Por José Ramom Pichel Campos
E digo Fred Martins, Fred Martins e mais Fred Martins, uma autêntica revelação que tive a sorte de escutar outro dia no pub ultramarinos de Compostela tocando com dous grandes músicos como Luís Legido o grande baterista dos Sumrrá, Marcos Teira dos Marful, a (letrista-vocalista) punk Ugia Pedreira também de Marful e Nordestinas e a Uxía Senlhe impressionante.
Mas eu não só queria falar de músicos e música, porque já sei que o Fred Martins tem um repertório espetacular e canções das que gostei imenso, mas falar da relação das suas letras com a tecnologia e com o mundo. E assim diz um refrão numa música dele: eu tenho o tempo do mundo, mundo afora.
E sempre tudo se conecta. E falando do mundo afora, levo tempo pensando em tudo isto de correr e correr, de porque corremos tanto? Provai a ver desde um autocarro de manha como a gente corre polos passeios, como a gente olha um trás outro o relógio, passeando inconscientemente, com automatismos cara esse lugar chamado as presas. Como isto se repete aos meiodias, de noite e até os fim-de-semana. Por que corremos tanto? Porque nunca temos tempo?
Nos sistemas operativos como Unix ou Linux existe também o tempo mas é gerenciado muito mais desde o presente, o passado existiu sim e ficou registado mas já não é, o futuro é também pensado mas sempre desde o presente, já chegará.
Existe nestes sistemas um programa chamado cron que edita um arquivo chamado crontab que executa scripts ou processos cada minuto, cada dia, cada hora ou mesmo cada semana. Nele estão todos os comandos que vão ser executados com a sua hora e dia de execução. O cron encarregara-se de verificar a hora e determinar se existe ou não um programa que deve ser executado. Finalmente se ele existir o programa ativara-se. Cron é um grande ferramenta para lançar processos, aplicações e demais família, quando queiramos desde logo.
O cron é o que em sistemas como Unix, Linux ou FreeBSD e outros sistemas operativos multitarefas se chamam daemon (isto é diabos, demos), isto é, aplicações que sempre estão a se executar-se em background, e que programam muito do comportamento dos computadores.
Afinal tudo tem relação, cron é um demo, que ativa programas e aplicações num determinado tempo. A percepção que temos do tempo pode ser um demo e nos controlar, o passado que persegue, o futuro que já chegou ao presente. Mas como diz o Fred Martins, eu tenho o tempo do mundo, mundo afora e que parem os demos das presas, que nos programam.
(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.
