Por José Ramom Pichel Campos
Como difuso é um mapa de grises, entre os bons e os maus, toda essa gama de regulares, como entre o branco e o preto toda essa faixa de grises de diferentes sabores e até odores. Por isso é que assim se chama a lógica difusa porque enfrenta ao binarismo da lógica binária aquela álgebra na que se baseiam os computadores actuais que tudo o mundo tem acesso, e já vai tempo que os temos. Esta lógica pretende jogar e trabalhar com dependes, é como tentar trabalhar em computação com pensamento galego e de tantos lugares do mundo, acostumados a ter todas as questões claras porque não se têm.
E tirando de wikipédia: a lógica difusa ou lógica fuzzy é uma extensão da que admite infinitos valores lógicos intermediários entre o Falso (0) e o Verdadeiro (1), bem como abrangendo o valor médio “Talvez” (0,5). Isto significa que, um valor lógico difuso é um valor qualquer no intervalo de valores entre 0 e 1. Mas sem falar de matemáticas mas de língua, recentemente a Unesco tirou fora o galego da lista de línguas em perigo. Qual a razão? o reforço que tem com a proximidade com o português.
O filólogo finlandês Tapani Salminen argumenta isto como factor importante para que a nossa língua esteja fora da UCI, como é evidente segundo todos os inquéritos, com a perda intergeracional de falantes naquelas zonas mais dinâmicas e mais novas da população galega. O que não sabe o nosso amigo finlandês é que uma cousa é a teoria e outra a prática. A dia de hoje entre chamadas maciças cara a irmandade com o português, pequenas aproximações morfológicas e léxicas da nova norma do galego, a realidade (difusa) coloca dia a dia a todos aqueles que construem língua não já ignorando essa vantagem que tem o galego, mas até permitindo-se o luxo de gerar um galego o mais distante do português possível.
Ainda há uns dias o presidente da RAG, comentava num jornal que Galiza não deixaria de ser nação ainda que perdesse a língua. Tem muita lógica (difusa) vincular os dous termos, imaginemos ao presidente da RAE proclamando, ainda que perdamos o espanhol em Espanha sempre nos ficarão os touros. Mas vivemos num lugar da Terra tão surrealista no sentido positivo da palavra que haveria que dizer-lhe ao finlandês que aqui visto o visto com estes planos que têm os que mandam para o futuro do nosso idioma, sem revisar preconceitos e trabalhar na linha da convergência ortográfica com o novo acordo português-brasileiro, não nos vai salvar nem um acrónimo como a Unesco.
(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.
