Por José Ramom Pichel Campos
Sempre a duo, parece que a humanidade se vai construindo a duo e em comunidade, as relações é o mais importante. Comunidade analítica, inventos analíticos, acção-reacção, inventiva como a que em fins do século XIX deu lugar à criação da máquina analítica desenhada na sua arquitetura por Charles Babbage, programada posteriormente no seu primeiro algoritmo pola filha de Lord Byron, chamada Lady Ada Lovelace. Mas voltemos ao Charles Babbage matemático, cientista e grande inventor inglês que projetou e desenhou o primeiro computador de uso geral da história dos computadores, apenas utilizando ferramentas mecânicas da época.
Porém o desenho final nunca foi construído devido aos grandes custos que precisava para isso mesmo e também por problemas financeiros e mesmo provavelmente problemas políticos. Finalmente entre os anos 1985 até 1991 um grupo de engenhei- ros do Museu de Ciência de Londres construiu esta máquina para além doutra de suas invenções que por acaso e polos mesmos motivos também foi inacabada, a máquina diferencial.
A máquina diferencial estava desenhada para poder construir tabelas de logaritmos e de funções trigonométricas para poder resolver polinómios por aproximação.
Polo contrário a máquina analítica tinha uma arquitetura de propósito geral que funcionaria com um motor a vapor e teria tido 30 metros de longo e 10 metros de largura. A entrada dos programas e dos dados estava feita para funcionar por cartões perfurados e a saída seria por uma impressora, um equipamento de desenho e também uma campainha. Também tinha uma unidade aritmética, o que seria depois a ALU. Esta arquitetura logo foi repetida nos primeiros computadores adiantando-se mesmo um século à sua época.
Mas também o mais incrível desta máquina é que a linguagem de programação era bastante próxima às linguagens em ensamblador dos computadores de baixo nível atuais.
Ada Lovelace durante um período de nove meses pariu os que seriam os algoritmos para calcular a distribuição de Bernoulli. Ada Lovelace e Charles Babbage eram autênticos génios.
Na nossa época temos que aguentar esses políticos que funcionam como computadores repetitivos e monolíticos. Máquinas analíticas humanas que teimam em continuar metendo o zoco com esse mantra “galego no sentido pejorativo da palavra” e que nem pedem desculpas por equivocar-se (são humanos?).
Vivemos com políticos de muito baixo nível cultural, inteletual e mesmo criativo. Com Charles Babbage e Ada Lovelace isto não passava.
(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.
