Por José Ramom Pichel Campos
A volta ao mundo é como o que normalmente quer dizer o termo Magalhães, ou seja um apelido de segundo Elcano, esse basco que seica deu a volta ao mundo, achamos que por dinheiro e fama na corte imperial, com paragens em lugares exóticos cheios de homens e mulheres que nao gostaram de ver esses seres estranhos, com línguas estranhas que traziam cruzes para se arrepender, eles que nem conjugavam o verbo.
No entanto, a história que não sabe de rectas nem de segmentos acredita no círculo, de fluxos e refluxos, de começo e fim indefinido em vários pontos, ou como imaginar um círculo formado por pequenos círculos um tras do outro que logo se unem com essa paciência de alfaiate, os olhos apontam com os óculos.
A história que nunca se sabe se começa ou remata, surpreendendo a historiadores e curiosos e senhor sentindo muito tive de sair pola tangente, derivei-me, integrei-me, não pertenço ao mundo matemático mas poderia apreender a sê-lo.
Assim, o Magalhães renasceu em forma de computador, desafiando e desafinando mares e marés filipinos, e voltou não no tempo de filipes, a terras portuguesas como retomando a história. Este computador pequeno, cheio de todas as capacidades básicas para qualquer um utilizador de tecnologia, isto é, software para poder navegar pola internet, software ofimático livre OpenOffice e umas outras utilidades e sinceramente pouco mais apareceu. E tudo isto num computador irrompível.
Em todas as escolas de Portugal os escolares vão poder aceder a esta maravilha a preços muito baixos em função da renda de cada um. Para além de ser uma ferramenta para a educação, Portugal acaba de vender miles de Magalhães a Venezuela, com o que se incrementam as exportações tecnológicas do vizinho país irmão. Isto provavelmente trazerá novos produtos e novas necessidades de investigação e desenvolvimento. Tudo a hora e meia de Compostela.
Por enquanto passa isto, acaba de ser criada a Academia Galega da Língua portuguesa. Eu falo português galego, que era a língua que falavam também meus avós de Forcarei com uma riqueza léxica e de matizes que não vi em falante actual nenhum. Quando meu avô foi aos Estados Unidos, intuiu que falava os dous idiomas românicos mais importantes, o español de Galicia e o português da Galiza, e que isso era uma vantagem terrível. Intuiu tudo isto por si mesmo como tantos galegos, só que nenhuma elite cultural galega lhe transmitiu o descobrimento. Quantos poucos descobridores há nesta terra de subsídios.
(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.
