Mate de legal

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Por José Ramom Pichel Campos

Um dos grandes jogos que existiram sempre e sempre existirão, ou isso parece, é o xadrez. E como não podia ser doutro jeito, e esse jeito precisamente é que o xadrez, chess para os ingleses, converteu-se desde os primeiros computadores pessoais num dos jogos que primeiro aparecerom neles, e não só, também nas plataformas móveis. E também nos primeiros microcomputadores como o spectrum, o Commodore 64, o Amstrad 6128 ou aqueles MSX (microcomputadores japoneses na sua maioria) existiam versões de jogos de xadrez realmente espetaculares.

Nestes jogos para a gente que começava a jogar era sintomático aquelas partidas nas que quando se enfrentavam ao computador no modo principiante e dizia aquilo de “xeque mate em 7 lances”. O curioso era quando o computador avisava de que che ia dar mate em poucas jogadas e ainda começaras a partida. Impressionante, e afinal era certo. Existem muitos jogos de computador para quase todas as plataformas, sistemas operativos e arquiteturas de computadores: chess master, superchess, Fritz, etc. Em todos os lugares do mundo existem milhões de pessoas que jogam ao xadrez nestes sistemas, desde mais cativos até já gente maior e desfrutam deste mítico jogo.

Entre este xeque mate de começo de partida estão o xeque mate pastor que com um movimento do bispo e da dama podes dar o mate em quatro movimentos, mas realmente um mais lindo é aquele do xeque mate de legal que com dous cavalos e um bispo ganhas a partida em só sete lances desde o começo. Mas existem muitos xeques mate que ao longo da história foram descobertos com o estudo ou muitas vezes por acaso, resultado de anedotas que já conseguiram ser autênticos mitos urbanos.

Por isso quando após vinte e nove anos de lei de normalização lingüística na que se pretendia favorecer o nosso idioma que é o que se encontra na situação mais débil da partida, vemos que nem os organismos públicos favorecem totalmente o idioma próprio, e quando nem com a ajuda de declarações e até artigos estatutários como ocorre nas Universidades o galego não é a língua oficial nem a atmosférica, eu não recebi em cinco anos de carreira nem uma soa aula em galego.

Pois agora, que a Universidade aberta portuguesa (a UNED de Portugal) anuncia que vai abrir dous centros na Galiza com as aulas 100% em português, que é o idioma da Galiza afirmam, e que com isto pretende complementar a oferta educativa galega, um começa a dar-se de conta, que sim, isto é xeque-mate em 7 lances e sempre de legal.


(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.