Marcados na via láctea

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Por José Ramom Pichel Campos

A via láctea, esse mistério que até alguma vez fomos capazes de ver através de telescópios vitais e físicos. Essa canção maravilhosa do cantor aragonês Ángel Petisme em homenagem ao também aragonês Luis Bunhuel. Todos estamos marcados por ela, somos resultado das estrelas e as vezes tentamos contá-las deitados na erva. Nada parece o que é, a realidade é uma confusão continua.

Por isso muitas vezes pensamos que as questões lógicas são as que deveriam mover o mundo, mesmo os nossos micromundos, do quotidiano. Mas há muitas realidades debaixo da via láctea, o voo dos pássaros é impredizível e continuamos a não perceber o que sucede. Pensamos que os comportamentos são matemática e sem remédio, jogar a ser deuses. E por isso é que che surpreende que a gente que mais te acha em falta é a que nunca pensarias, os mais calados às vezes, as euforias podem mentir.

Por tanto, quando Microsoft aposta claramente polas licenças privativas, não seria crível que de súpeto começasse a comercializar software com licenças livres GPL por exemplo. A gente pensaria que estariam tramando qualquer cousa, que provavelmente seria uma estratégia para acabar com o software livre, ou imaginações parecidas.

Se polo contrário uma empresa como Canonical a responsável pola distribuição Ubuntu começar a lançar software com licenças privativas a gente ligada a esse mundo começaria a suspeitar que qualquer cousa está mal no software livre quando já têm necessidade de ter licenças privativas, que estão provavelmente a tentar uma aliança a longo prazo com Microsoft ou Google. As etiquetas condicionam as nossas ações.

Estamos tão limitados polas marcas comerciais que as tentativas de mudança desde as próprias marcas estejam num começo quase sempre questionadas.

Isto ocorre também na política sob este mundo, direita e esquerda já nada claro. Se um partido de direita defende que o português deveria ser estudado nas escolas para que os meninhos galegos tenham mais futuro num novo mundo cheio de economias emergentes como ator principal o Brasil, ninguém repararia noutras questões. Se o mesmo pede um partido de esquerdas nacionalista, a gente pensaria que na realidade estão pedindo a integração em Portugal. Isso foram as galescolas e já agora as galinhas azuis. A linguagem publicitária que supere a nossas marcas deveria ser um arma carregada de futuro. Estamos num período da história de confusionismo e por isso nada é o que parece na tecnologia e também na política.


(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.