Por José Ramom Pichel Campos
Esse era definitivamente o jeito de fazer as cousas, para isso é que foi inventado nos computadores o multitasking, ou seja a multitarefa. Outro dia quando caminhava por não sei qual carreiro encontrei um homem que estava a escutar música com uns auscultadores, falando também polo telefone por outra orelha, na outra mão um aparelho que parecia um blackberry provavelmente lendo o correio electrónico. Ao pé dele ia seu filho pequeno. Quanto influem os computadores na nossa vida, sem decatar-nos.
Por isso quando a gente chega aos seus trabalhos de escritório, começamos por essa fonte de tranquilidade chamada correios electrónicos, depois continuamos com várias chamadas, e depois essas interrupções telefónicas, pessoais, e também essa navegação continua pola internet a maior das vezes sem saber o que procurar, simplesmente por ativar os navegadores e procurar, navegar e quase sempre perder-se. Logo virá a pergunta básica: Que figem hoje? Nem lembramos.
Cada vez mais às pessoas o mau uso da tecnologia está a acelerar-nos e que queiramos fazer tudo para já, e tudo ao mesmo tempo, sem ter em conta que com isso perdemos a atenção e que finalmente fazemos as cousas mal. Os humanos provavelmente não sejamos tão multitarefas como gostaríamos ou cremos.
Para isso é que nasceu a GTD, um método criado por David Allen, e que na realidade significa Getting Things Done, que serve para uma melhor gestão das atividades neste mundo multitarefa que parece que vai por ai a tendência. O eixo no que se baseia este sistema de organização pessoal do tempo é que as pessoas precisamos apagar da nossa mente todas as tarefas que temos pendentes, tendo de as guardar cada vez que se nos ocorrem num caderno por exemplo. Com isto libertamos à mente que se pode concentrar depois na realização perfeita das tarefas.
Depois de que tenhamos tudo armazenado deveremos classificar periodicamente em quatro listas diferentes: próximo, projeto, espera, algum dia. Na primeira faremos todo o que há que fazer proximamente e que leva mais de dous minutos, porque senão já o teríamos de fazer sem classificar. Na segunda introduziremos tarefas que precisam mais duma ação. Na terceira tarefas que delegache e que dependem doutras pessoas e por último aquelas que gostarias de fazer mas não podes fazer neste momento, aprender árabe por exemplo.
Milhões de pessoas usam o GTD e seica funciona. E por suposto existe tecnologia para organizar-se com GTD, mas isso está na minha lista que algum dia mostrarei.
(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.
