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Gustavo Gumiero: “O ser humano foi criado para atravessar rios”

Em mais uma entrevista para a série “Sociedade brasileira de escritoras e escritores vivos”, o Espaço Brasil conversou com Gustavo Gumiero, doutor em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp e um verdadeiro cidadão do mundo, tendo muitos carimbos em seu passaporte, pois já visitou mais de 70 países.

Em 2022, ele publicou o livro “Pandemia no Brasil – fatos, falhas… E atos”, uma análise detalhada da maior tragédia que abateu o país em toda a sua história e a total paralisia do governo federal, além do negacionismo em relação as orientações da Ciência.
Morando na Itália, onde também lançou seu último livro, mas voltando periodicamente ao Brasil, Gumiero aceitou o convite e concedeu-nos a entrevista abaixo.

Você viajou por mais de 70 países. Você já é um cidadão do mundo ou o “mundo é a sua cidade”?
Viajar é a grande oportunidade de entrar em contato com outros povos e novas culturas. Isso nos faz abrir a mente para as diversidades, respeitá-las, incorporá-las em nossas vidas. Cada vez que viajo, vejo que a questão de fronteiras e o conceito de país são maneiras de nos separar, ao invés de nos integrar como seres humanos. Dessa forma, considero-me cada vez menos como um “brasileiro” ou um “ítalo-brasileiro”, mas um ser humano, aberto a receber cada vez mais ensinamentos e conhecimento que me são desconhecidos. Somos todos seres humanos, no que isso pode ter de positivo ou negativo.

“O ser humano foi criado para atravessar rios”, essa sua citação é uma metáfora para definir as suas viagens? O que busca em suas viagens?
Atravessar um rio implica em lidar com o desconhecido e o imponderável: a outra margem do rio, a correnteza, o que pode estar na água. Viajar é isso: é não ter a certeza do que você vai encontrar, mas saber que esse percurso vai transformar você de alguma forma.

Em 2022, você lançou o livro “Pandemia no Brasil – fatos, falhas…E atos”(editora Referência) onde faz um diagnóstico dos fatos e classifica a pandemia como uma das maiores tragédias da história do Brasil, com mais de 687 mil mortos. Em sua opinião, como a História julgará os principais atores dessa tragédia? (Uma vez que tivemos uma Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI e nada aconteceu com os envolvidos)
A História já está julgando os principais culpados por essa tragédia nacional. As ações que não foram tomadas impactaram na morte de milhares de brasileiros – provavelmente centenas de milhares de mortes poderiam ser evitadas. Então é necessário que os principais responsáveis sejam julgados pela justiça e condenados.

Como o Brasil e os brasileiros sairão dessa pandemia (que ainda não acabou, em outubro ainda temos, em média, de 100 mortos por dia).
Usando uma citação do livro “Uma Palavra Viva”, podemos dizer, nesse caso, que “O que não mata deixa mais forte?
Infelizmente matou e não deixou mais forte. Pelo contrário: inflação, fome, insegurança alimentar, pobreza são as sequelas que os brasileiros estão tendo de conviver. Os dois últimos anos nos fez um país ainda mais pobre e desigual.

O livro “Pandemia no Brasil” foi lançado agora na Itália, como está sendo a aceitação? Existe planos de lançar em Portugal?
Lançá-lo na Itália foi um sonho realizado. E para a versão italiana, fiz um prefácio exclusivo, justificando o porquê de publicar um livro, na Itália, sobre a pandemia no Brasil, além também do posfácio, que escrevi já alguns meses depois da publicação da versão em português.
Já sobre a versão em português, ele está disponível tanto na versão impressa quanto na digital (Kindle), então os leitores de Portugal podem baixá-lo e entender o que se passou no período da pandemia na antiga colônia.

Comente sobre as suas postagens nas redes sociais “Tá russo”.  Qual foi o objetivo de mostrar o cotidiano russo, em meio à invasão da Ucrânia?
Admiro a história da Rússia e da sua cultura já há algum tempo e visito o país desde 2016. Depois de dois anos praticamente fechada devido à pandemia, a Rússia reabriu suas fronteiras neste ano de 2022. E aproveitei a oportunidade para presenciar in loco como estava a vida da sua população durante o período da guerra contra a Ucrânia/Otan. Os vídeos foram uma forma de apresentar a Rússia e também sanar algumas curiosidades sobre como os russos estavam vivendo neste período, já que a imprensa brasileira está muito longe do conflito.

Quais são os novos projetos – livros, viagens, palestras etc.
Os vídeos que gravei na Rússia foram já uma forma de trabalho no novo livro que vou publicar no início de 2023, sobre o conflito que está acontecendo. Entrevistei russas, ucranianas e bielorrussas e são essas mulheres, afetadas pela guerra, que vão falar em minha nova publicação.

Os vídeos que gravei na Rússia foram já uma forma de trabalho no novo livro que vou publicar no início de 2023, sobre o conflito que está acontecendo. Entrevistei russas, ucranianas e bielorrussas e são essas mulheres, afetadas pela guerra, que vão falar em minha nova publicação.

E o escritor nunca para. Há sempre algo que ocupa sua mente e necessita sair dela. Parafraseando a vencedora do prêmio Nobel de Literatura, Annie Ernaux, “o verdadeiro objetivo da minha vida talvez seja apenas este: que meu corpo, minhas sensações e meus pensamentos se tornem escrita, isto é, algo inteligível e geral, minha existência dissolvida na cabeça dos outros”.

Conheça Gustavo Gumiero

Mestre e doutor em Sociologia pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). É autor do livro “Pandemia no Brasil. Fatos, falhas… e atos”, além de outras quatro obras e possui mais de duas centenas de artigos publicados em jornais brasileiros.
Natural de Valinhos (SP), Gustavo divide seu tempo entre o Brasil e a Itália e tem entre suas principais referências os filósofos Friedrich Nietzsche e Michel Foucault, além de Maurizio Lazzarato, de quem já traduziu um livro do italiano para o português.
Acompanhe o autor nas redes sociais: twitter, instagram e facebook. E no seu site www.gustavogumiero.com

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