Por José Ramom Pichel Campos
Acabam no mesmo morfema e se calhar alguma vez forom a mesma cousa, mas nem assim é que a gente concorda provavelmente com o conto que vou contar hoje mesmo.
Há muito muito tempo, ou Once upon a time in the west que cantavam os Dire Straits naquele Estádio contra o encarceramento do Nelson Mandela, ou seja a ética. Pois como dizia, há muito muito tempo, na tecnologia funcionava muito o tema da ética, isto é, eu construo um algoritmo que resolve um problema, deixo no domínio público, alguém fai melhoras, que eu reaproveito e com isto o conhecimento felizes felizes.
Mas depois, com os MS-DOS simpáticos eles, e já agora o iPad, o iPhone com o qual confesso fico abraiado com a sua interface, essa complexa relação das pessoas com os computadores que bonita é, andar de parranda e digitar de pé. Pois dizia, estes inventos do Steve Jobs da Apple, o do famoso discurso de Standford onde enunciava que nada valia a pena se nao ia acompanhado de fome e de loucura, stay hungry, stay foolish, pois eles são todos um exemplo de como a estética do inapreciável ganhou a batalha à ética.
No software como já temos tempo insistido estamos flutuando pésie à pressão dos lobbys das grandes companhias de software de licenças de domínio privado cara aos modelos baseados no software livre, um andar devagarinho, mas que se está a notar. Mas em USA é terrível mesmo a cousa, com patentes de software ridículas, ou tentativas-de. É patenteiável o duplo-clique dum rato?
Mas USA país de contrastes também é lugar onde se realizou o documentário RIP: a remix manifesto, recentemente passado no magnífico festival de documentários de Tui chamado Play-Doc. Grande sorte para mim poder ver o que ali vim, com o documentário sobre as licenças livres, as Creative Commons face as licenças governadas polas grandes corporações das licenças privativas. O documentário fala sobre um engenheiro biomédico americano nascido em 1981 que em fim-de-semana fai sessões DJ com misturas de temas de artistas famosos que ele samplea, mistura, etc. Os donos da terra atacam-no, como se eles criassem a música que vem do primeiro osso batido contra a pele de ovelha. Chama-se Girl Talk.
Este século pode estar dominado polas licenças privativas do aparentemente justo (estética) se não nos enfrentamos desde a (ética) com o conhecimento livre. Imaginades que os matemáticos ou físicos da história cobraram cada vez que utilizáramos os seus teoremas, ou fórmulas? Ou cada vez que as graváramos num CD?
(*) Artigo publicado na coluna Medo aos aviões, do jornal Galicia Hoxe.
