Por Ernesto Vázquez Souza
Esfoliante é toda substância ou material que pode causar abrasão, corrosão ou descascamento de uma superfície na qual entre em contato. Exemplo: os equipamentos de microdermoabrasão utilizados em medicina estética causam a esfoliação das camadas superficiais (ou parte delas) da pele. (WIKI)
Dous anos de governo do PP chegam para ver que a política de Alberto Núñez Feijóöô é uma simples aparência que destila justificativa o poder no seu exercício. Nenhum projeto estrela em andamento, nenhuma iniciativa em indústria, gestão, desenvolvimento social, educativo, agrícola ou cultural; o tradicional desleixo em saúde, transportes, fazenda, ordenamento do território, consolidação do trabalho. Nem mesmo continuar o que deixou funcionando o bipartido.
Sombras de corrupção, caciquismo e amiguismo. Companhia das deputações e genuflexão ostentosa e obrigatória com o mais rançoso da seita católica. Muitas frases valeiras e a vontade caloteira de dissimular ação por meio de aparições televisivas em Madrid e de continuadas polêmicas com a questão do “galego” e o nacionalismo (ainda que para isto haja que submeter o doentinho a descargas elétricas prévias para lhe ativar o coração).
Nada. Rem, para além dessa imagem cuidada em parâmetros icônicos post-modernos e dessa estética de diretivo-gestor que abre e fecha portas de bons carros, em movimentação permanente entre gabinetes; relógios de piloto, fato-gravata-de-chefe-de- pessoal, lentes de engenheiro. Rodeado dos aplausos de cretinos com pluma e amarga baba de desleigados, reparte palmadas nas costas, a todo quanto passe a carão e sem respeito de formas, para transmitir essa energia que se supõe emana do seu liderado.
Contrariamente ao que os mais dos leitores pensais, eu vejo este parvenu e a sua política de ridículos, absolutamente ineficaz e intranscendente para a história da cultura galega: Infantil e inconstante nas suas decisões marcadas por constantes obsessões de trunfo pessoal em Madrid; as suas toxinas não passam de colorir a tona estética em que se movimenta.
Muito pior foi o fraguismo, que querendo matar a raiz, soube como incutir o veneno galego no sangue galego e agindo de dentro soube confundir, comprar, perverter e minar a intelectualidade e a cultura galega isolando-a – mais e mais do mundo- bem alimentada nas masseiras oficiais.
Mas sendo o governo de Núñez Feijó (e a atitude do atual PP) a duns verdadeiros especialistas em superficialidades, poderíamos considerar que a sua política de choque e nacionalização espanholeira não passa logo de um exótico tratamento esfoliante.
E, quem sabe, quem sabe, se de tanto esfregar da pele tudo quanto cheire a galego ou galeguismo, sem sabermos mui bem nenhum o que isto venha sendo, não se está simplesmente a retirar as grossas camadas de matéria morta que se foram fixando na idéia de língua, de cultura, na política galeguista e mesmo na idéia de nação desde há tanto.
Veremos em breve que é o que vai pelo esgoto com a corrente e o que fica de cara lavada.
