Por José Ramom Pichel Campos
Diz Paulo Rico, diatónico e bisonoro, o jogo de palavras. Dous enigmas que juntos fazem um mais grande, a volta retranqueira ferrolana.
E comecemos polo primeiro enigma, a memória: uma das mais importantes funções que realiza o cérebro que nos permite aos humanos poder codificar, armazenar e mesmo recuperar a informação que recebemos através dos sentidos. A memória é mantida graças à potenciação e ao mantimento da conexão entre os neurónios. De fato, as redes de neurónios artificiais (RNA), usam o mesmo princípio para memorizar nos sistemas inteligentes computacionais.
Popularmente conhece-se que a memória é capaz de manter-nos no passado mas um passado de curto prazo (resultado de uma simples excitação das conexões entre neurónios), médio prazo e longo prazo (o mesmo que as primeiras mais outros elementos como genes e proteínas).
E continuamos pola histeria: vindo de uma palavra francesa, é uma desordem psicológica que se encontra dentro dessa família de transtornos de somatização causada por pensar que temos o que não temos.
No entanto, a histeria, enquanto neurose dizem os espertos clínicos que não se acompanha de uma ruptura com a realidade. A histeria está relacionada com a palavra útero e até o século XIX era só imputável às mulheres. Para tratar esta doença os médicos tratavam às suas doentes por médio de alouminhos eróticos, que as levavam em termos técnicos ao “paroxismo histérico” e assim finalizava sempre o seu mau. Curioso na época vitoriana.
Mais tarde provavelmente um século depois descobriram-se as possibilidades de armazenamento das memórias de ferrinhos, das memórias de tubos de vazio, e posteriormente as memórias baseadas nos semicondutores, baseadas no Sílice, daí o de Silicon Valley. Isto foi fundamental para o funcionamento dos sistemas informáticos. Estas memórias permitiram avançar a uma velocidade histérica as tecnologias da informação. E assim apareceram muitos acrónimos de tipos de memórias nos computadores segundo as suas funcionalidades: ROM, RAM, PROM, EPROM, EEPROM, USB, NAND, microSD, flash, FPM-RAM, EDO-RAM, BEDO-RAM, DRAM, etc.
Por isso para que realmente funcione um sistema humano, aqui, em Alemanha, em USA, em África do Sul, no Iraque e em tudo o mundo, é fundamental recuperar histericamente a memória, a memória de todos e todas os que sofreram, seja de onde for que vinhera esse sofrimento. Só assim, é que poderemos atravessar a doença social das raivas, sem enfrentar-mo-nos a elas, sem as alimentar.
(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.
