Jéssica Rei: “Cada passo que o galego dá para ser umha língua mais internacional, som anos de vida que ganha”



foto-visita-european-dairy-farmersNeste ano 2021 cumprem-se 40 anos desde que o galego passou a ser considerada língua co-oficial na Galiza, passando a ter um status legal que lhe permitiria sair dos espaços informais e íntimos aos que fora relegada pola ditadura franquista. Para analisarmos este período, iremos realizar ao longo de todo o ano umha série de entrevistas a diferentes agentes sociais para nos darem a sua avaliaçom a respeito do processo, e também abrir possíveis novas vias de intervençom para o futuro. Desta volta entrevistamos a experta em marketing e rural, Jéssica Rei.

Qual foi a melhor iniciativa nestes quarenta anos para melhorar o status do galego?
Esta pergunta é fácil: O Xabarin club, nom há dúvida! Foi a melhor iniciativa para melhorar o estatus do galego: rejuvenesceu-o (já nom era umha coisa de velhos) pujo-o de atualidade, cantávamos e bailávamos com as músicas criadas por artistas para o Xabarin club, e mesmo criou um sentimento de pertença… Nom houvo iniciativa igual para o galego como a do Xabarin club

Se pudesses recuar no tempo, que mudarias para que a situação na atualidade fosse melhor?
Canto se pode recuar? Na história recente, polo menos seguiria com a iniciativa Xabarin club, claro! Mas como era antes, que era um motor de criar cultura e geraçons para o galego. Que os médios de comunicaçom públicos e galegos gerem contido de qualidade em galego evitaria que chegássemos a esta situaçom. A TVG segue a ser um dos canais mais vistos, mas se nom formos ambiciosos na elaboraçom de conteúdos, vai quedar relegada a um público menos exigente, e nom vai, precisamente, o das novas geraçons.

Que haveria que mudar a partir de agora para tentar minimizar e reverter a perda de falantes?
Bem, julgo que nom som a pessoa que melhor pode responder a esta pergunta. Porém, polo que podo ver é que o galego periga até no rural. A mocidade vai a um colégio (nom a umha escola unitária) onde é profundamente castelhanizada e na casa tampouco tem recursos de entretenimento em galego. Assim é como acontecem situaçons de todo estranhas, como som famílias galego falantes com cativos de 3 anos que falam castelhano, e isto está a acontecer. Assim que, se nem os nados em famílias galego falantes tenhem espaço para medrar em galego, temos um grave problema, eu começaria por aí! E penso que isso se consegue reabrindo as unitárias e fazendo umha escolarizaçom mais rural e local. Quanto ao de reverter falantes, teria de ser umha grande aposta do governo com orçamentos para promover o galego nos âmbitos culturais, empresariais e nos médios de comunicaçom.

Quanto ao de reverter falantes, teria de ser umha grande aposta do governo com orçamentos para promover o galego nos âmbitos culturais, empresariais e nos médios de comunicaçom.

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Jéssica Rei | foto de Javier Rodríguez

Qual é o papel do galego para o mundo empresarial e o marketing?
Há que reconhecer que o papel do galego no mundo empresarial e do marketing é hoje assaz pequeno. Utiliza-se nalgumhas iniciativas locais e pequenas e apenas está presente em projetos relevantes. No privado, é utilizado muito, mas em público já é outra cousa. Isto fai que tenhamos um empresariado galego falante, mas que fai produtos ou oferece serviços em castelhano. E por quê? Pois, porque nem é o mais demandado, nem é a opçom mais económica (é mais cara em recursos e tempo). Isto é umha realidade. Por isso, em marketing, utiliza-se o galego quando há umha decisom estratégica para o fazer, mas habitualmente o que se utiliza é o castelhano. Se o teu mercado nom é só galego, mas também espanhol, aí já é mais difícil que o galego tenha presença. Também importam os tempos globalizados e googleizados que vivemos, onde o galego nom tem ou tem pouca importância num posicionamento SEO, por exemplo.

Em marketing utiliza-se o galego quando há umha decisom estratégica para o fazer, mas habitualmente o que se utiliza é o castelhano.

Achas que seria possível que a nossa língua tivesse duas normas oficiais, uma similar à atual e outra ligada com as suas variedades internacionais?
Acho que cada passo que o galego dá para ser umha língua mais internacional, som anos de vida que ganha! Penso que a característica de que o galego se escriba com gramática do castelhano fai que seja local e é umha autoestrada para a sua castelhanizaçom, e polo tanto para a desapariçom do idioma. E acho mui favorável a criaçom de vias mais internacionais. Agora bem, para umha normativa internacional ser acolhida por umha grande maioria deve ser promovida oficialmente pola administraçom, do contrário as empresas nunca se subiram a esse carro.


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  • Arturo Novo

    Esta mulher, nem é filóloga, nem linguísta, nem ativista de nada, que eu saiba. Mas nesta entrevista demonstra uma clarividência a respeito da problemática que padece a nossa língua, que surpreende muitíssimo. Apresenta um discurso, aparentemente simples, mas totalmente certeiro.

  • Vítor Garabana

    Como a Jéssica vê com clareza, gostei! Para isto: “Se o teu mercado nom é só galego, mas também espanhol, aí já é mais difícil que o galego tenha presença”, que bom era que ademais o mercado das nossas empresas nom fosse só galego, mas também português. Aproveitando a eurorregiom, com promoçom total no modelo de língua comum, o galego continuará a ter presença.