chama-se: Minhocas.
Aqui toda a gente galega sabe o que são as minhocas embora fale em espanhol. Minhoca é esse tipo de palavra como também “colo” ou “churrasco” que embora saibamos a sua tradução ao castelhano (“lombriz”, “regazo” ou “carne a la parrilla”) está totalmente introduzida no castelhano galego.
O que não muita gente galega provavelmente conheça é que a palavra minhoca aparecia e mesmo até aparece nalguns dicionários portugueses e brasileiros como uma palavra que vem de uma língua africana que se fala em Angola: o quimbundo. A tecnologia das ideologias fai-lhes crer que quando dizem minhoca, falam africano: um novo absurdo.
Na Galiza igual que no Brasil temos uma emergente indústria audiovisual com aquele mítico sucesso de Marés vivas ambientado na vila imaginária de Portozas. E já agora liderando com as séries de produção própria e mesmo exportando a outros lugares, com produtoras que geram prêmios importantes cinematográficos e mesmo atores como Luís Tosar com uma grande projeção internacional.
Quando ia com meu pai pescar na praia de Area Longa ou no peirao de Vigo, aprendi que tendo paciência é como melhor se pesca, e sempre há que tentar, no mínimo banharemos a minhoca. Há muito o que nos une com o Brasil, para além da língua. Estamos no momento de ir pescar com eles no Atlântico. Esse é o filme a produzir nas duas beiras.
(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.
