A cerimónia de entrega do galardão será este sábado, dia 19 de setembro

Isaac Alonso Estraviz receberá no Jurês o Prémio Arraiano Maior 2015

Autor do Dicionário Eletrónico Estraviz, que recebe mais de 1.300 consultas cada dia



Isaac Alonso Estraviz / Foto: Miguel Villar (LVG)

Isaac Alonso Estraviz / Foto: Miguel Villar (LVG)

A associação cultural Arraianos concedeu o Prémio Arraiano Maior 2015 ao lexicógrafo Isaac Alonso Estraviz. O galardão será entregue num ato que decorrerá no sábado, 19 de setembro, na capela da Nossa Senhora do Jurês, em Lóvios; e a seguir haverá um jantar de confraternização num restaurante da localidade. Ainda, Estraviz receberá a guilhada e a pucha que o reconhecem como Arraiano Maior, bem como um diploma do coletivo português Porta XIII, premiados na anterior edição.

Da associação destacam o lexicógrafo como «pessoa de bem, referente ético e comprometido com a cultura e o territorio arraiano» e salientam o seu «trabalho sem descanso» para que o galego recuperasse o seu esplendor. Parte fundamental desse labor é o dicionário que leva o seu nome, publicado originalmente em papel e, desde há mais de uma década, também na internet. Atualmente, o Dicionário Eletrónico Estraviz é o mais completo dos dicionários galegos —quer em papel, quer em format digital—, com 130.666 entradas totais e 474.904 consultas nos últimos doze meses —mais de 1.300 cada dia.

Trajetória

Conversas com EstravizIsaac Alonso Estraviz (Vila Seca, 1935) é licenciado em Filosofia, Filosofia e Letras, Filologia Românica e ainda doutor em Filologia Galega. Entre 1975 e 1977 foi professor de Língua e Literatura Galegas no Ateneu de Madrid e desde entom até 1984 desempenhou o mesmo labor na Irmandade Galega-Lôstrego da capital do Estado. Como Professor de Bacharelato percorreu várias vilas e cidades galegas (Rua, Ferrol, Ponte Vedra, Ponte d’Eume, Santiago de Compostela, Vigo, Corunha, Ordes) até obter destino definitivo no Instituto Otero Pedraio de Ourense em 1987. Em 1986, assistiu como observador ao Encontro sobre Unificação Ortográfica da Língua Portuguesa (6-12 maio de 1986) no Rio de Janeiro. Desde 1990 é professor da Universidade de Vigo, exercendo desde 1994 só no polo de Ourense. Atualmente forma parte da Comissom Linguística da Associaçom Galega da Língua e é vice-presidente da Academia Galega da Língua Portuguesa.

Tem publicado: Contos con reviravolta: arando no mencer (1973); Dicionário galego ilustrado “Nós” (1983); Dicionário da língua galega (1986); Estudos filológicos galegoportugueses (1987); Dicionário da língua galega (1995); Os intelectuais galegos e Teixeira de Pascoães: epistolário (2000) e Santos Júnior e os intelectuais galegos (2011). Participou também em numerosas obras coelctivas, como o Estudo crítico das Normas ortográficas e morfolóxicas do idioma galego (1983); Uso das línguas na perspectiva peninsular (1993) ou Seis Projectos de Expressom Artística Globalizada, para crianças de 6-8 anos (2002), entre outros, para além de realizar um notável labor de tradução.

Ainda, tem colaborado em revistas como Grial, Boletim de Filologia de Lisboa, Agália, O Ensino, Nós (Revista Internacional Galego-Portuguesa de Cultura), Temas de Linguística e Sociolinguística, Cadernos do Povo, Encrucillada, Raigame, Revista de Guimarães, A Nosa Terra.


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  • Ernesto V. Souza

    Se há alguém na Galiza que mereça um reconhecimento a sério é o bom do prof. Estraviz.

  • Heitor Rodal

    Parabéns, professor!

  • madeiradeuz

    Num país normal seria medalha de ouro da Galiza ou alguma distinção párea.

  • ranhadoiro

    O poder simbólico do estado é total que diria Bourdieu, além disso é tão poderoso que é inconsciente, pois é da raia do estado da que falamos.
    Estraviz não merece o prémio de arraiano, se não o prémio de banidor de raias, o seu trabalho de sempre foi lutar contra a raia símbólica e mental da fronteira do estado espanhol.
    Estraviz sabe que tão galegos são os de aquem como os de além da raia que determina os espaços estatais, mas como não são do mesmo estado, falamos de raias, é de povos. “Um estado, uma nação, um povo”
    A raia que nos temos que ter, é a que há no leste, lá onde está espetada a Cruz de ferro. Mas é o estado o que construí nosso universo, e como vai ser isso se todos somos o mesmo estado… ele o estado (deus ex.machina), nos define e delimita, até na nossa regionalidade crioula…pois é.

    Além do dito, parabéns ao Isaac, que é merescente de quantos prémios haja, para esse homem sempre comprometido e generoso… e banidor de raias