Por José Ramom Pichel Campos
Ou o título dum dos discos mais famosos do jazz, disco de Miles Davis realizado entre os meses de Março e Abril do 1959, ano no que também Chipre consegue a sua independência, no que Günter Grass publica O tamboril de folha de lata, ou no que Fidel Castro toma o poder em Cuba derrubando a Batista e até hoje mesmo. Kind of Blue, conseguiu vendas de mais de dous milhões de cópias na altura o qual é um fito espetacular, e já sabemos que as cousas não saem da nada e para além do grande Miles, tocaram os excelentes John Coltrane, Paul Chambers, Jimmy Cobb, Cannonball Adderley e até Bill Evans. Um luxo.
Também desde o ano 1959 dedicou-se exclusivamente ao setor dos computadores e da informática a empresa IBM que inspirou o computador de 2001 uma odisseia no espaço de Stanley Kubrick, chamado HAL. Este acrónimo não era mais do que um jogo de letras com IBM, isto é, se incrementamos uma letra no abecedário para cada uma das letras do acrónimo, H+1= I, A+1= B, L+1=M, pois dá o Gigante Azul, ou seja IBM (International Business Machines).
Esta multinacional que tem mais de 300.000 nóminas em todo mundo, leva trabalhando desde o ano 1888, ano da abolição da escravatura no Brasil e do nascimento de Lorca. É a empresa de serviços tecnológicos mais grande do mundo, centrando-se desde há uns anos em questões relacionadas com a consultoria e os serviços logo de abandonar progressivamente a fabricação de computadores pessoais.
IBM é conhecida também por não ter uma política proativa pola sindicação dos trabalhadores. No entanto continuam a aparecer grupos dentro da empresa como a IWIS (IBM Workers International Solidarity) que já é legal dentro do gigante azul.
IBM também é reconhecida no mundo por ter-se aliado especialmente com o software livre, sendo entre as empresas grandes das TIC uma das que adotarom uma estratégia evidente com esta forma tão absolutamente comunitária de desenvolver software. Em inglês blue pode significar azul e também melancolia. Por isso não surpreende observar como às vezes aqueles que numa altura figerom propostas empresariais lançando à sociedade até roupa inovadora, que rompiam o definido na suas respetivas indústrias de tecnologia ou noutros setores, e que apostam polo software livre, mas também polo despido idem.
Miles Davis, que era filho de dentista, sabe que extrair moas sem anestesia dói. Por isso isto de sempre sofrer os mesmos, só nós produz uma Kind of blue, uma espécie de melancolia azul também tecnológica.
(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.
